O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, anunciou nesta quinta-feira (28) a retirada de sua pré-candidatura ao Senado Federal pelo Partido Progressistas (PP).
A decisão, conforme comunicado por Castro, foi tomada após profunda reflexão pessoal e familiar, motivada pela intensa exposição pública, acusações e ataques que impactaram sua trajetória política e sua família nas últimas semanas. Ele afirmou que concentrará integralmente seus esforços na apresentação de sua defesa e no completo esclarecimento das alegações, confiante na legalidade e lisura de todos os atos praticados ao longo de sua vida pública.
Investigações da Polícia Federal e Suspeitas de Fraudes Financeiras
O anúncio da desistência ocorre após Cláudio Castro ter sido alvo de operações da Polícia Federal, que apuram seu suposto envolvimento em fraudes financeiras. As investigações miram, entre outros, o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Recentemente, Castro foi alvo da oitava fase da Operação Compliance Zero, que integra as investigações sobre a prática de crimes financeiros envolvendo o Rioprevidência, fundo de previdência social de servidores ativos, inativos e pensionistas do estado do Rio de Janeiro. As apurações identificaram aplicações de mais de R$ 3 bilhões do Rioprevidência no Banco Master.
De acordo com a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a busca e apreensão na residência de Castro, os indícios colhidos pela PF até o momento apontam que o ex-governador "exerceu papel politicamente relevante para a viabilização dos aportes da RioPrevidência no Banco Master". Em troca, haveria o pagamento de vantagens indevidas aos envolvidos nos investimentos. Ainda segundo as investigações, a atuação se deu primeiramente pela troca de comando na RioPrevidência, com a nomeação de nomes alinhados ao esquema criminoso por Castro.
Adicionalmente, há 15 dias, Castro já havia sido alvo de outra operação da PF, que apura irregularidades no setor de combustíveis, envolvendo a Refinaria de Manguinhos (Refit).
Condenação por Inelegibilidade e Julgamento no TSE
Paralelamente às investigações, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) agendou para o dia 2 de junho o julgamento do recurso do ex-governador Cláudio Castro contra a decisão que o condenou à inelegibilidade. Em 23 de março, Castro foi condenado pelo TSE até 2030, e o tribunal determinou a realização de eleições indiretas para um mandato-tampão, a ser votado por deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Contudo, o Partido Social Democrático (PSD) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) defendendo eleições diretas. A renúncia de Castro ao mandato no dia anterior ao julgamento, para cumprir o prazo de desincompatibilização para se candidatar ao Senado, foi interpretada como uma manobra para forçar a realização de eleições indiretas, em vez de diretas, que ocorrem pelo voto popular.












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