Céline Dion revela diagnóstico de doença neurológica rara A cantora canadense Céline Dion anunciou que pretende retomar gradualmente sua agenda de shows após um período afastado dos palcos por causa de uma doença rara: a síndrome da pessoa escapular, um distúrbio neurológico que pode provocar desconforto muscular progressivo e espasmos dolorosos. Diagnosticada em 2022, uma condição impactou diretamente a capacidade do artista de se apresentar —já que afeta justamente músculos essenciais para postura, movimento e controle corporal. A seguir, entenda o que é uma doença, por que ela pode ser incapacitante e como é feito o tratamento. Céline Dion em julho de 2024 Evan Agostini/Invision/AP O que é a síndrome da pessoagueira A síndrome da pessoagueira (SPR) é uma doença rara do sistema nervoso, considerada autoimune —ou seja, ocorre quando o próprio sistema de defesa do organismo passa a atacar estruturas do corpo. Segundo o neurologista Alex Baeta, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, o quadro é caracterizado principalmente por: lesões musculares espasmos persistentes involuntários dificuldade de locomoção Esses sintomas costumam começar no tronco e podem se estender para braços e pernas. Em casos mais avançados, a tensão pode comprometer atividades simples do dia a dia — e até impedir uma pessoa de andar. Por que a doença acontece As causas ainda não são totalmente descobertas, mas evidências indicam que a síndrome está ligada a uma resposta autoimune contida no cérebro e na medula espinhal. De acordo com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH), muitos pacientes apresentam níveis elevados de um anticorpo chamado anti-GAD, que interfere na produção de um neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos. Esse desbalanço pode deixar os músculos em estado de contração constante. A síndrome também costuma estar associada a outras doenças autoimunes, como: diabetes tipo 1, vitiligo, doenças da tireoide, anemia perniciosa. Além disso, é mais comum em mulheres do que em homens. Os sintomas podem ser confundidos com outras doenças Um dos principais desafios da síndrome da pessoa específica é o diagnóstico. Os sintomas são confundidos com condições mais comuns, como doença de Parkinson, esclerose múltipla, fibromialgia e até transtornos de ansiedade, o que pode atrasar a identificação correta do problema. Em geral, o diagnóstico envolve avaliação clínica detalhada e exames laboratoriais, incluindo testes para detecção de anticorpos associados à doença. Tratamento controla sintomas, mas não cura Não há cura para a síndrome da pessoa humana, mas existem tratamentos que ajudam a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Entre as abordagens mais usadas estão: relaxantes musculares, como diazepam e baclofeno; imunoglobulina intravenosa (IgIV); corticóides; imunoterapia, como o uso de anticorpos monoclonais (ex: rituximabe); plasmaférese (filtragem do sangue para remover anticorpos). O tratamento é individualizado e depende da gravidade do quadro. Por que a doença levou Céline Dion dos palcos No caso de Céline Dion, a doença afetou diretamente sua capacidade de se apresentar. Os espasmos musculares e os comprometimentos podem comprometer os movimentos finos e o controle corporal —fundamentais para cantar, sustentar notas e se movimentar no palco. Em relatos públicos, a cantora já afirmou que os sintomas impactaram inclusive sua voz e sua resistência física. A retomada anunciada agora tende a ser gradual e depende da resposta ao tratamento.

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