Senadora eleita Marília Campos fala sobre prioridades e desafios de Minas
Marília Campos (PT) teve quase quatro milhões de votos, 19,44% dos eleitores. Natural de Ouro Branco, iniciou a militância no Triângulo Mineiro, onde ingressou no movimento estudantil e deu os primeiros passos na vida pública. Fez carreira política em Contagem, onde foi vereadora e eleita quatro vezes como prefeita, também atuou como deputada estadual.
Em entrevista à TV Integração, Marília Campos falou sobre dívida do estado, rodovias, endividamento, diálogo entre setores econômicos e desenvolvimento regional, e opinou sobre os principais temas em discussão no Congresso Nacional.
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Impactos da dívida estadual
Ao falar sobre a prioridade para os primeiros 100 dias de mandato, Marília destacou a retomada do protagonismo do estado, sobretudo diante da dívida de Minas Gerais com a União, que ultrapassa os 187 bilhões de reais. No fim do ano de 2025, o estado aderiu ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), da União, que oferece renegociação de débitos com o governo brasileiro.
“É muito importante a gente recuperar o protagonismo do Estado de Minas Gerais para que a gente possa fazer isso nós precisamos pautar a questão da dívida com a União. Defendo que a gente tem que ter medidas adicionais ao Propag para que a gente possa discutir com o futuro presidente da República a redução do valor principal da dívida”.
Questionada sobre os caminhos para essa renegociação, Marília destacou o potencial do estado: “Minas não precisa de um perdão de dívida, precisa reivindicar compensação, o estado é responsável por 40% do superávit comercial, é exportador de grãos, de minério e, por isso, dá uma grande contribuição para o superávit da balança comercial”, completou.
Segurança pública
A senadora eleita afirmou que um dos principais problemas para o combate ao crime organizado e que precisam de solução no Congresso é a “desarticulação das políticas de segurança pública”.
Atualmente, o Congresso Nacional discute a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que prevê um Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) com integração entre União, estados e municípios, além de um reforço no combate às facções e milícias, com regime penal mais rigoroso para integrantes de facções, além da criação de uma polícia municipal.
“Somente assim nós vamos garantir mais segurança pública nas nossas cidades, seja para garantir qualidade de vida, seja para garantir, por exemplo, tranquilidade para a nossa atividade econômica. Então, eu diria que essa PEC é fundamental”, afirmou.
Bets e endividamento
A proibição das bets no Congresso Nacional está em tramitação por meio da Medida Provisória nº 1.394/2026, editada pelo Governo Federal em 25 de setembro de 2026, e de um projeto de lei complementar enviado em conjunto.
A senadora eleita acredita que o assunto voltará a ser debatido pelo Congresso e defendeu manter a extinção dos jogos de apostas: “já houve um esforço para tentar regulamentar, não conseguiram, o presidente propôs a extinção dos jogos e acho que esse debate deve voltar para que a gente devolva a tranquilidade para nossas famílias do país”, afirmou.
Marília Campos também respondeu, em entrevista, sobre o endividamento dos brasileiros e disser ser a favor da continuidade do programa Desenrola, criado pelo Governo Federal para renegociação de dívidas em atraso com descontos e juros mais baixos.
Reforma do Judiciário
Marília Campos defendeu não só uma reforma no judiciário, mas também um código ética para o Supremo Tribunal Federal: “ele precisa se vincular a órgãos que garantam transparência na prestação de contas e precisamos debater isso, sem perder de vista a credibilidade comprometida também do Senado e da Câmara dos Deputados, em função de escândalos, como o das emendas parlamentares”, afirmou.
Desenvolvimento regional
A senadora eleita destacou que, como a reforma tributária não permitirá incentivos fiscais para a atração de empresas, a infraestrutura do estado será fundamental no desenvolvimento regional: “quando a gente pensa em infraestrutura, a gente pensa em estradas, em rodovias, e em muitos lugares que visitei, os empresários me falaram sobre a dificuldade de se chegar e de escoar a produção”, explicou.
Marília também destacou reclamações que recebeu sobre as condições da rodovia BR-262 que conecta o Triângulo Mineiro à capital do estado: “empresários me falaram que é mais fácil ir para São Paulo do que ir para a capital, seja pela situação das vias, seja pelo sistema aéreo, é mais fácil e mais barato, então precisamos melhorar a mobilidade, aérea, rodoviária e nas estradas rurais”, completou.
Diálogo
Marília Campos (PT) afirmou que pretende dialogar, mesmo em um cenário polarizado.
“Eu não acho que a gente tem que transformar o Senado ou a Câmara dos Deputados num clima de guerra, num campo de batalha. Se a gente faz fizer isso, a gente não resolve problemas do nosso povo, não resolve o problema dos segmentos produtivos. Então a gente tem que pacificar o país”, afirmou.
A senadora também destacou que vai priorizar o diálogo entre os setores produtivos.
“O que eu sinto é que falta uma aproximação, um diálogo com todos os segmentos produtivos, com a indústria, com o agronegócio, com a mineração, para que essas atividades econômicas continuem sendo fortalecidas dentro de um clima de diálogo, onde o Brasil ganhe e os setores responsáveis pela produção continuem ganhando também”, completou.
Histórico de Marília Campos
Marília Aparecida Campos é mineira de Ouro Branco e psicóloga formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Iniciou a trajetória na vida pública como militante do PT e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) na década de 1980 no Triângulo Mineiro e foi presidente do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte entre 1990 e 1995.
Marília Campos fez carreira política em Contagem, onde foi vereadora entre 2001 e 2003. Foi deputada estadual por três mandatos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), eleita em 2002, 2014 e 2018, e prefeita de Contagem por quatro mandatos, os dois primeiros entre 2005 e 2013 e os outros dois entre 2021 e 2026, quando renunciou ao cargo para disputar o Senado Federal. Tornou-se a segunda mulher eleita senadora na história de Minas Gerais.
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Fonte: G1

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