[ad_1]
A Polícia Federal (PF) pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, um inquérito específico para investigar a suposta campanha coordenada nas redes sociais com influenciadores recrutados para difamar o Banco Central (BC) pelo caso da liquidação do Banco Master. A PF deseja apurar se os 46 perfis foram acionados para atacar o BC e tentar reverter a liquidação do Mestre a mando do banqueiro Daniel Vorcaro, que já negou essas acusações.
Fontes ligadas à investigação afirmaram que uma agência vinculada a campanhas do Banco Master estaria por trás dos contatos. A PF já tinha a intenção de abrir um inquérito desde o início do ano, só procurava mais elementos, o que aconteceu na semana passada.
VEJA TAMBÉM:
-

Operação contra Banco Master bate à porta de Vorcaro
-

Cunhado de Vorcaro teve participação no resort da família de Toffoli, diz jornal
Segundo o investigador, mensagens que poderiam ser identificadas no celular de Vorcaro indicavam que, antes da operação e da liquidação do Master, o banqueiro teria repassado orientações diretas a intermediários externos à estrutura formal do Master – empresas que desenvolvem trabalhos com influenciadores – para contribuições, nas redes sociais, conteúdos desenvolvidos ao banco e promoção de ataques virtuais contra agentes públicos e instituições decorrentes dos interesses do grupo.
As conversas conversaram sobre uma atuação coordenada, com foco em descredibilizar críticas e pressionar o BC no ambiente digital em meio às dificuldades enfrentadas pelo Master e diante da iminência de sua liquidação pela autoridade monetária em um cenário que já se desenhava ao longo de 2025.
Como os diálogos anteriores à liquidação, o pesquisador avaliou que eles revelaram uma suposta estratégia de antecipação, já que, naquele período, o Banco Central havia barrado a venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB) e o banco enfrentava crescente escrutínio regulatório.
Segunda apuração do jornal O Globoos contratos com influenciadores chegaram a R$ 2 milhões e previam cláusula de confidencialidade para evitar vazamentos de informações. A colunista Malu Gaspar, autora de uma série de reportagens sobre o tema, teve acesso a um dos contratos de confidencialidade como o inicial “DV”. O documento prévio prevê multa de R$ 800 mil para o caso de quebra de sigilo.
As denúncias apontaram que os perfis seriam utilizados para influenciar a opinião pública, comprometendo a revisão do BC para apresentar a liquidação do Master como uma articulação de política de esquerda e do “Centrão”.
Dois influenciadores denunciaram o esquema — apelidado de “Projeto DV”, em referência às iniciais do banqueiro Daniel Vorcaro. Eles somam milhões de seguidores nas redes sociais e disseram que foram procurados por particulares na promoção de ataques aos envolvidos na liquidação, especialmente ao BC.
Vorcaro negou o uso de influenciadores
A defesa de Vorcaro invejou ao STF uma petição em que negou o uso de influenciadores. O documento afirma que não houve “qualquer” envolvimento ou conhecimento deste esquema.
A assessoria de comunicação de Vorcaro tem dito que ele colabora com as investigações.
Vereador do PL denunciou esquema
Com mais de 1,5 milhão de seguidores, o vereador de Erechim (RS) Rony Gabriel (PL) diz ter sido um dos participativos. Ele concordou em concordar com o contrato de confidencialidade com multa de R$ 800 mil para acessar os termos da proposta, que prometia pagamentos de “milhares de reais”, sem especificar a quantidade exata inicialmente.
Segundo o vereador, o intuito seria cegar tanto Daniel Vorcaro como o círculo de políticos que ele teria articulado em Brasília. “Sim, se Daniel Vorcaro cair, muitos políticos caem junto”, afirmou em vídeo no Instagram. Ao compreender a teoria das publicações oportunas, Gabriel decidiu a proposta e encaminhou os documentos para a colunista Malu Gaspar.
Pico de postagens em dezembro
Os alvos preferenciais das mensagens seriam, além do BC, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). De acordo com o jornal O Estado de S. Pauloa Febraban sentiu os efeitos de uma campanha coordenada desde o final do ano passado. Um levantamento da entidade indicou um pico de ataques em um intervalo de 36 horas, entre os dias 26 e 29 de dezembro, estendendo-se até 5 de janeiro.
Por meio de nota, a Febraban confirmou à reportagem da Gazeta do Povo que houve um “volume atípico” de menções relativas à liquidação do Master. A entidade também confirmou que apura se tais publicações configuraram um ataque coordenado, observando que houve “diminuição no volume” desde então. A Febraban ressaltou que seus monitoramentos são para “consumo interno”.
Um dos focos das críticas é Renato Dias Gomes, diretor da Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, responsável por indeferir a compra do Banco Master pelo BRB. Uma das peças de desinformação dizia: “Mais rápido do que uma pizza: Renato Gomes liquida banco em 40 minutos e joga conta bilionária no seu colo”. A narrativa buscava reforçar a ideia de uma decisão precipitada que resultaria em prejuízo aos cofres públicos.
A influenciadora Juliana Moreira Leite, que também possui um milhão de seguidores, foi outra a denunciadora a abordagem. “No mesmo dia em que recusei, vi muitos influenciadores questionando por que o Banco Master foi liquidado. Tem gente que tem preço e tem gente que tem valor”, declarou em suas redes.
O Banco Master não está no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de venda de carteiras de crédito fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB) que podem chegar a R$ 12 bilhões, o que culminou na decretação da liquidação pelo Banco Central.
Contrato milionário
A teia de decisões em torno da liquidação do Master teve um importante desdobramento: a descoberta de um contrato da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prevê o pagamento de R$ 129 milhões em três anos, de acordo com uma das provas apreendidas pela Polícia Federal durante a operação Compliance Zero, no final do ano de 2025.













Deixe o Seu Comentário