Uma investigação da Polícia Federal sobre os investimentos do Rioprevidência no Banco Master revelou um mecanismo que, segundo o pesquisador, investiu bilhões de reais no fundo previdenciário dos servidores estaduais em ativos de alto risco e baixa transparência. A suspeita é que as aplicações financeiras tenham sido feitas mesmo diante de alertas técnicos sobre a fragilidade dos papéis adquiridos e a situação financeira da instituição.
Do que se sabe até o momento sobre as investigações que ocorreram às operações Compliance Zero e Barco de Papel, o Rioprevidência aplicava recursos em títulos emitidos pelo Banco Master, principalmente Letras Financeiras que não têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), usados por bancos para captar dinheiro no mercado. Em troca, o fundo recebeu a promessa de retornos muito acima da média praticada por instituições financeiras tradicionais.
Inicialmente, o Rioprevidência havia informado que os investimentos no Banco Master somavam R$ 970 milhões. Mas, com a deflagração da operação desta terça-feira (26), foi descoberto um montante ainda maior chegando a R$ 3 bilhões.
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Na prática, o modelo funcionava como uma troca de dinheiro imediata por uma promessa futura de pagamento acrescida de juros elevados. O problema, segundo a investigação, é que parte desses ativos tinha baixa liquidez, dificuldade de revenda e dúvidas sobre a qualidade dos créditos usados como garantia das operações.
Os investigadores suspeitavam que o Banco Master utilizava a entrada constante de novos recursos para sustentar compromissos antigos e manter a operação financeira funcionando. A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que o banco dependesse de uma espécie de “rolagem permanente” de capital, captando dinheiro de fundos públicos e institutos de previdência para alimentar sua estrutura financeira.
A Polícia Federal também tentou esclarecer se houve influência política do ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) para viabilizar os esportes e favorecer o Banco Master com os investimentos do Rioprevidência – a autarquia gere transferida e pensões de cerca de 235 mil servidores fluminenses. Até o momento, não há informações, e os investigados negam irregularidades.
“O valor eficaz investido [no Master] foi de aproximadamente R$ 970 milhões, em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master SA, e a operação segue regular, adimplente e cabalmente enquadrada nas disposições legais e prudenciais”, disse o Rioprevidência após as primeiras operações.
Outro ponto analisado pela Polícia Federal é a forma como os investimentos foram planejados internamente, em princípio ignorando pareceres técnicos e alertas sobre o risco elevado de papéis ou relativizados para permitir as operações. O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e órgãos de fiscalização financeira acompanham o caso.
Em meados de 2024, o órgão indicou que cerca de 25% dos recursos do Rioprevidência – o equivalente a R$ 2,6 bilhões – foram aplicados em papéis do Master.
A preocupação central do investigador é que os recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos foram expostos a um risco incompatível com a finalidade especificamente previdenciária do fundo. Em casos assim, a legislação prevê que as aplicações priorizem segurança, liquidez e baixo risco, justamente para evitar perdas que comprometam o pagamento futuro de benefícios.
O Rioprevidência afirmou em manifestações anteriores que as operações seguiram critérios legais e técnicos e que medidas judiciais foram aplicadas para preservar o patrimônio do fundo.

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