A Receita Federal tirou a carga de chefia o auditor fiscal investigado por suspeita de acesso a dados sigilosos de um ex-enteada do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (19) no Diário Oficial da União (DOU).
Ele foi chefe substituto da Equipe de Gestão de Crédito Tributário e do Direito Creditório, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Presidente Prudente (SP). O texto da portaria não citou o motivo da dispensa.
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O auditor foi um dos alvos da operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de vazamentos de dados sigilosos de membros da Corte e de seus familiares.
A PF cumpriu mandatos de busca e apreensão e impôs medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e o afastamento de funções públicas para um servidor da Receita e outros três do Serpro.
Motivo “fútil”
O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Kléber Cabral, revelou que o auditor fiscal do interior de São Paulo permitiu ter acesso a dados de um parente do ministro Gilmar Mendes em novembro do ano passado, mas alegou uma motivação “fútil”.
Segundo Cabral, esse acesso teria ocorrido por “curiosidade” sobre um sobrenome comum, e não com o objetivo de vazamento. Em entrevista ao portal Metrópoleso presidente do Unafisco reforçou que o acesso indevido foi um “falso positivo”.
“Foi um falso positivo. Ele acessou, não desviou ter acessado, mas foi olhar se uma pessoa conhecida era ex-esposa de um amigo, porque tinha o mesmo sobrenome, tanto que ele foi olhar em 2008, porque foi o período que o casal estava junto. Se fosse pelo vazamento, ele não iria olhar em 2008, se é um caso de 2026”, afirmou.
Em nota, a defesa destacou a “reputação ilibada” do servidor. “Desde já, a defesa reafirma a idoneidade do servidor, profissional de comissão ilibada, que ao longo de anos de atuação junto à Receita Federal do Brasil, respondeu a qualquer falta funcional. No momento oportuno, com acesso aos elementos formais, os fatos serão devidamente esclarecidos e a verdade prevalecerá”, diz o comunicado.

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