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Vereador do PT roubou do PCC, mas foi poupado por ter influência

Redação Por Redação
26 de junho de 2026
Em Notícias
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Vereador do PT roubou do PCC, mas foi poupado por ter influência
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com


O vereador do PT Senival Moura, atualmente em seu quinto mandato na Câmara de São Paulo, chegou a ser incluído na lista de condenados à morte pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) em 2020 sob suspeita de ter participado do desvio de R$ 15 milhões da facção em uma estrutura paralelamente instalada em uma empresa de transporte coletivo dominada pela facção para fins de lavagem de dinheiro.

As investigações do Ministério Público e da Polícia Civil indicaram que o parlamentar teria sido poupado, não por ausência de envolvimento, mas pelo capital político e influência institucional exercida pela carga, consideradas estratégias de manutenção e eventual facilitação de repasses e contratos ligados ao sistema de transporte público.

Senival Moura foi preso em uma operação da polícia na quinta-feira (26). Sua defesa afirmou ter recebido a notícia da prisão com surpresa “sobretudo porque foi determinado em momento sensível, diante da aproximação do período eleitoral”. A disse defesa ainda que ele não trabalha mais com a empresa investigada. O diretório municipal do PT afirmou que o partido “não compactua com o crime organizado”.

O episódio, que integra uma purificação mais ampla sobre a infiltração do crime organizado no setor, aponta ainda que o braço direito do vereador foi executado em 2020 após a deliberação do chamado “tribunal do crime” da facção. O petista teria sido preservado pela utilidade política e pela capacidade de articulação com a máquina pública, o que se tornou figura central em uma investigação que deu origem à Operação Última Parada.

A execução de seu braço direito há seis anos, segundo a polícia, teria acontecido com a conivência do vereador, que sempre negou envolvimento. A trajetória de Senival Moura envolveu desde a sentença de morte à posição de controlador de uma empresa a serviço do PCC, que movimentou mais de R$ 300 milhões em contratos públicos em 2025. Esse foi o fio de uma investigação sobre a infiltração do crime organizado no transporte coletivo da maior cidade do país e de relações com membros de partidos políticos.

“Não é uma novidade que organizações criminosas se aproximam e se infiltram em todos os setores da economia, do mercado e da política. Estamos pouco ou quase nada preparados para combater à altura”, alerta o sociólogo, especialista em segurança pública, Marcelo Almeida.

A prisão do vereador, que faz parte de um quadro histórico do PT e fundador da empresa de ônibus Transunião, colocou o partido no debate político da infiltração do crime organizado.

Mas não há nenhum plano jurídico, decisões, condenações ou provas que apontem aliança ou cooperativamente institucional entre o PT e o PCC. O Tribunal Superior Eleitoral, por exemplo, já se manifestou sobre o tema, determinando a remoção de conteúdos que associam o partido ao PCC com base em “episódios isolados”, classificando esse tipo de generalização como desinformação grave.

Para Sérgio Gomes, investigador contratado pelas forças federais de segurança, especialista em segurança Pública, as apurações que resultaram na operação desta semana demonstram, com detalhes, que um vereador de vários mandatos construiu uma relação que pode ser orgânica com a maior facção criminosa da América Latina. “Há muitas perguntas a serem respondidas pelo vereador e pelo próprio partido do qual o vereador faz parte dos quadros há muitos anos”, destaca.

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Vereador teve seu nome na lista de mortes de membros do PCC

Segundo a Polícia Civil de São Paulo, em 2020, Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião Transportes SA, foi executado por determinação do PCC.

Pendrives e provas ligadas a Soares Jorge revelaram que ele operava uma estrutura paralela na empresa para a facção. Ela incluía frotas em nome de laranjas, lucros reais canalizados para cooperados com vínculos diretos ao PCC e um fluxo de recursos públicos desviados para a facção.

As investigações revelaram que uma “auditoria interna” conduzida pelo próprio PCC descobriu que cerca de R$ 15 milhões haviam desaparecido das operações da Transunião. Os documentos manuscritos conhecidos como “salves”, comunicados internos com força de decreto, registaram os relatórios de Adauto e Senival Moura, o vereador do PT.

Segundo o Ministério Público de São Paulo, as motivações para que ele sobrevivesse e se mantivesse à frente dos negócios da empresa eram políticas. Apesar de uma facção ter descoberto que parte do dinheiro desviado estava sendo utilizada para financiar uma espécie de caixa dois à reeleição de Senival em 2020 pelo PT, o dinheiro do crime, em tese, estava bancando votos que beneficiaram a organização.

Adauto foi morto. Senival foi poupado pelo que tinha a oferta: influência política exercida pela carga de vereador e suposta capacidade financeira para reparar o prejuízo causado à organização roubando a máquina pública.

Para o investigador, o vereador não apenas incluiu a execução de seu braço-direito, como declarado ao PCC que sua presença na legislação municipal e sua capacidade de ressarcimento tornaram sua eliminação uma espécie de desperdício estratégico. O perdão teria sido então concedido pelo seu capital político. Para o pesquisador, o preço foi pago em dinheiro e lealdade.

Depois da execução de Adauto, a facção teria reorganizado a estrutura de comando da Transunião. Lourival de França Monário, conhecido como “Orelha” ou “Lori”, e Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão”, foram nomeados para os cargos de presidente e diretor da empresa, respectivamente.

