
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, de centro-direita, acusou nesta quarta-feira (3) grupos ligados ao narcotráfico de financiar parte dos protestos que estão bloqueando estradas e impedindo o abastecimento de La Paz. A acusação foi feita durante a posse do novo ministro da Defesa da Bolívia, Ernesto Justiniano.
Paz afirmou que a Bolívia enfrenta agora “uma batalha de todas as batalhas” contra grupos que tentam impedir a “recuperação da institucionalidade no país”. O presidente disse que as autoridades identificaram recursos financeiros provenientes de regiões produtoras de coca usadas para financiar os protestos contra sua gestão. Segundo Paz, os protestos em curso vão além de reivindicações sociais e envolvem interesses privados ao crime organizado.
“Não é de estranhar que, a partir das regiões de produção de narcóticos, tenham sido identificados indivíduos que possuem recursos econômicos que, em alguns casos, foram usados para mobilizações alimentares e ações contra nossa democracia, nossa Constituição e o bem-estar dos bolivianos”, afirmou Paz.
Paz, no entanto, buscou separar os setores que fazem pedidos legítimos de grupos que, segundo ele, atuam para desestabilizar o sistema democrático.
Os protestos na Bolívia são impulsionados por setores sindicais, organizações camponesas e grupos próximos ao ex-presidente socialista Evo Morales. Os bloqueios já provocaram problemas no transporte, dificuldades para hospitais e desabastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos em cidades como La Paz e El Alto.
Durante o discurso, Paz acusou apoiadores de Morales de promover discursos de confronto. O presidente afirmou ainda que seu governo detectou uma campanha de desinformação nas redes sociais, com conteúdos sendo produzidos dentro e fora da Bolívia.
“Esta é uma guerra, esta é uma invasão contra a Bolívia. Bloqueamos várias páginas que geram mentiras a partir do território nacional, mas também existe um ataque massivo a partir do exterior”, disse o presidente.
Paz afirmou que a Bolívia precisa derrotar neste momento a pobreza, a corrupção, o narcotráfico e os setores que, segundo ele, querem “destruir a pátria”. “Temos que vencer esta batalha. Não para derrotar outros bolivianos, mas para vencer a pobreza, a corrupção, o narcotráfico e todos aqueles que querem destruir a pátria. Seremos os vencedores”, declarou.












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