A Prefeitura de São Paulo acordou inconsistências em R$ 13,4 milhões da prestação de contas apresentadas pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, dona da produtora responsável pelo filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os valores fazem parte de um contrato de R$ 108 milhões firmado em 2024 para a instalação de pontos de wi-fi na capital paulista.
Segundo a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, a maior parte das irregularidades apontadas envolve R$ 10,6 milhões em notas fiscais que não detalham as áreas atendidas nem os serviços executados. Os documentos foram emitidos pelas empresas Favela Conectada Serviço e Tecnologia, Complexsys Soluções Integradas, Make One Tecnologia Digital e Ultra IP.
As empresas citadas, assim como o próprio ICB, foram alvos de uma operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Civil de São Paulo em junho. As investigações apuraram que houve desvio de recursos públicos e se parte do dinheiro do contrato teria sido usado para financiar o filme “Dark Horse”.
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Outros R$ 906 mil também foram questionados pela prefeitura devido ao cancelamento de notas fiscais. Entre elas está um documento de R$ 500 mil emitido pela Favela Conectada em 24 de junho de 2025 e cancelado em 4 de julho deste ano.
De acordo com a secretaria, uma das notas apresenta apenas a descrição de “prestação de serviços conforme contrato”, sem detalhamento das atividades realizadas. O órgão informou que, caso as pendências não sejam regularizadas, os valores poderão ser cobrados do instituto.
A prefeitura ainda divulgou outras inconsistências que somam R$ 1,3 milhão, entre elas:
- Falta de comprovação bancária de pagamentos;
- Notas fiscais sem valor fiscal;
- Endereços incompatíveis;
- Pagamentos antecipados;
- Ausência de relatórios técnicos de pesquisas e serviços de comunicação.
Apesar dos questionamentos, a administração municipal afirmou que não determinou a devolução imediata de recursos. Segundo a pasta, o ICB recebeu uma notificação formal e terá 30 dias para apresentar justificativas e documentos complementares.
“Não houve pedido de devolução imediata de valores até o momento. Na notificação feita ao ICB, houve a sinalização formal de inconsistências apresentadas durante a análise da prestação de contas e a glosa temporária até o prazo final para que a organização se justifique ou regularize os documentos pendentes”, informou a secretaria.
Em nota, Karina Gama negou irregularidades e afirmou que os factos “serão devidamente esclarecidos e que as informações e documentos apresentados demonstram a regularidade da execução das parcerias”.
O instituto também declarou que “permanece colaborando integralmente com o ente público, prestando todos os esclarecimentos técnicos e documentais necessários para demonstrar a execução regular dos projetos e a aplicação correta dos recursos públicos”.
As investigações da Polícia Civil e do Ministério Público também analisaram acusações de incongruências contábeis e fiscais e apuram se o ICB cumpriu integralmente as metas previstas para a instalação dos pontos de internet contratados pela prefeitura de São Paulo.













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