Depois das críticas a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que aconteceram o episódio em que o pré-candidato do campo da direita apareceu negociando pagamentos em áudios com o banqueiro Daniel Vorcaro, dois pré-candidatos do mesmo espectro político com baixo desempenho nas pesquisas de intenção de voto indicam um ensaio para unir forças. É o que mostra as últimas movimentações de Ronaldo Caiado (União-GO) e Romeu Zema (Novo-MG).
De acordo com a última pesquisa Nexus BTG, no cenário espontâneo, os nomes de Caiado e Zema somam 2% cada um. Na pesquisa estimulada, Caiado tem 5% e Zema vem com 4%. Passados mais de 10 dias do episódio que trazia em si uma promessa de crescimento das candidaturas alternativas, as intenções de voto demonstram que não houve uma mudança significativa no cenário.
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Pacto de não agressão
Os dois pré-candidatos se reuniram em uma reunião nesta terça-feira em São Paulo, de acordo com diversos veículos de imprensa, como Folha de S.Paulo, G1 e Metrópoles. A sinalização é de que uma candidatura conjunta em primeiro turno ainda seria uma possibilidade – com a definição ocorrendo somente perto do data-limite das chapas na Justiça Eleitoral, que é em agosto.
Zema recua de ataques
Cotado anteriormente até mesmo como vice na chapa do PL no início do ano, embora gostasse de brincar que seria ele, Zema, cabeça, o ex-governador de Minas viu possível no desgaste do primogênito de Bolsonaro a oportunidade de se lançar como o nome de uma direita ética e sem máculas.
Concentrado antes em polemizar com o ministro Gilmar Mendes, ele não esperou nem algumas horas para mudar o foco da mira e dizer que o áudio de Flávio era “imperdoável” e um “tapa na cara” dos cidadãos de bem.
Sua posição, vista por membros da própria legenda como uma estratégia do círculo mais próximo – e não de todo o Novo –, chegou a comprometer alianças do PL com o partido.
“A estratégia de Romeu Zema é exclusivamente dele e de sua equipe de marketing, e não do Partido Novo. Quando eu me insurgi contra as falas de Romeu Zema, foi em defesa da imagem do Partido Novo e de todos os pré-candidatos”, declarou o advogado Jeffrey Chiquini, filiado ao Novo e, ele próprio, pré-candidato a deputado.
Passadas duas semanas, nesta quarta-feira (27), Zema pareceu fazer uma tentativa de diminuir a fervura. “Acima de tudo, minha prioridade absoluta é tirar o PT do poder. Que fique claro, eu vou trabalhar até o fim do segundo turno para tirar o PT”, declarou.
Sobre uma chapa com Caiado, Zema declarou que “conversas sempre ocorriam” e que uma definição ocorreria apenas próximo ao fim do prazo. Apesar do desempenho melhorar pior na pesquisa, a expectativa de Zema seria de concorrer na cabeça de chapa, com o goiano de vice.
Caiado manteve a ponderação
Décadas mais experientes na política, Caiado não teve o mesmo vigor do ex-governador mineiro ao crítico Flávio pelo caso Cavalo Negro. O goiano restringiu o tema às suas entrevistas — deixando-o fora de suas redes sociais —, e se posicionou criticamente a Flávio sem citar seu nome.
Ele disse, por exemplo, que “político contaminado não tem estatura para sentar na cadeira da Presidência” e que “tudo que envolve Mestres e cifras milionárias precisa ser tratado com total transparência com a população”. Caiado sempre frisou, no entanto, que o adversário maior de todos é Lula.
Nesta quarta-feira, ele declarou uma aliança com Zema, admitindo a má performance nas pesquisas e elogiando o possível colega de chapa, chamando-o de “pessoa aberta”.
“Com a última pesquisa que nós conversamos, existe esse sentimento e ele é uma pessoa aberta. Então, nós estamos realmente avaliando isso”, disse Caiado em entrevista nesta quarta à rádio Nova Difusorade São Paulo.

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