A Polícia Federal prendeu, na manhã desta sexta-feira (3), pessoas que foram sancionadas pelo governo dos Estados Unidos por ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As prisões ocorreram durante a deflagração da Operação Exchange em quatro cidades do estado de São Paulo.
UM Gazeta do Povo apurou com fontes a par da investigação que um dos presos é uma mulher identificada como Stella Stefanie de Oliveira, que seria secretária do empresário Victor Henrique Shimada, dono da Victory Trading Intermediação de Negócios, apontada pelo governo dos Estados Unidos como “elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais”. Ele está foragido.
Ao todo, são cumpridos 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Também foi autorizado o bloqueio de bens de R$ 10,4 bilhões. O grupo, afirma a corporação, seria especializado na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas.
“As apurações indicam que os investigados utilizaram um sistema estruturado para a movimentação de recursos, por meio de transferências ilícitas de criptoativos, transporte de valores, inclusive em espécie, transações bancárias de alto valor, repasses entre pessoas físicas e jurídicas e outras atividades financeiras. A análise preliminar conseguiu identificar movimentações superiores a R$ 10 bilhões”, afirmou a Polícia Federal em um comunicado.
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As primeiras informações apontam que a operação já vinha sendo planejada desde o mês passado e ganhou força nesta semana após a decisão do governo dos Estados Unidos de sancionar dois cidadãos brasileiros, três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa por suspeita de ligação com o PCC.
Estes estariam envolvidos na expansão do tráfico de drogas no país norte-americano, contrabando de grandes quantias em dinheiro para cartéis e outras atividades ilícitas com o fim de gerar fluxos de receita.
“Ameaça significativa à segurança nacional dos EUA, já que seus agentes em todo o país, especialmente na Flórida, lavaram dinheiro proveniente do narcotráfico e descontos para um ciclo de criminalidade”, afirmou o governo norte-americano em um comunicado.
Desde a designação das facções brasileiras como organizações terroristas, em junho, os Estados Unidos já sinalizaram que não darão trégua à atividade do crime organizado originado no Brasil. O Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês) anunciou recentemente a prisão de um ex-chefe do PCC e do CV durante uma abordagem da polícia de imigração na Carolina do Norte.
Atuação dos presos com o PCC nos EUA
Segundo o comunicado do governo dos Estados Unidos contra especificamente estas pessoas alvos da operação da Polícia Federal, os envolvidos lavaram mais de US$ 30 milhões em lucros ilícitos gerados em diversas cidades do país norte-americano e arredores, utilizando criptomoedas para transferir fundos de volta ao Brasil em nome do PCC.
Shimada também teria se envolvido em outros crimes financeiros além da lavagem de dinheiro proveniente do narcotráfico, de acordo com as investigações dos Estados Unidos. A decisão menciona que em janeiro de 2025 ele ficou brevemente em prisão domiciliar no Brasil porque uma de suas empresas, a Victory Trading Intermediação de Negócios Cobrança e Tecnologia Ltda. (Victory Trading), teria sido usado para lavar dinheiro roubado de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária envolvendo uma plataforma de apostas on-line.
Por sua vez, Stella Stefanie de Oliveira é apresentada nas investigações como uma associada próxima e parente de Shimada. Ela teria atuado como secretária e entrevista para a coleta de grandes quantias em dinheiro, fornecendo serviços logísticos essenciais que apoiaram a rede nas operações de lavagem de dinheiro.
Segundo os Estados Unidos, ambos teriam contado com o apoio de uma ampla gama de corporações que ajudaram a evitar a detecção de fundos ilícitos gerados no exterior. São mencionadas as empresas Victory Trading, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda (Pixwave) e Wave Construções Inteligentes Ltda (Wave), todas sediadas em São Paulo.
O comunicado informa ainda que Shimada também seria proprietária da Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, uma empresa de transporte e armazenamento com sede perto de Lisboa, Portugal, que teria vínculos com o PCC.
Como resultado da operação, todos os bens e interesses em bens das pessoas designadas, que estejam nos Estados Unidos ou sob o controle de pessoas no país norte-americano, serão bloqueados e deverão ser comunicados ao Departamento do Tesouro Americano.
Mais informações em instantes.











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