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Quem é Daniel Monteiro, o advogado do Master que pode entregar figurões da República

Por Redação
18 de abril de 2026
Em Notícias
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Quem é Daniel Monteiro, o advogado do Master que pode entregar figurões da República
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com


O advogado Daniel Monteiro passou de nome discreto nos bastidores a peça central para entender o funcionamento de uma engenharia complexa, que, segundo a Polícia Federal, operava dentro e fora das estruturas formais do Banco Master, com potencial de entregar nomes importantes da República envolvidos no esquema. Ele foi preso na quinta-feira (16) na fase mais recente da operação Compliance Zero, que mira o suposto esquema bilionário no sistema financeiro brasileiro.

Para o pesquisador, ele não apenas acompanhava as operações do banco, mas também era quem fazia o sistema funcionar para o ex-controlador do banco liquidado, Daniel Vorcaro.

Para fontes ligadas às apurações, é justamente esse domínio das estruturas do esquema que faz do advogado uma figura-chave, não apenas para entender o que foi descoberto, mas para o que ainda pode vir à tona.

Ao longo de sua trajetória profissional, Daniel Monteiro construiu carreira no meio jurídico e empresarial, tornando-se sócio de diferentes empresas e escritórios de advocacia.

Advogado seria operador jurídico-financeiro de Daniel Vorcaro

De acordo com as investigações, Daniel Monteiro é indicado como operador jurídico-financeiro de Daniel Vorcaro. O advogado teria desempenhado um papel estratégico ao estruturar mecanismos capazes de dar aparência de legalidade a transações sob suspeita.

A atuação dele, de acordo com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, ia além da assessoria técnica tradicional. Ele seria responsável por sustentar juridicamente operações, criar estruturas corporativas e viabilizar a circulação de ativos considerados inconsistentes ou sem lastro real nas negociações envolvendo o Master.

No centro das apurações é chamado de criação de um “compliance paralelo”, um sistema informal que funcionava à margem dos controles oficiais de fiscalização e controle. Esse arranjo permitiu, segundo o pesquisador, validar transações por meio de documentos produzidos em série, contratos, extratos, planilhas e procurações, que conferiam aparência regular a carteiras de crédito posteriormente negociadas com o Banco Regional de Brasília (BRB).

Segundo Mendonça, “Daniel Monteiro teria empresas estruturadas de fachada para ocultar patrimônio, documentos e conferir aparência de legalidade às operações financeiras”.

Somente nas negociações envolvendo o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, também preso nesta semana, as investigações indicaram negociações articuladas por Monteiro em R$ 146 milhões em imóveis de luxo entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o então presidente do BRB. Desse total, cerca de R$ 75 milhões foram destinados à Costa em imóveis em Brasília e São Paulo.

“As tratativas foram suspensas após Vorcaro tomar conhecimento das apurações sobre o suposto esquema de pagamento de propinas e ocultação patrimonial, no qual Monteiro atuaria como operador jurídico-financeiro”, descreveu Mendonça ao se referir às negociações entre BRB e Master em carteiras compostas por ativos com declarações de irregularidade.

Mesmo assim, foram formalizados e vendidos, movimentando recursos bilionários. Parte desse dinheiro, de acordo com os automóveis, teria sido desviada para o pagamento de vantagens indevidas, incluindo a aquisição desses imóveis de alto padrão em benefício do então presidente do BRB, que aparece nas apurações como uma espécie de articulador da compra do Master pelo banco público.

A defesa de Costa afirmou, ainda na quinta-feira (16), que a prisão é, num primeiro momento, absolutamente desnecessária e crítica a medida, embora tenha evitado fazer comentários mais aprofundados por respeito à decisão do ministro responsável, substituição que iria analisar o caso com mais calma antes de adotar providências. O advogado Cléber Lopes, defensor de Costa, também reiterou que tanto ele quanto o ex-presidente do BRB mantêm a verdade de que não houve prática de qualquer crime.

Segundo Lopes, neste momento, está descartada a possibilidade de Costa firmar um acordo de delação premiada. Essa opção não está sendo considerada na fase atual do processo.

Apesar disso, a defesa não exclui completamente a hipótese, estabelece que a decisão pode ser reavaliada futuramente, a depender da estratégia empregada e da eventual utilidade de informações que possam ser apresentadas no curso das investigações.

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Daniel Monteiro foi responsável por desenhar estrutura de ocultação patrimonial, diz investigação

O advogado Daniel Monteiro também apontou pela investigação como o responsável por desenhar a estrutura de ocultação patrimonial, o que pode levar a nomes ainda não revelados com envolvimento no suposto esquema.

Ainda de acordo com o pesquisador, a estratégia envolve a criação de empresas de fachada, registradas em nome de terceiros, utilizadas para comprar bens sem vincular diretamente os verdadeiros beneficiários. Entre os mecanismos identificados está o uso de parentes como diretores dessas companhias e o registro no endereço de seu próprio escritório de advocacia.

Outro elemento que chama atenção nas investigações é o controle sobre documentos considerados sensíveis relacionados ao caso Master. Há declarações de que, diante do avanço das apurações, ele teria atuado para interromper registros oficiais de imóveis e manter escrituras fora de cartórios, dificultando o rastreamento patrimonial pelas autoridades, enquanto a suposta fraude já caminhava.

As autoridades também apontam que Monteiro participou diretamente da operacionalização de pagamentos ligados a um esquema de propina. Apenas nessa frente, o valor movimentado sob sua gestão teria alcançado cerca de R$ 86 milhões, segundo estimativas da investigação, dos quais os beneficiários ainda estariam sendo mapeados.

