O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, lamentou nesta quarta (8) a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de não prorrogar os trabalhos do colegiado, que serão encerrados daqui a uma semana, no dia 14. A negativa do parlamentar foi dada na véspera com a alegação de que não quer nenhuma comissão parlamentar de inquérito em andamento em meio às eleições.
De acordo com Vieira, uma força-tarefa está sendo feita para se analisar os documentos disponíveis – que “chegam a contas-gotas” à comissão – e cruzá-los entre si para apurar os fatos investigados, principalmente os mais recentes envolvendo o Banco Master e a gestora de capitais Reag, que as investigações da Polícia Federal atuaram para lavar dinheiro do PCC.
“E se você vai avançando nas quebras [de sigilo] e nas relações, você encontra o Banco Master interagindo com, pelo menos, dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) através de familiares. […] Os próprios envolvidos confirmaram as transações”, afirmou Vieira em entrevista à GloboNews.
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Alessandro Vieira se referiu aos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que foram alvos de apurações da imprensa sobre envolvimento de parentes com a rede de influência montada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Toffoli era sócio de irmãos em um resort no interior do Paraná que negociava cotas de ações com um fundo de investimentos ligado ao cunhado do empresário – preso suspeito de ser o operador financeiro das fraudes do Banco Master.
Já o envolvimento de Moraes se dá pela esposa, a advogada Viviane Barci, cujo escritório da família firmou um contrato de R$ 129 milhões com o conglomerado de Vorcaro. Uma nova apuração publicada na terça (7) descobriu que seu escritório recebeu R$ 40 milhões em 2024 por serviços prestados ao banco.
“Os documentos chegam a conta-gotas e, infelizmente, quando os alvos envolvidos são muito poderosos, os documentos chegam mais lentamente, os dados chegam, muitas vezes, incompletos. No caso do Barci de Moraes, na primeira remessa da Receita [Federal] os dados não vieram e são relevantes que pedem complementação. Estamos fazendo uma análise agora e confirmando os pagamentos que foram feitos efetivamente”, pontual.
O senador afirmou que os próximos depoimentos marcados, como o do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, nesta quarta (8), e do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), na semana que vem, ajudaram a complementar alguns dos fatos, mas não para a totalidade do que a comissão pretendia.
Alessandro Vieira ainda criticou o STF pelas sucessivas decisões que anularam requisitos aprovados pela comissão para ouvir testemunhas importantes para a investigação e para sigilos de envolvidos, como os irmãos do ministro Dias Toffoli, os documentos relativos ao fundo de investimentos do cunhado de Vorcaro, o depoimento do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que ordenou a autarquia no período em que o Banco Master cresceu e que experimentou as fraudes financeiras, entre outros.
“O crime organizado não é só pobre armado na periferia, ele é um sintoma do crime organizado. Ele só está lá porque tem uma estrutura forte e robusta de lavagem de dinheiro e de infiltração no poder público via corrupção por trás dele. […] Das cerca de 90 facções que temos no Brasil, todas elas têm base e comando previstos nos presídios. A gente vai tratar do Banco Master, da questão do estado do Rio de Janeiro, e também tratar dessa conexão que foi constatada essa violência coletiva do Banco Master que é, na verdade, uma organização criminosa com figuras ligadas a ministros da Suprema Corte”, completou.
Ele ainda apontou que aguardava uma decisão do ministro Nunes Marques de instalar uma CPI para apurar as irregularidades do Banco Master, mas que o magistrado vem se recusando a enviá-lo para uma reunião sobre o pedido.

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