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TSE adia decisão sobre pesquisa que ligou Flávio a Vorcaro

Por Redação
9 de junho de 2026
Em Notícias
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TSE adia decisão sobre pesquisa que ligou Flávio a Vorcaro
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com



O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiou, na noite desta terça-feira (9), o referendo liminar do presidente da Corte, Nunes Marques, que suspendeu uma pesquisa do Instituto AtlasIntel (BR-06939/2026) pelo associado do pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O julgamento foi interrompido por um pedido de vista (mais tempo para análise) da ministra Estela Aranha. Nunes Marques defendeu a manutenção de seu liminar, destacando que algumas questões poderiam “prejudicar a espontaneidade” da resposta.

Ele disse que convidará os institutos de pesquisas para debater os critérios utilizados nos levantamentos, pois o que for decidido neste caso servirá de precedente para casos futuros.

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Apesar de não adiantar o voto, o ministro Dias Toffoli afirmou que as pesquisas deveriam ser “completamente liberadas” e, caberia ao eleitor, avaliar os dados.

“O que nós vamos decidir nesse caso, é o futuro. Pesquisa pode tudo ou não pode nada. Ou pode [fazer] perguntas objetivas e claras, sem indução? Qual seria seria o limite do que é indução e do que não?”, enfatizou Toffoli.

“Nem tendencioso”, acrescentou o ministro André Mendonça. “O decidirmos aqui vai valer para Chico e para Francisco”, afirmou Toffoli. Para Mendonça, os institutos de pesquisa devem ser “agentes de cooperação da imparcialidade e da lisura do processo eleitoral”.

Nunes Marques autorizações de sustentação orais

No início da sessão, o presidente do TSE autorizou sustentações orais das defesas das partes por cinco minutos cada. A liberação das defesas durante referendos de liminares foi aprovada pelo plenário por unanimidade.

A advogada Maria Claudia Bucchianeri, que representa o PL, destacou que “pesquisas confiáveis” são de interesse da sociedade. Ela afirmou que o instituto não anexou a integridade do áudio ou a agravação do conteúdo apresentado aos entrevistados. Para a defensora, o pedido do PL, na verdade, “não tem lado”.

O advogado da AtlasIntel, Gualter Rafael Maciel Bezerra, destacou a “excelência” e “metodologia inovadora” da metodologia de pesquisas eleitorais on-line.

“A representação não aponta uma violação objetiva à lei eleitoral. O que se tem é uma discordância da metodologia com relação a um fato público e notório”, disse Bezerra.

O argumentou que, no início do ano, a AtlasIntel também fez perguntas sobre a percepção dos entrevistados em relação à participação de Lula no carnaval.

Pedido do PL

A AtlasIntel apresentou aos entrevistados o áudio atribuído ao senador, divulgado pelo site O Intercept Brasilno qual ele cobra Vorcaro sobre o financiamento prometido ao filme “Dark Horse”.

O Diretório Nacional do PL afirmou que o instituto teria manipulado a opinião dos entrevistados para melhorar a imagem de Flávio. Segundo o partido, a pesquisa utilizou “estímulos narrativos” negativos antes das perguntas sobre intenção de voto.

O PL mencionou ainda que as perguntas iam associar-se diretamente ao enviado às investigações envolvidas no Banco Master, utilizando termos como “esquema de fraudes financeiras” e “escândalo”.

Ao analisar o pedido, o ministro destacou que as pesquisas eleitorais são instrumentos “poderosos” que podem influenciar a legitimidade do pleito e a “paridade de armas” entre os candidatos.

Ele exige que a sequência de perguntas pareça extrapolar a neutralidade estatística para introduzir estímulos que podem “contaminar” as respostas subsequentes. Na liminar, o relator proibiu a empresa de promover e manter a pesquisa em canais oficiais.

Defesa da AtlasIntel

Em sua defesa ao longo do processo, a AtlasIntel argumentou que o questionário respeitava sua autonomia metodológica e que os quesitos visavam apenas aferir a percepção do eleitor sobre fatos públicos amplamente divulgados pela imprensa.

A empresa sustentou ainda que o uso de componentes audiovisuais ocorria apenas após a colheita da intenção de voto, o que impedia a indução dos resultados principais.

Em nota divulgada após liminar, a AtlasIntel defendeu uma pesquisa e disse que “a situação será devidamente esclarecida a partir da análise técnica dos fatos e da metodologia empregada e confiamos no colegiado do TSE para afirmar a robustez técnica e a legalidade do estudo”.

Pesquisa AtlasIntel

Após as perguntas sobre os interesses de voto para presidente, a AtlasIntel questionou os entrevistados se tinham certeza sobre o áudio, se ouviram a gravação e suas percepções sobre o episódio. O tema é tratado nas perguntas 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18 e 19.

Depois disso, o levantamento questionou os participantes sobre os maiores problemas do Brasil, decisões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), avaliação de políticas, temas sociais, entre outros. O áudio é apresentado para avaliação dos entrevistados como o último item do questionário (item 48).

A AtlasIntel reuniu 5.032 pessoas por meio de formulário eletrônico entre os dias 13 e 18 de maio de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BR-06939/2026.

O que diz o áudio atribuído a Flávio

Ó Interceptar teve acesso a mensagens de Vorcaro com diversos interlocutores que abrangem um período de dezembro de 2024 a novembro de 2025. Diversos celulares do banqueiro são analisados ​​pela Polícia Federal. O site ressaltou que as informações contidas nos diálogos foram cruzadas com dados públicos e sigilosos.

No dia 8 de setembro de 2025, Flávio teria dito em um áudio que, apesar de saber que Vorcaro estava “passando por um momento difícil” em razão dessa “confusão toda”, necessariamente cobre-lo sobre o financiamento prometido para o filme sobre Bolsonaro.

Cinco dias antes, o Banco Central havia rejeitado a compra do Banco Master pelo BRB. Na mensagem, o senador relatou que tinha “muita conta para pagar”. Veja abaixo a íntegra do áudio atribuído ao presidente do PL:

Bom, aqui a gente tá passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né?

E apesar de você ter dado liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas, enfim, não é porque tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela para trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o contrário efeito do que a gente sonhou pro filme, né?

Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, no num Cyrus [Nowrasteh]os caras, pô, renomadíssimos lá no no cinema americano mundial, pô, ia ser muito ruim, né? Todo efeito positivo que a gente tem certeza de que vai vir com esse filme pode ter um efeito menos elevado. Aí, cara, tá?

Então, se você puder dar um toque, uma posição aí, Daniel, porque a gente precisa saber o que faz, cara, da vida, porque um tem muita, já tem muita conta para pagar esse mês e o mês seguinte também. E agora que é a reta final, que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo, cara, perde contrato, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo. Podemos dar um toque aí, irmão? Desculpa o áudio longo aí, tá? Uma abração. Fica com Deus, cara.”

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Tags: A interceptaçãoadiaBanco MestreDaniel VorcarodecisãoeleiçõesEleições 2026Flávioflavio bolsonaroLigouPartido Liberal (PL)pesquisapesquisasPesquisas EleitoraissobreTSEVorcaro
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