Governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT) ganhou projeção nacional ao coordenar a comunicação da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde a derrota do primeiro turno, quando o presidente teve 45,16% dos votos válidos contra 47,03% do senador Flávio Bolsonaro (PL). O piauiense pôde se dedicar exclusivamente à campanha presidencial após ser reeleito para o governo do estado com 70,90% dos votos válidos, sendo o governador mais bem votado do país. Agora, o governador nordestino é um dos cotados para chefiar o Ministério da Fazenda, após Lula sair vitorioso do segundo turno da eleição, com 51,79% dos votos contra 48,21% do candidato bolsonarista.
Com 41 anos de idade, Fonteles nasceu em 1985, no contexto da redemocratização, quando Lula tinha idade semelhante. Ele se filiou ao Partido dos Trabalhadores em 2001, aos 16 anos. No ano seguinte, foi aprovado em primeiro lugar para cursar Matemática na Universidade Federal do Piauí, concluindo a graduação em dois anos. Terminou seu mestrado aos 21 anos, no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), no Rio de Janeiro. Fonteles foi professor e consultor de investimentos antes de ingressar na vida pública.
Fonteles comandou as finanças do Piauí entre 2015 e 2022, como secretário da Fazenda no governo de Wellington Dias (PT). Ao final desse período, disputou sua primeira eleição, sucedendo Dias no governo do estado. Ele foi eleito no primeiro turno, com 57,17% dos votos válidos.
O governador do Piauí, agora reeleito, é tido como um dos quadros técnicos e moderados do PT — uma tendência entre os principais expoentes do partido no Nordeste. Fonteles é afeito a parcerias público-privadas (PPPs), defende políticas para melhorar a trajetória da dívida pública e é elogioso da gestão de Fernando Haddad (PT) à frente da Fazenda. “O presidente [Lula] tem compromisso, sim, com o equilíbrio das contas públicas”, disse o piauiense em entrevista ao canal GloboNews nesta segunda-feira, 26, após a reeleição do presidente.
Em entrevista às Páginas Amarelas de VEJA, em maio, o governador disse que a eleição de Lula seria “novamente decidida por eleitores do centro e os mais independentes”. Questionado sobre como angariar votos desses eleitores, Fonteles elogiou a manutenção de Geraldo Alckmin (PSB) como vice-presidente na chapa de Lula e pregou por conciliação: “Temos que nos unir a outras forças políticas, mais ao centro e até mesmo à centro-direita, para garantir que o nosso time represente a maioria da população”, disse. O prognóstico da época parece acertado. Os estados onde Lula observou maior crescimento de votos entre o primeiro e o segundo turno foram São Paulo e Minas Gerais, que não podem ser considerados redutos do petismo.
Durante a campanha do segundo turno, Fonteles gravou um vídeo no qual presenteava Lula com um celular. O presidente, que celebra seus 81 anos na terça-feira, 27, não possuía um aparelho do tipo até então. A mobilização digital da campanha se provou definitiva para a virada, seja através dos perfis petistas nas redes sociais ou do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, do deputado André Janones (Rede-MG). Em seu discurso de vitória, Lula disse que a comunicação digital será alçada a um novo patamar em seu quarto mandato.
Se Fonteles integrar o novo governo federal, seja no Ministério da Fazenda ou em outro cargo, ele terá que deixar o governo do Piauí. Seu vice eleito, Washington Bandeira, também do PT, assumiria a máquina estadual.
Fonte: Abril













Deixe o Seu Comentário