As empresas estatais brasileiras acumularam déficit primário de R$ 7,4 bilhões entre janeiro e maio de 2026, segundos dados divulgados pelo Banco Central. O resultado amplia a restrição das contas das empresas públicas e já supera o rombo registrado durante todo o ano de 2025, quando o déficit foi de R$ 5,9 bilhões.
Os novos números dão sequência ao cenário observado desde o início do ano. No fim de maio, apenas os estados federais já registraram um déficit recorde de R$ 5,93 bilhões entre janeiro e abril, impulsionado principalmente pela situação financeira dos Correios. Na ocasião, o resultado já foi superior ao déficit acumulado em todo o ano de 2025 pelas empresas federais.
Em termos nominais, sem correção pela inflação, o resultado atual representa o pior desempenho para os cinco primeiros meses do ano desde o início da série histórica do Banco Central. Também equivale a mais que o dobro do déficit de R$ 3,6 bilhões registrado no mesmo período de 2025.
Embora possa ter registrado superávit de R$ 273 milhões, o resultado positivo foi insuficiente para compensar os déficits acumulados ao longo dos quatro primeiros meses do ano. Janeiro concentrou o maior rombo, com saldo negativo de R$ 4,87 bilhões.
As empresas estatais federais continuam sendo as principais responsáveis pelo resultado negativo, respondendo por R$ 5,9 bilhões do déficit acumulado até maio. Os estados estaduais registraram um déficit de R$ 1,5 bilhão, enquanto os municipais superávit de R$ 95 milhões.
O levantamento do Banco Central considera empresas estatais não financeiras, como Correios, Infraero, Serpro, Dataprev e Casa da Moeda. Ficam de fora da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e do BNDES, que possuem estrutura própria de financiamento e seguintes regras de governança exclusiva.
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Correios seguem no centro das preocupações
A piora das contas das estatísticas continua sendo influenciada principalmente pela situação dos Correios. Como mostrado a Gazeta do Povoa empresa encerrou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões, acumulando resultados sucessivos negativos e já precisou recorrer a um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União para fortalecer a caixa.
O próprio governo admite, na proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, que um estado poderá necessitar de novos transportes públicos caso a situação financeira não seja revertida.
Indicador de governo contesta
O governo federal sustenta que os números do Banco Central não refletem a situação patrimonial das empresas estatais. O Ministério da Gestão argumenta que o indicador do BC mede apenas a necessidade de financiamento das sociedades, sem considerar variáveis como patrimônio, ativos e lucro líquido.
Na semana passada, a pasta informou que os estados federais encerraram 2025 com lucro líquido de R$ 169,4 bilhões e defenderam que esse indicador representa de forma mais adequada a saúde financeira das empresas públicas.

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