
A Procuradoria-Geral da República rejeitou nesta segunda-feira (15) a proposta de delação premiada do empresário Daniel Vorcaro. A resposta negativa já era esperada, depois que a Polícia Federal (PF) se manifestou qualidades na semana passada. A PGR confirmou à Gazeta do Povo depois da informação antecipada pela TV Globo.
De acordo com o entendimento do procurador Paulo Gonet, as informações fornecidas pelo banqueiro, principal acusado pelo escândalo financeiro do banco Master, não foram acrescentadas nada novo em relação às investigações. A reportagem contrária à defesa de Vorcaro em busca de uma manifestação, mas ainda não teve retorno.
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Após a exclusão da segunda delação, Vorcaro pode perder o benefício de prisão em cela especial e não deve ter sucesso na pretensão de reduzir pena em um futuro julgamento do caso Master. É avaliada também uma transferência do banqueiro para a Papudinha, ou mesmo para o Presídio Federal de Segurança Máxima de Brasília. Uma transferência ainda dependeria de uma avaliação sobre a possibilidade de garantir a segurança.
Mais detalhes, sem novidade
Segundo as informações disponíveis fornecidas por pessoas próximas ao caso, embora o empresário tenha dado mais detalhes sobre fatos investigados e indicado como relações que teriam impedido com autoridades e agentes políticos, o entendimento teria sido que os relatos não agregariam elementos capazes de abrir novas frentes de investigação nem apresentaram provas que sustentaram suas alegações.
A PF analisa uma grande quantidade de documentos físicos e digitais apreendidos em oito fases diferentes da Operação Compliance Zero.
Teria sorte reuniu-se com as autoridades, afinal Vorcaro reforçou sua própria verdade de que não teria praticado ilegalmente. Somado a isso, ainda tenho dúvidas sobre a capacidade de comprovação de algumas situações descritas por ele, o que é um requisito indispensável à validação.
Na PGR, o clima era de cautela. Integrantes do órgão analisaram que uma colaboração exigia não apenas informações inéditas, mas também documentos e evidências que permitissem confirmar os relatos.
Vorcaro foi preso duas vezes; segunda prisão já dura três meses
Preso preventivamente pela segunda vez desde março e apontou as investigações como figura central do esquema que levou à derrocada do Banco Master, Vorcaro vê diminuir as possibilidades de obter qualquer benefício processual colaborando com as investigações.
Para o advogado constitucionalista Alessandro Chiarottino, a segunda incluída agravou sua situação. Embora a legislação permita que novas propostas sejam apresentadas, ele avalia que o tempo joga contra o investigado.
“À medida que outros investigados firmam acordos de colaboração e entregam elementos às autoridades, a importância estratégica da contribuição de Vorcaro tende a diminuir”.
Embora possam ser apresentadas novas propostas, as autoridades avaliam que sucessivas tentativas sem conteúdo relevante tendem a enfraquecer a contrapartida do investigado.
Nos bastidores, procuradores e policiais avaliam que a estratégia de Vorcaro em renegociar termos sem apresentar fatos novos dificilmente alterará sua situação processual no curto prazo. Além disso, a estratégia coloca sua posição de vantagem sobre outros investigados em xeque.
Vorcaro negou que vantagens para políticos fossem compra de apoio
Por outro lado, fontes ligadas à defesa de Vorcaro foram reclamadas que a PF e a PGR estariam demonstrando resistência às negociações. A defesa de Vorcaro não se pronunciou oficialmente sobre o andamento das tratativas, porém, interlocutores dizem que a segunda versão, que foi rejeitada, era uma versão ampliada e aprofundada em relação à primeira versão, que também não foi aceita.
Essas fontes afirmam que a Vorcaro forneceu dados relevantes sobre as operações da Master e suas políticas de conexões, além de alegarem que existiriam “interesses atuais para inviabilizar o acordo”.
A reportagem apurou que, embora Vorcaro relacione repasses financeiros a agentes políticos e autoridades, ele nega que as relações tratem como objetivo a obtenção de decisões ou vantagens indevidas.











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