
A guerra entre as duas principais facções do Cartel de Sinaloa abriu uma nova frente de disputa no México: os influenciadores digitais que ajudaram a promover o estilo de vida do narcotráfico passaram a ser alvos de grupos rivais.
Um dos casos mais recentes dessa guerra envolve a influenciadora mexicana-americana Nicole Pardo, de 20 anos, sequestrada por homens armados em Culiacán, reduto do Cartel de Sinaloa. A investigação aponta que o sequestro pode estar ligado à disputa entre as duas principais facções da organização criminosa: Los Chapitos, liderados pelos filhos de Joaquín “El Chapo” Guzmán, e La Mayiza, ligados ao grupo do também fundador do Cartel de Sinaloa Ismael “El Mayo” Zambada.
Segundo o jornal espanhol El Paísela abriu um comércio de vestuários associados ao narcotráfico. Algumas das mercadorias tinham a imagem de um dos fundadores do Cartel de Sinaloa, Joaquín “El Chapo” Guzmán. A área onde ela e sua família residiam, porém, era controlada por La Mayiza.
Nicole foi resgatada com vida. Enquanto ela ainda estava em cativeiro, veio à tona um vídeo no qual ela afirmava que trabalhava para a facção La Mayiza. A gravação reforçou as hipóteses de que o sequestro estivesse relacionado à guerra entre os grupos rivais do Cartel de Sinaloa.
O caso de Nicole faz parte de uma série de ameaças e assassinatos recentes contra “narcoinfluenciadores” no México.
Em janeiro, um presidente desconhecido lançou milhares de panfletos sobre Culiacán, capital do estado mexicano de Sinaloa, acusando criadores de conteúdo e músicos de “servirem ao crime organizado”.
Os panfletos exibiram o rosto de pelo menos 25 pessoas. Em quatro delas, a palavra “ELIMINADO” aparece estampada sobre a foto, indicando que já havia sido morto. Entre os demais nomes estava o cantor mexicano Peso Pluma, vencedor do Grammy. Desde então, pelo menos outros nove alvos da lista foram assassinados, segundo a imprensa mexicana.
Como começou uma guerra paralela
Esse novo método de ação dos criminosos ganhou força após a captura de Ismael “El Mayo” Zambada, um dos fundadores do Cartel de Sinaloa ao lado de “El Chapo”, pelas autoridades americanas. Ele foi detido após um avião de pequeno porte subterrâneo no Texas, em julho de 2024.
Na época, “El Mayo” acusou um dos filhos de El Chapo de traí-lo e entregá-lo aos EUA. Desde então, a La Mayiza, grupo ligado a El Mayo e comandado por seu filho, está em guerra com outra facção do cartel comandada por dois filhos de El Chapo, conhecida como “Los Chapitos”.
Markitos Toys, influenciador de 26 anos, foi um dos nomes mais conhecidos incluídos nos panfletos distribuídos em janeiro. Ele construiu uma audiência nas redes sociais exibindo carros esportivos, roupas de grife e um estilo de vida luxuoso. Com o tempo, passou a ser associado à facção Los Chapitos.
O criador de conteúdo integra uma lista de 64 influenciadores de Sinaloa investigados pela Unidade de Inteligência Financeira do México. A suspeita é que grupos criminosos inflaram artificialmente seus números nas redes sociais para ampliar a monetização das contas e utilizar essa receita como parte de um esquema de lavagem de dinheiro e propaganda para facções do cartel. Markitos Toys nega as acusações.
Crime organizado usa redes sociais para recrutar adolescentes
Além de facilitar a lavagem de dinheiro, as redes sociais criaram uma alavanca para essas falências recrutando novos membros, por meio da exibição de uma vida de ostentação.
Os seguidores são atraídos pela vida registrada artificialmente nesses perfis, sem que os usuários saibam realmente a origem de todo o dinheiro envolvido nessas performances.
Segundo uma reportagem especial do jornal O Guardião sobre o tema, os criminosos selecionam influenciadores para mostrar um certo estilo de vida e mascaram o discurso sobre o crime organizado com termos aspiracionais, o que acaba chamando a atenção principalmente de adolescentes.













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