Uma investigação da Polícia Federal sobre as supostas fraudes do Banco Master descobriu que o banqueiro Daniel Vorcaro sabia das apurações contra ele e seu conglomerado financeiro pelo menos desde julho do ano passado, quatro meses antes de ser preso pela primeira vez durante uma deflagração da primeira fase da operação Compliance Zero.
De acordo com uma purificação publicada nesta quarta (11) pela Folha de S.Paulo e confirmado pela Gazeta do Povo com fontes a par da investigação, um dos aliados de Vorcaro, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, invadiu sistemas da Justiça Federal ainda em primeira instância e repassou as informações a ele. Os dados incluem impressões, fotos e documentos em PDR encontrados no aparelho celular do banqueiro descoberto durante a operação.
Há a suspeita de que os acessos clandestinos possam ter começado antes mesmo de julho, mas se intensificaram a partir do momento em que as investigações avançaram e ganharam corpo. Sicário teria ampliado as invasões utilizando senhas oficiais de membros da Procuradoria-Geral da República (PGR) e burlado sistemas de segurança.
UM Gazeta do Povo compareceu à PGR para se manifestar sobre a apuração e aguardar retorno. A defesa de Vorcaro afirmou que não comentou detalhes sobre “conteúdos que decorrem de vazamentos ilegais de material sigiloso” (veja na íntegra mais abaixo).
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Segundo a investigação, Vorcaro também teve acesso a informações sobre apurações do Banco Central relacionadas ao Banco Master, que levaram à liquidação do conglomerado no mesmo dia em que foi preso pela primeira vez. Esses registros reforçaram a tese de que havia um esquema organizado para obter material sigiloso de órgãos públicos através do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificado como uma “milícia privada” chamada de “A Turma”.
A existência dessa estrutura clandestina de monitoramento, incluindo desafetos de Vorcaro, foi um dos principais fatores que levaram Mendonça a decretar prisões preventivas na semana passada. Além do banqueiro e do Sicário, que cometeu suicídio na prisão, um policial federal aposentado também foi preso.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o vazamento de informações já está em análise pelo STF e que “qualquer manifestação sobre informações obtidas dessa forma apenas estimularia a divulgação de conteúdos cuja divulgação é, em si, objeto de apuração”.
O banqueiro foi preso pela primeira vez em novembro do ano passado no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando tentou viajar para o exterior planejado para negociar a venda de parte do Banco Master a investidores árabes. A Polícia Federal, no entanto, acredita que ele pretendia deixar o país para escapar da operação.
Mendonça criticou PGR
A decisão de Mendonça, que levou à terceira fase da operação Compliance Zero e que resultou na segunda prisão de Vorcaro, também criticou o pedido da PGR por mais prazo para analisar o caso antes de se manifestar sobre os mandados. O ministro afirmou que a urgência das medidas foi clara nos elementos apresentados pela Polícia Federal.
“Lamenta-se porque, as evidências dos ilícitos e a urgência para adoção das medidas exigidas são fartamente reveladas na representação da Polícia Federal e no curso desta decisão”, escreveu Mendonça ao solicitar a autorização das prisões e das buscas.
Ele emendou afirmando haver “risco concreto de destruição de provas, pois os investigados revelados possuem meios de acesso a documentos sensíveis e a sistemas estatais”. A investigação descobriu que o grupo de Vorcaro conseguiu acessar dados até mesmo de órgãos internacionais, como a Interpol.
As informações sobre os vazamentos também levantaram questionamentos sobre o tempo de análise do pedido de prisão feito pela Polícia Federal. Isso porque a PGR já havia sido alertada anteriormente sobre a possibilidade de invasões aos sistemas de investigação.
O que dizem os citados
Veja abaixo a nota na íntegra da defesa de Daniel Vorcaro sobre a investigação que revelou a suposta invasão de sistemas da Justiça:
A entende defesa que não cabe comentar conteúdos que decorrem de vazamentos ilegais de material sigiloso. Trata-se, inclusive, de fatos que já são objeto de investigação criminal designada pelo ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal.
Qualquer manifestação sobre informações obtidas dessa forma apenas promoveria a divulgação de conteúdos cuja divulgação é, em si, objeto de purificação

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