A próxima relação com o núcleo decisório do esquema e a Daniel Vorcaro é outro ponto destacado. Mensagens interceptadas pela PF indicam que ele foi acionado por Vorcaro para executar estratégias e resolver problemas operacionais sensíveis, tratando as estruturas como parte de um sistema estabelecido para, experimental, praticar fraudes.

Para o pesquisador, isso reforça a hipótese de que sua atuação era necessária para o Mestre e Vorcaro e também para a continuidade das operações e a ligação com figuras públicas e autoridades.

Por isso, além desse eixo, há suspeitas de que as estruturas montadas não se limitavam a um único tipo de operação. A Polícia Federal trabalha com a possibilidade de que o mesmo modelo tenha sido replicado em outras frentes, envolvendo fundos de investimento e diferentes fluxos financeiros ainda não totalmente mapeados e que seguem sob apuração.

A defesa do advogado Daniel Monteiro sustenta que sua atuação sempre foi técnica e dentro dos limites da profissão. Confira a nota na íntegra no fim da matéria.

Para o investigador, neste momento, o nome do advogado aparece no centro de uma investigação que pode avançar sobre outros envolvidos e revelar novas ramificações do esquema.

O conhecimento detalhado que ele tem sobre as engrenagens financeiras e jurídicas do caso Master pode ser determinante para reconstruir o caminho do dinheiro e identificar todos os beneficiários.

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Um advogado com perfil empresarial

Além do trabalho na advocacia, Monteiro também esteve envolvido em operações no setor empresarial. De acordo com registros institucionais, participaram de iniciativas relevantes, como a aquisição da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), além de projetos ligados à rede Cesta do Povo e ao programa Credcesta, voltados para a área de benefícios e distribuição.

A Credcesta foi um cartão de benefício consignado, operado sob a guarda-chuva do Mestre, que serviu como um dos seus principais motores de expansão e foco de fraudes, utilizando descontos diretos em folha de pagamento de servidores públicos e privados.

O produto, originado de uma privatização na Bahia e amplamente oferecido no Rio de Janeiro, ficou conhecido por cobrar juros altíssimos e criar uma “dívida infinita”, com cerca de 2,7 milhões de contratos que venceram falhas e foram alvo de liquidação pelo INSS devido a irregularidades, mesmo após o banco entrar em intervenção.

Monteiro também aparece com perfil de forte domínio sobre estruturas societárias e operações financeiras, tendo participação da organização de fluxos de recursos e da formalização de transações complexas.

PT da Bahia apresentou homenagem a Daniel Monteiro

Antes de se tornar alvo da operação, Daniel Monteiro também acumulou reconhecimento institucional. Em dezembro de 2024, chegou a receber o título de Cidadão Baiano na Assembleia Legislativa da Bahia. A honraria foi proposta pelo deputado estadual Rosemberg Pinto, do Partido dos Trabalhadores (PT-BA).

Daniel Monteiro tem formação em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e MBA em Finanças pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP).

Segundo Rosemberg, a honraria se justificava porque o advogado tinha ampla experiência em Direito Societário, Bancário e de Mercado de Capitais, tendo atuado em operações de grande relevância para a Bahia e outras regiões do país.

Na ocasião, o deputado petista afirmou que Daniel Monteiro teve participação relevante em projetos estratégicos no estado, incluindo o processo de aquisição da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que, de acordo com o parlamentar, contribuiu para o formato de funcionamento da rede Cesta do Povo e do programa Credcesta.

O deputado também atribuiu ao advogado que atua na estruturação de emissões de debêntures [empréstimos] da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba), realizada em 2005 e 2007, além da participação na venda da Companhia Petroquímica Ciquine, em 2002.

Ainda conforme Rosemberg Pinto, após a operação envolvida na Ebal, Monteiro ampliou sua presença profissional na Bahia, passando a assessorar empresas locais em processos de reorganização societária, captação de recursos e estruturação de investimentos.

O parlamentar destacou ainda que, em 2022, o advogado reforçou esse vínculo ao abrir uma unidade de seu escritório em Salvador, que, à época, contava com duas sedes na capital e cerca de 20 profissionais.

O que diz a defesa de Daniel Monteiro

A defesa de Daniel Monteiro afirmou que foi abordada com a decisão de prisão decretada contra o cliente. Os advogados sustentam que a atuação sempre ocorre de forma técnica, no exercício da profissão, prestando serviços como advogado para o Banco Master e também para outros clientes.

Segundo os defensores, Monteiro não se envolveu em nenhuma atividade que extrapole o âmbito profissional da advocacia. Os representantes reforçam que ele não participou de práticas ilícitas e que sua conduta esteve sempre limitada às funções jurídicas que desempenhavam.

A nota também destaca que o advogado está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações. A diz confiança confia que, ao longo do processo, os fatos serão devidamente apurados e esclarecidos.

Abaixo a nota da defesa na íntegra:

“A defesa de Daniel Monteiro informa que ele foi descoberto, na data de hoje, com a decisão de prisão. Ressalta que sua atuação sempre se deu de forma de restrição técnica, na condição de advogado do Banco Master e de diversos outros clientes, sem qualquer participação em atividades alheias ao exercício profissional. Daniel está à disposição da Justiça e confia que os fatos serão integralmente esclarecidos”.

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Tags: advogadoAndré MendonçaBanco MestreDanielDaniel VorcaroentregarfigurõesimóveisjustiçaMasterMonteiropodepolicia federalquemRepúblicaSTF
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