Cães dos bombeiros do AC têm rotina de exercícios para atuar em buscas
🚨🚒🐶 O cachorro é conhecido como o melhor amigo do ser humano, mas, para alguns deles, essa parceria também pode ajudar a salvar vidas. No Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC), cinco cães passam por treinamentos de segunda a sexta-feira para atuar em operações de busca e salvamento, como a localização de pessoas desaparecidas ou de vítimas em estruturas que desabaram.
Um dos destaques do pelotão é Zoe, uma cadela da raça pastor-belga-malinois, de seis anos, que trabalha ao lado do 2º sargento Juliano Elias Pereira, responsável por treiná-la desde os três meses de idade. A dupla já ajudou a encontrar pessoas desaparecidas, inclusive vítimas localizadas com vida.
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O trabalho exige preparo físico, exercícios frequentes e uma relação de confiança construída ao longo dos anos. A parceria é tão próxima que, quando Juliano sai de férias, Zoe também descansa.
A rotina dos cães não se resume aos exercícios feitos durante as operações. O treinamento ocorre de segunda a sexta-feira, enquanto o preparo físico é mantido com atividades como corrida, esteira e natação.
Manter os animais condicionados é importante para que eles consigam trabalhar em ambientes que exigem esforço físico, como áreas de mata fechada e locais de difícil acesso.
Zoe e o sargento Juliano trabalham juntos há seis anos. O bombeiro acompanha o treinamento da cadela desde que ela tinha três meses de idade
Corpo de Bombeiros
Segundo Juliano, além dos exercícios, o trabalho exige que o condutor conheça o comportamento do animal. É essa convivência que permite identificar quando o cão está seguindo uma pista, quando se afasta do caminho e quando precisa fazer uma pausa.
”Como eu treino a Zoe desde os três meses de idade, a gente já aprendeu a reconhecer os sinais um do outro ao longo dos anos. Então eu conheço todos os trejeitos da Zoe e ela os meus. Eu sei o momento exato de dar uma pausa, eu sei quando voltar, porque eu conheço o meu cachorro”, destacou
🔎 Essa parceria é chamada de binômio, termo usado para definir a relação entre o cão e o profissional que trabalha com ele. Na prática, outro bombeiro até pode conduzir o animal em uma ocorrência, mas a ausência do parceiro habitual pode interferir na segurança e no desempenho durante a busca.
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Como os cães ajudam nas buscas?
O trabalho do pelotão é dividido em diferentes especialidades, conforme o tipo de ocorrência e o que as equipes precisam localizar. Uma delas é a busca por odor específico, modalidade em que o cão recebe um objeto que pertence à pessoa desaparecida e utiliza o cheiro para procurá-la.
👉 Segundo o Corpo de Bombeiros, esse tipo de trabalho é especialmente importante no Acre, onde há registros de pessoas que se perdem na mata durante atividades como caça e coleta de castanha.
Zoe, cadela da raça pastor-belga-malinois, tem seis anos e atua em operações de busca e salvamento do Corpo de Bombeiros Militar do Acre
Corpo de Bombeiros
O sargento também citou situações envolvendo idosos e pessoas com transtornos mentais que saem de casa e acabam desaparecendo em áreas de floresta.
Outra especialidade é a busca por restos mortais. Nesse caso, os animais são treinados para localizar cadáveres em diferentes circunstâncias.
”Além dessas especialidades, também temos cães preparados para encontrar pessoas vivas sem depender de um objeto com o cheiro de alguém específico. Esse recurso pode ser utilizado em buscas em áreas de mata quando não há vestígios da pessoa desaparecida ou em desabamentos, quando as equipes precisam localizar possíveis sobreviventes sob os escombros”, ressaltou Juliano.
Ainda de acordo com Juliano, o faro dos animais ajuda a direcionar o trabalho dos bombeiros e a reduzir o tempo necessário para percorrer grandes áreas.
“Então, a gente vai eliminando áreas. O cão ajuda porque ele antecipa o processo e a gente chega no resultado mais rápido”, pontuou.
Ocorrências marcantes
Uma das primeiras ocorrências de Zoe foi em Manoel Urbano, no interior do Acre. Na ocasião, um jovem estava desaparecido havia alguns dias, e a equipe de bombeiros já fazia buscas quando a dupla chegou para ajudar.
Segundo o sargento, o trabalho de Zoe e de outro cão chamado Hunter contribuiu para que o jovem fosse encontrado em um igarapé, no dia seguinte à chegada dos animais.
”Essa ocorrência ficou marcada por ter sido uma das primeiras experiências da Zoe em uma operação real. Que terminou com êxito e com a localização do jovem que estava desaparecido. Foi gratificante”, relembrou.
Zoe, cadela da raça pastor-belga-malinois, tem seis anos e atua em operações de busca e salvamento do Corpo de Bombeiros Militar do Acre
Corpo de Bombeiros do Acre
Outra situação lembrada pelo militar aconteceu próximo ao Natal, quando um homem que havia entrado em uma área de mata foi encontrado pela equipe.
De acordo com o relato, o homem estava desorientado e acreditava que alguém o perseguia. Depois de localizá-lo, os bombeiros conseguiram retirá-lo da mata e levá-lo ao hospital para receber os primeiros cuidados.
“Quando a família viu ele, quando a gente saiu de dentro da área de mata, foi uma emoção muito grande. A filha, chorando, e a gente também se emociona porque estava trazendo uma pessoa querida de volta com vida”, contou.
🐾 Encontrar alguém é uma ‘brincadeira’
Apesar da importância das operações, o treinamento é pensado para que os cães associem a busca a uma atividade positiva.
Juliano explicou que, durante os exercícios, quando o animal encontra a pessoa que está sendo procurada, ela brinca com ele, oferece petiscos e demonstra entusiasmo. Dessa forma, a localização do alvo funciona como uma recompensa.
“Para o cachorro, tudo é uma brincadeira. Para ele, não é um trabalho sério. Então mesmo que o animal esteja em uma ocorrência real, ele não entende. Quando estão perto de encontrar alguém a gente também sabe, por causa dos sinais como movimento do rabo e a maneira como o animal se aproxima”, explicou.
Mas se engana quem pensa que o vínculo dos militares com os animais fica restrito somente ao trabalho. Os cães vivem com seus condutores, que acompanham a rotina, os cuidados e o desenvolvimento dos animais.
Cuidados e aposentadoria
O trabalho com os cães depende de uma estrutura que inclui alimentação, cuidados veterinários e treinamento contínuo. Além disso, o apoio da corporação é fundamental para manter os animais preparados para as ocorrências.
Zoe está há seis anos com Juliano e, segundo o militar, os cães do pelotão costumam trabalhar até os oito anos de idade.
Zoe e o sargento Juliano trabalham juntos há seis anos. O bombeiro acompanha o treinamento da cadela desde que ela tinha três meses de idade
Corpo de Bombeiros
Para que as buscas não sejam interrompidas quando um animal se aposenta, o treinamento de novos cães começa antes desse momento. O Corpo de Bombeiros já iniciou a preparação de outro animal para atuar na modalidade de odor específico.
”Mesmo com a aposentadoria, a Zoe não vai ficar separada de mim. Vou manter ela na minha casa quando ela deixar de atuar nas operações, ela vai ficar comigo”, completou.
VÍDEOS: g1
Fonte: G1

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