
Secretário-adjunto de Guarujá, SP, sugere que empresários demitam eleitores do PT
O advogado Airton Sinto pediu exoneração do cargo de secretário-adjunto de Direitos Humanos e Cidadania de Guarujá, no litoral de São Paulo, após publicar mensagens contra a contratação de eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT). Além da atuação na administração municipal, ele já tentou ingressar na política por meio das urnas, disputando os cargos de prefeito e vereador da cidade.
Como advogado, ele defendeu a família de Fabiane Maria de Jesus, linchada até a morte em 2014 após ser confundida com uma sequestradora de crianças por causa de uma notícia falsa compartilhada nas redes sociais. A família processou o Facebook.
✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp.
Após pedir exoneração, Airton Sinto afirmou que suas publicações expressam opiniões pessoais e políticas, sem relação com o cargo de secretário-adjunto de Direitos Humanos de Guarujá. Ele negou a intenção de ofender ou incitar violência, disse estar sendo alvo de ofensas e ameaças e defendeu a liberdade de expressão (veja o posicionamento completo adiante).
Por meio de nota, a Prefeitura de Guarujá afirmou que as manifestações foram pessoais e não representam o posicionamento do governo municipal.
Quem é Airton Sinto?
Formado em Direito pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), em São Paulo, onde nasceu, o ex-secretário mora atualmente em Guarujá (SP), onde mantém um escritório de advocacia há 27 anos.
Conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Airton Sinto disputou as eleições municipais de 2008 como candidato a vereador pelo Partido Social Democrata Cristão (PSDC). Na ocasião, ele foi eleito como vereador suplente.
Secretário-adjunto de Guarujá pede exoneração após posts contra a contratação de eleitores de Lula
Reprodução
Já em 2012, ele concorreu à Prefeitura de Guarujá pelo Partido da Mobilização Nacional (PMN), mas não foi eleito. Quatro anos depois, disputou novamente uma vaga na Câmara Municipal pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e ficou como suplente.
Conforme apurado pelo g1, Airton Sinto tem 59 anos. Em uma biografia declarada em uma rede social, ele se descreveu como “justo com os justos e muito mais justo com os injustos”.
Prints e postagens
Secretário-adjunto de Guarujá pede exoneração após posts contra a contratação de eleitores de Lula
Reprodução
Uma captura de tela divulgada pela TV Tribuna, afiliada da Globo, mostra uma publicação de Airton Sinto em que ele afirma não comprar, contratar ou advogar para eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT).
Em outra publicação, Airton Sinto compartilhou a frase: “Não contrate quem ODEIA empresários”. Em outra, divulgou um print de uma conversa em que uma mulher pede ajuda para comprar uma cesta básica.
Airton Sinto compartilhou diversas mensagens em suas redes sociais.
Reprodução
Nessa captura de tela, o autor da mensagem afirmou acompanhar a mulher nas redes sociais e acrescentou que, após ela comemorar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não precisaria mais de ajuda ou doações, pois o presidente a teria tirado da pobreza.
Airton também compartilhou uma frase com os termos “rifinha, vakinha, docinho, bolinho, ajudinha” e uma referência a pedir ajuda ao “veinho” (veja abaixo).
Airton Sinto pediu exoneração do cargo de secretário-adjunto de Direitos Humanos e Cidadania de Guarujá (SP) após publicações nas redes sociais.
Reprodução/Redes Sociais
O que diz Airton Sinto
Veja o posicionamento do advogado na íntegra:
“Sou um homem de direita, pai de família, advogado há quase 30 anos, filho de um metalúrgico que iniciou sua vida profissional no ABC paulista, no final da década de 1970. Sou filho de uma mulher que se tornou funcionária pública do Estado de São Paulo na década de 1960. Meus ancestrais vieram da Itália, fugindo da fome e da pobreza, para trabalhar na roça de café, no interior paulista. Portanto, minha origem vem de pessoas honradas, humildes e apegadas a valores da família cristã.
Quanto aos fatos recentes, afirmo que, por meio de algumas postagens em rede social, fiz uma análise a respeito da dicotomia que o Brasil enfrenta em relação ao momento político-eleitoral.
Expus meu pensamento sem ofensa moral e sem ofensa legal a ninguém, seja de forma individual ou coletiva. Exerci meu direito, constitucionalmente garantido, de livre exposição de minhas opiniões. Não incitei perseguição a ninguém nem incitei violência, seja no âmbito moral ou físico. Quanto à minha opção de não me relacionar, pessoal ou profissionalmente, com cidadãs ou cidadãos ligados à ideologia de esquerda, pode parecer antipática, porém, não apresenta nenhum traço de preconceito ou segregação.
Minha posição nesse sentido é exclusivamente no âmbito de minha atividade profissional e pessoal, frisando que há milhares de posicionamentos similares nas redes sociais.
Minha opinião, a qual está sendo censurada e utilizada para propagar discursos de ódio em meu prejuízo, foi proferida sem relação com a função de secretário-adjunto de Direitos Humanos na Prefeitura de Guarujá.
Estou sendo ofendido e ameaçado por postagens nas redes sociais de forma vil e covarde, a lembrar o caso Fabiane de Jesus, ocorrido em Guarujá no ano de 2014. Por coincidência, sou advogado da família, onde ainda luto, até hoje, para responsabilizar os provedores da rede social por divulgação e manutenção de discursos de incitação à violência que levaram Fabiane a uma morte com requintes medievais de crueldade.
Por fim, mantenho minha posição, mantenho minha palavra, sem intenção alguma de ofensa qualquer pessoa. O exercício de minha liberdade de pensamento e posição política, não pode e não será alvo de patrulhamento ideológico, sob pena de ferir o último bastião de nossa combalida democracia.”
O que diz a OAB
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por meio da Subseção de Guarujá, divulgou uma nota após a repercussão do caso. A entidade afirmou que a liberdade de convicção política é um direito fundamental e que a discriminação ou a restrição de oportunidades profissionais por posicionamento político são incompatíveis com os princípios do Estado Democrático de Direito.
A OAB também afirmou que a advocacia exige ética e respeito à dignidade humana. Em outra manifestação, a entidade ressaltou que agentes públicos devem agir com impessoalidade e que divergências políticas não justificam a exclusão de cidadãos do mercado de trabalho.
A Ordem dos Advogados do Brasil reforçou que a ética profissional e o respeito aos direitos fundamentais devem prevalecer sobre a intolerância política.
VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos
Fonte: G1













Deixe o Seu Comentário