Jair Ramos de Freitas é, segundo a polícia, quem teria atirado em Adauto. Ele foi preso junto com Senival na operação deflagrada pelo Gaeco e pela Polícia Civil nesta semana. UM Gazeta do Povo não conseguiu contato com sua defesa.

A defesa de Senival Moura afirmou que recebeu “com profunda indignação” a decisão que decretou a prisão temporária e classificou a medida como “surpreendente”, destacando que o parlamentar não exerce há mais de seis anos qualquer função de gestão, administração, direção, representação ou ingerência na empresa investigada. Segundo os advogados, esses fatos serão demonstrados ao longo do processo.

A defesa sustentou que Moura confia na Justiça e tem certeza que a investigação, de quatro anos, comprovará a inexistência de qualquer conduta ilícita de sua parte. Informamos ainda que estamos adotando as medidas jurídicas cabíveis para obter acesso aos automóveis, conhecer os fundamentos da decisão judicial e apresentar os esclarecimentos, assegurando o exercício do contraditório e da ampla defesa.

Os advogados também afirmaram que o vereador sempre pautou sua atuação pública pelo compromisso com a população, pela transparência e pelo respeito às instituições democráticas, razão pela qual obtém a investigação com serenidade e acredita que a verdade prevalecerá. A defesa declarou que Senival Moura colaborará integralmente com as autoridades, prestando todos os esclarecimentos solicitados para demonstrar a sua inocência pelos meios legais.

O advogado que representa a Transunião declarou que uma intervenção administrativa determinada pela Justiça deverá comprovar que a empresa movimenta exclusivamente recursos provenientes do sistema público de transporte, afastando, segundo ele, as suspeitas de que valores de origem ilícita circulariam pela transação.

O presidente do Diretório Municipal do PT em São Paulo, Hélio Rodrigues, afirmou que a legenda “não compactua com o crime organizado” e declarou surpresa com a prisão do vereador. Segundo Rodrigues, que também é vereador na capital paulista, o PT iniciou uma articulação interna com os diretórios estadual e nacional para definir uma manifestação oficial.

A direção municipal do PT reforçará que acompanha o andamento das investigações e que aguardará o posicionamento das autoridades para se pronunciar.

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A combustão de lavagem dentro do ônibus

A Transunião opera 51 linhas na Zona Leste de São Paulo e só em 2025, teria recebido mais de R$ 300 milhões em repasses do sistema municipal de transporte, dinheiro público, extraído de tarifas e subsídios, que chegava à empresa com regularidade institucional e saía, segundo o pesquisador, em parte por um canal paralelo para dentro da caixa do PCC.

Segundo o MP, o esquema tinha sofisticação suficiente para atravessar anos sem ser desmontado. No centro havia o que o MP descrevia como um núcleo de decisão paralelo à estrutura formal da empresa, responsável por autorizar transferências de grandes valores para ligados à facção. A legalidade aparente da empresa é regularmente contratada pelo poder público, com funcionários, frotas e contratos, serviço de cobertura para o fluxo ilícito, segundo a polícia.

A fraude conquistou a constituição jurídica da companhia. O capital social da empresa teria dado um salto que os investigadores classificaram como de origem criminosa: partiu de pouco mais de R$ 100 mil e chegou a mais de R$ 50 milhões sem documentos comprovantes à procedência desse dinheiro. Foi justamente esse capital que teria sido inflado artificialmente que permitiu à Transunião participar e vencer licitações da Prefeitura de São Paulo para operar linhas de transporte público.

Enquanto a empresa crescia, o património pessoal de Senival Moura, o vereador do PT, também evoluiu de forma que os relatórios de inteligência financeira apontam como incompatíveis os seus rendimentos declarados.

De 2019 a 2022, o vereador teria movimentado quase R$ 4,4 milhões, com uma diferença patrimonial superior a R$ 2,4 milhões sem explicação rastreável em suas fontes de renda legítimas. Não há registos de envolvimento do próprio PT como organização política partidária no esquema nem como beneficiário de recursos.

A principal suspeita do investigador é que o vereador tenha utilizado a sigla política e o mandato para operar em favorecimento do crime. Os especialistas alertam, no entanto, que ele é mandatário de carga eletivo há anos. “A história não surgiu agora e são suspeitas de anos, nunca despertou interesse político partidário investigar a atuação de seu vereador?”, questiona o constitucionalista André Marsiglia.

A investigação também teria identificado que a ocultação de bens do vereador petista teria contado com a participação de familiares: esposa, filhos e irmão. Imóveis de luxo registrados em São Paulo e Minas Gerais integram a lista de bens associados ao esquema.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 194 milhões em contas bancárias, além do sequestro de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações ligadas aos investigados e à empresa envolvida, além do vereador, ao menos quatro outros alvos. A Prefeitura de São Paulo disse aguardar notificações formais para intervir administrativamente na Transunião.

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A estratégia do PCC e o uso político no transporte público

O caso da Transunião não é um episódio isolado e integra um padrão reconhecido pelo MP como estratégia deliberada do PCC de se infiltrar em serviços públicos essenciais, especialmente no setor de transportes. Outras empresas foram investigadas sob suspeitas semelhantes em operações anteriores, como o Fim da Linha.

A lógica da infiltração é clara: as empresas de ônibus são intensivas em caixa, têm contratos de longo prazo com o poder público, operam com grandes frotas registradas em diferentes nomes e lidam diariamente com volumes de dinheiro que permitem diluir valores ilícitos com relativa facilidade. Para o crime organizado, segundo pesquisador, é uma lavanderia de dinheiro com contrato contratado pelo poder público.

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