A Polícia Federal marcou para a próxima quarta-feira (20) o depoimento da empresária Roberta Moreira Luchsinger, amiga pessoal do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva (conhecido como “Lulinha”), e mencionado com ele nas apurações sobre a fraude bilionária contra acumuladores e pensionistas do INSS.
O depoimento de Roberta é considerado estratégico para esclarecer a relação com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como operador do esquema, e Lulinha. A apuração foi informada primeiro pela CNN Brasil e pelo Estadão e confirmado à Gazeta do Povo pela defesa da empresária.
Documentos da Operação Sem Desconto indicam que empresas ligadas ao “Careca do INSS” transferiram cerca de R$ 1,5 milhão para a RL Consultoria e Intermediações Ltda., da qual Roberta é sócia. A Polícia Federal apura se os valores correspondiam a serviços reais ou poderiam ter sido usados como repasses indiretos a terceiros, com menções que envolvem o nome de Lulinha.
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Mensagens demonstradas pelos pesquisadores citam expressões como “o filho do rapaz”, ou que elevou o nível de atenção sobre as conexões pessoais e financeiras investigadas. Além disso, há registros de que ex-colaboradores mencionaram supostos repasses recorrentes a Lulinha, incluindo uma “mesada de cerca de R$ 300 mil”, informação que ainda é tratada como parte dos depoimentos e não como conclusões oficiais do inquérito.
A investigação também descobriu que Roberta teria usado sua relação de proximidade com Lulinha para facilitar o acesso a órgãos públicos, como Ministério da Saúde e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em projetos ligados à cannabis medicinal e à telemedicina. Os relatórios da CPMI do INSS apontam a possível utilização de “capital político” associado ao sobrenome presidencial em articulações de interesse empresarial.
Apurações mostram que a empresária mantém uma relação de amizade próxima com o filho do presidente, com quem teria realizado ao menos seis viagens entre 2024 e 2025, incluindo deslocamentos nacionais e internacionais. Os registos indicam até reservas efetuadas sob o mesmo código localizador, além de referências de proximidade familiar.
Durante as apurações da CPMI do INSS, a defesa de Roberta negou qualquer irregularidade e afirmou que todos os valores recebidos são compatíveis com os serviços prestados de forma regular. À reportagem, os advogados afirmaram que ela estava à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.
Desde que a suspeita de envolvimento de Lulinha com a fraude no INSS veio à tona, o presidente Lula defendeu que o empresário deve se explicar para não deixar dúvidas.
“Eu chamei meu filho aqui [no Palácio do Planalto]e eu falo isso pra todo mundo: olhei no olho e disse [que] ‘só você sabe a verdade’. ‘Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço. Se não tiver, se defenda’, porque é assim que eu trato as coisas, com muita seriedade”, afirmou em uma entrevista em fevereiro.

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