Donald Trump e Vladimir Putin.
Kevin Lamarque/Reuters
O presidente Donald Trump suspendeu importantes sanções e tarifas dos Estados Unidos relacionadas à Rússia poucos dias antes de entrarem em vigor, conforme previsto em uma lei que ele sancionou no mês passado. Entre as medidas estavam tarifas sobre produtos russos e punições para países que comprassem petróleo e gás da Rússia.
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Em uma ordem executiva divulgada pela Casa Branca nesta sexta-feira (16), Trump afirmou que a suspensão atende aos interesses nacionais dos Estados Unidos.
A lei tem como objetivo aumentar a pressão sobre a Rússia pela invasão da Ucrânia, iniciada em 2022. Trump, no entanto, tem se aproximado de Moscou ao mesmo tempo em que critica publicamente o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, chegando a sugerir que Kiev precisa de um novo líder.
A poucas semanas das eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos, nas quais os republicanos de Trump tentam manter sua estreita maioria nas duas casas do Congresso, as novas medidas poderiam elevar ainda mais os preços do petróleo, segundo analistas. Os americanos já enfrentam custos maiores, atribuídos em grande parte à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
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A legislação, que teve como principal defensor no Congresso o falecido senador republicano Lindsey Graham, da Carolina do Sul, previa tarifas de até 100%, em um prazo de 30 dias, sobre todos os produtos importados pelos Estados Unidos dos cinco maiores compradores de petróleo ou gás russos.
As medidas também atingiriam qualquer país que comprasse deliberadamente petróleo ou gás da Rússia após 30 dias da entrada em vigor da lei ou que estivesse entre os cinco países que mais ajudassem Moscou a contornar as sanções.
A ordem afirma que a suspensão permanecerá em vigor até que Trump ou integrantes de alto escalão de seu governo determinem que “novas medidas são apropriadas”.
Trump sancionou a Lei Lindsey O. Graham de Sanções à Rússia e ao Irã de 2026 em meados de setembro.
“Enviei ao Congresso uma certificação de que a concessão dessa suspensão neste momento atende aos interesses nacionais dos Estados Unidos”, afirmou Trump na ordem.
Ucranianos em meio a destroços de casa atingida por bombardeio russo em Dnipro, na Ucrânia, em 15 de outubro de 2026.
REUTERS/Stringer
Países como China e Índia, que estão entre os maiores compradores de petróleo russo, manifestaram preocupação com o projeto de sanções contra a Rússia.
Pequim afirmou que “se opõe sistematicamente à aplicação extraterritorial de leis que não tenham fundamento no direito internacional”, enquanto a Índia alertou Washington de que novas tarifas poderiam afetar as relações bilaterais.
A lei permite que o presidente suspenda as sanções simplesmente informando ao Congresso que concluiu que elas não atendem ao interesse nacional.
O deputado democrata Don Beyer, da Virgínia, criticou duramente Trump pela decisão e afirmou que o presidente estava cedendo ao líder russo Vladimir Putin.
“A mais recente rendição de Trump a Putin mais uma vez trai nossos parceiros ucranianos e contraria a clara intenção do Congresso ao aprovar uma legislação destinada a punir a Rússia por sua guerra ilegal de agressão”, afirmou Beyer em comunicado.
Trump também havia sido criticado por vários senadores americanos, incluindo alguns republicanos, por causa de um recente acordo envolvendo diesel com a Rússia. Pelo acerto, Trump concordou em suspender sanções às exportações russas, enquanto a Rússia aceitou fornecer diesel ao mercado mundial na tentativa de reduzir os preços dos combustíveis. Os parlamentares que criticaram o acordo afirmaram que ele ajudaria a financiar o esforço de guerra russo.
Kirill Dmitriev, enviado de Putin para assuntos de investimentos, classificou a suspensão determinada por Trump como “um momento verdadeiramente histórico”. Em uma publicação no X, ele afirmou que a legislação poderia ter praticamente interrompido toda a cooperação econômica entre Rússia e Estados Unidos.
Fonte: G1

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