Os Republicanos, partido do Centrão situado no campo conservador, propuseram cautela em relação à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a partir da divulgação de áudios entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, sem sinalizar apoio firme à presidência.
A ocorrência discreta da sigla abriu espaço para novas especulações eleitorais. O principal movimento em discussão dentro do partido é uma chance de testar o senador Cleitinho Azevedo (MG) em pesquisas nacionais para o Palácio do Planalto, mesmo ele mantendo o foco na disputa pelo governo de Minas.
Ao mesmo tempo, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, principal ativo político dos Republicanos, segue alinhado com a família Bolsonaro, mas prefere um discurso moderado diante da crise. O governador defendeu que Flávio traga mais esclarecimentos públicos sobre sua relação com Vorcaro.
Cautela do partido reflete recebimento de contaminação do braço financeiro
A prudência dos Republicanos também é influenciada por receitas ligadas ao ambiente financeiro. Segundo analistas, líderes da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), ligados à legenda, acompanham com a compreensão das dificuldades enfrentadas pelo Banco Digimais em seu processo de reestruturação.
Dirigentes do partido avaliam que ampliar a associação direta com o Caso Master poderia elevar o risco de desgaste político e financeiro para ativos estratégicos ligados ao grupo religioso e empresarial que orbita o partido. A avaliação é de que o momento político do país exige redução de exposição.
Para Adriano Siqueira, professor do Ibmec-BH, o teste do nome de Cleitinho reflete o ambiente de incerteza aberto pela crise em torno de Flávio. O movimento pode funcionar também como pressão e fortalecimento das negociações da aliança entre Republicanos e PL em Minas, que avançam.
Opção pela neutralidade no primeiro turno ganha força dentro do Centrão
Os Dirigentes dos Republicanos consideram que Cleitinho abandonou uma disputa em Minas, no qual é visto como altamente competitivo, para embarcar numa aventura presidencial. A leitura predominante é de que o movimento nacional serve para fortalecer mais a sua imagem regional. Flávio tem defendido uma aliança com Cleitinho em Minas Gerais.
A crise envolvida Flávio reforçou no Centrão a tendência de neutralidade na eleição presidencial. União Brasil, PP e Republicanos passaram a discutir a liberação dos vários estados para apoiar candidatos diferentes, focando alianças locais e a busca de bancadas fortes, principalmente na Câmara.
No caso do PP, a neutralidade também é vista como estratégia de proteção política após a operação da Polícia Federal (PF) contra o presidente da sigla, senador Ciro Nogueira (PI), e diante das mensagens que aproximaram Vorcaro do entorno da direita. O cenário induziu a cautela nas dores.
Cúpula dos Republicanos procura evitar alinhamento nacional com a direita
Os Republicanos estão entre as legendas mais desconfortáveis no ambiente de instabilidade. Integrantes da sigla avaliam que o partido foi preterido tanto por Flávio Bolsonaro quanto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas articulações nacionais, reforçando o desejo de independência.
O presidente da legenda, deputado Marcos Pereira (SP), já demonstrou confiança no passado recente com a pressão exercida pelo PL para o afiliado Tarcísio de Freitas e tem sinalizado preferência por autonomia na corrida presidencial. A tendência é liberar diretórios estaduais e evitar o alinhamento nacional.
O impasse ajudou na aproximação entre PL e Republicanos em Minas, em torno de Cleitinho, depois que o grupo do ex-governador Romeu Zema (Novo) se afastou de Flávio. Para o cientista político Leandro Gabiati, do Ibmec-DF, o cenário ajudou a remuneração de candidatos até as definições partidárias.

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