
O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Paulo Rodrigues classificou o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como o “pior desempenho” em relação à reforma agrária entre todas as passagens do petista pelo Palácio do Planalto.
De acordo com o líder do MST, a vontade política de Lula para realizar a reforma agrária derrotou barreiras internas, especialmente com a política fiscal do Ministério da Fazenda.
“O Lula tem vontade de fazer uma reforma agrária, mas a sua política econômica, adotada pelo Ministério da Fazenda, combinada com uma agenda de ajuste fiscal, fez com que a reforma agrária ficasse completamente na periferia dos programas do governo”, disse Rodrigues, em entrevista ao programa Frente a Frentefazer Canal UOL.
VEJA TAMBÉM:
- Lula ironiza Milei após críticas: “Quem é esse cara?”
“Corro o risco de dizer que foi o pior desempenho dos três mandatos do presidente Lula, e foi muito aquém da expectativa da esquerda do PT e do MST”, acrescentou. Ele disse que cerca de 10 mil famílias deveriam ser assentadas até o final do ano, mas 150 mil ainda vivem em acampamentos.
No ritmo atual, o coordenador apontou que seria necessário “pelo menos 15 anos do governo Lula” para atender a todos os acampados, o que ele considerava “inaceitável”. Ao longo do Lula 3, o movimento reclamou diversas vezes sobre a demora do governo para viabilizar assentamentos.
“Reforma agrária no canetaço”
Apesar das críticas, o MST já confirmou apoio à reeleição de Lula em 2026, justificando que a escolha se baseia na defesa da democracia e da soberania nacional, e não em uma “moeda de troca”. O próprio Rodrigues disse que atuará como um dos coordenadores da campanha.
“O MST não está em dúvida se apoia [Lula] ou não. Isso está decidido. Vamos apoiar porque ele tem um compromisso com a democracia. Queremos um quarto mandato em que Lula se comprometa, usando um termo que ele usou nos anos 2000: ‘Vou fazer a reforma agrária no canetaço’”, disse.
“O governo não precisa de decisão do Congresso Nacional, nem do Judiciário. Fazer reforma agrária no Brasil é orçamento e o Incra. Por isso, nós estamos muito reforçados que, no quarto mandato do presidente Lula, não tem desculpa para ele não assentar todas as famílias acampadas”, ressaltou Rodrigues.
A expectativa do movimento é que, em um eventual quarto mandato, Lula tenha “mais coragem” para enfrentar as restrições fiscais. Ele obteve avanços da atual gestão petista para o campo, destacando o aumento do volume de crédito e a renegociação de dívidas de pequenos e médios agricultores.
Rodrigues diz que alguns candidatos querem a “morte do MST”
Durante uma entrevista ao Canal UOLRodrigues afirmou que existem candidatos que desejam a “morte do MST” e, por essa razão, o movimento não faz sentido em tentar estabelecer um diálogo ou entregar suas propostas a esses nomes.
Ele citou como exemplo o ex-governador de Goiás e candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, descrevendo-o como parte de uma geração de parlamentares que sempre defendeu o “fuzilamento do MST”.
Em 2023, Caiado defendia suportar as punições para invasões do MST. Durante uma audiência da CPI do MST, o então governador sugeriu que quem acampasse às margens de estradas e rodovias deveria perder o direito de participar de programas de reforma agrária e de receber benefícios do governo.
Além de Caiado, Rodrigues criticou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por “desconsiderar” o movimento durante seus quatro anos de gestão.
“Então, para nós, não tem sentido querer convencer esses indivíduos de que temos uma boa pauta. Seria lindo se por parte deles tivesse a humildade de consideração que o MST representa a maior fatia da agricultura familiar que existe no Brasil”, afirmou.
“Agora, por parte deles não tem nenhum interesse. Então, com quem quer o fuzilamento de militantes do MST, a prisão de militante do MST, nós queremos distância, não queremos estar perto deles”, enfatizou Rodrigues.
Futuro “pós-Lula”
Sobre o futuro “pós-Lula” em 2030, Rodrigues evitou apontar um sucessor natural, afirmando que o debate está aberto. Ele apresentou nomes como o do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad e do atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e outros políticos como figuras credenciadas, mas ressaltou que não há um substituto definido.
“Não há substituto do Lula, não tem, 2030 está em aberto… O próximo período vai depender de como sairemos dessa eleição [2026]. Podemos sair fortalecidos, como podemos sair ganhando eleitoralmente, mas não tendo uma vitória política, porque depende do Senado, dos governadores e assim por diante”, ponderou.











Deixe o Seu Comentário