
Nesta quarta-feira (18), o chanceler Mauro Vieira afirmou na Câmara dos Deputados que uma iniciativa diplomática de Lula em 2010 poderia ter evitado o atual conflito no Irã. A Declaração de Teerã buscava mediar a crise nuclear, mas acabou rejeitada pelos Estados Unidos e outras potências.
O que era exatamente a proposta da Declaração de Teerã em 2010?
Foi um acordo mediado por Brasil e Turquia para tentar resolver o impasse sobre o programa nuclear do Irã. O plano prévio é que o Irã envie 1.200 kg de urânio para a Turquia em troca de combustível nuclear supervisionado. O objetivo era criar um laço de confiança e evitar que o país acumulasse material suficiente para fabricar bombas atômicas, o que pudesse evitar avaliações econômicas e guerras.
Por que o acordo de liderança pelo Brasil não avançou na época?
Apesar do esforço brasileiro, os Estados Unidos e outras grandes potências do Conselho de Segurança da ONU consideraram uma iniciativa insuficiente. Eles alegaram que o plano não limitava o enriquecimento contínuo de urânio em solo iraniano. Na prática, Washington abandonou a mesa de negociação, optando por manter a pressão e as avaliações contra o governo de Teerã.
Qual é a crítica feita pelo Itamaraty à postura dos Estados Unidos?
O ministro Mauro Vieira indicou um ‘padrão de comportamento’ norte-americano. Segundo ele, tanto em 2010 quanto em mediações recentes feitas por países como Omã, Washington incentiva o diálogo e define cláusulas para um acordo, mas recua e abandona as conversas sem respostas claras quando os entendimentos são alcançados, preferindo seguir com ataques ou sanções.
Existem evidências de que o Brasil ajudou a favorecer o Irã em outros benefícios?
Documentos vazados pelo WikiLeaks indicam que, desde 2005, a diplomacia brasileira teria manobrado para dificultar a pressão americana no Oriente Médio. Isso incluiu tentativas de barrar resoluções da ONU contra o acordo nuclear e resistir à emissão de mandados de prisão internacionais contra iranianos suspeitos de atos terroristas ocorridos na Argentina nos anos 90.
Qual a visão dos especialistas sobre a eficácia desse plano de paz?
Estrategistas internacionais avaliam que a Declaração de Teerã era uma iniciativa de ‘fraca’ e com baixo poder real de barganha. Como o documento não garante inspeções rigorosas nem a interrupção total das atividades nucleares, ele é comparado por algumas críticas ao histórico Acordo de Munique, que prometia a paz com a Alemanha nazista mas acabou sendo ignorada, não impedindo a escalada militar posterior.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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