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PF diz que Vorcaro bancou luxo do senador Ciro Nogueira

Redação Por Redação
17 de junho de 2026
Em Notícias
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PF diz que Vorcaro bancou luxo do senador Ciro Nogueira
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com


A Polícia Federal (PF) afirma que o banqueiro Daniel Vorcaro bancava um padrão de vida de luxo para o senador Ciro Nogueira (PP-PI) ao mesmo tempo em que recebeu a atuação parlamentar em favor de interesses do Banco Master no Congresso. A conclusão consta em documentos da investigação do caso Master que teve o sigilo levantado nesta terça-feira (16) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o pesquisador, a relação entre os dois envolve uma série de vantagens econômicas e patrimoniais concedidas pelo banqueiro ao senador, em um esquema de benefícios mútuos que “extrapolava relações de mera amizade”. UM Gazeta do Povo O gabinete do senador, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

Na decisão que tornou públicos os documentos, Mendonça reproduz a avaliação da Polícia Federal de que os elementos reunidos apontam, em tese, para um “arranjo funcional e instrumentalmente orientado para obtenção de benefícios mútuos” entre o senador e o banqueiro.

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Para os investigadores, a relação ia além da proximidade pessoal e envolve a utilização do mandato parlamentar em favor de interesses privados ligados ao grupo financeiro comandado por Vorcaro.

Entre as principais acusações denunciadas pela PF está a chamada “Emenda Master”, apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024 para ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Segundo a investigação, a proposta foi elaborada pela assessoria do Banco Master, encaminhada a Vorcaro, impressa e entregue em um envelope endereçado ao senador em sua residência. O texto protocolado no Senado foi reproduzido integralmente a versão produzida pelo banco.

Os investigadores também identificaram a circulação de minutas de outros projetos de interesse do banqueiro entre a residência do senador e pessoas ligadas ao Banco Master.

De acordo com a PF, as propostas relacionadas ao mercado de carbono e à transição energética passaram por um circuito informal de revisão antes de serem encaminhadas ao gabinete parlamentar, com cuidados específicos para evitar que o transporte de documentos fosse associado ao banco ou ao senador.

Em contrapartida, segundo a representação policial, Vorcaro teria proporcionado uma série de vantagens econômicas ao parlamentar. Além de custear viagens internacionais, hospedagens em hotéis de luxo, restaurantes e voos privados, o banqueiro teria colocado à disposição de Ciro Nogueira um imóvel de alto padrão e autorizado o uso de seu cartão de crédito para despesas pessoais.

Segundo a PF, entre os diversos gastos e regalias oferecidos ao parlamentar estão:

  • Viagens e hospedagens de luxo: o banqueiro teria pago hospedagens no hotel Park Hyatt, em Nova York, além de despesas em restaurantes de alto padrão e outros gastos para o senador e seu acompanhante.
  • Uso de cartão de crédito: Os diálogos interceptados revelaram que Daniel Vorcaro orientou o pagamento de contas de Ciro Nogueira em restaurantes e o envio do seu próprio cartão de crédito para o senador utilizar em St.
  • Voos e imóveis: a investigação aponta o custeio de voos privados e a disponibilização gratuita, e por tempo indeterminado, de um imóvel de elevado padrão para uso do parlamentar.

Primo de Vorcaro é apontado como operador financeiro ligado ao núcleo de Ciro Nogueira

Primo do banqueiro Daniel Vorcaro, Felipe Cançado Vorcaro é apontado pela PF como o principal operador financeiro do grupo investigado no caso Master. Segundo o pesquisador, ele conseguiu conectar as decisões estratégicas do núcleo comandado pelo banqueiro à execução das movimentações patrimoniais e societárias que beneficiariam o núcleo político ligado ao senador Ciro Nogueira.

De acordo com a representação da PF, Felipe atuou diretamente em duas frentes consideradas centrais para o esquema. A primeira envolveu a venda de 30% de uma empresa de investimentos para outro ramo imobiliário. A segunda é administrada formalmente por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador.

Embora a participação societária tenha sido avaliada em cerca de R$ 13 milhões, a operação foi encerrada por R$ 1 milhão, diferença que, segundo o pesquisador, representaria uma vantagem econômica indevida em favor do grupo ligado ao parlamentar. A segunda frente disse respeito à chamada parceria utilizada para operacionalizar repasses de periódicos ao núcleo político.

Mensagens extraídas dos aparelhos apreendidos mostram Felipe consultando Daniel Vorcaro sobre a continuidade dos pagamentos mensais de R$ 300 mil. Em uma das conversas reproduzidas pela PF, o banqueiro respondeu afirmativamente e afirma que os repasses eram “muito importantes”. Posteriormente, há referências ao aumento dos valores para R$ 500 mil.

O investigador também afirmou que Felipe recorreu a instrumentos particulares e a um “contrato de gaveta” para permitir que a participação societária adquirida pela empresa ligada à família de Ciro Nogueira gerasse dividendos sem chamar a atenção dos mecanismos de fiscalização.

PF vê impeachment de lavagem de dinheiro para ocultar a origem dos recursos

Além das suspeitas de corrupção envolvendo Daniel Vorcaro e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), a Polícia Federal afirma ter identificado mecanismos destinados a dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos movimentados pelo grupo investigado. Segundo a representação, a estrutura financeira utilizada pelos envolvidos apresentava características típicas de operações de lavagem de dinheiro.

O pesquisador aponta que parte dos valores foi movimentada por meio de empresas ligadas a familiares, operações societárias consideradas atípicas e uso de dinheiro em espécies.

De acordo com a corporação, esse tipo de entrega teria como objetivo reduzir a rastreabilidade dos valores e dificultar a identificação de sua origem. O padrão identificado é apontado pelos investigadores como compatível com práticas de lavagem de dinheiro, em razão da fragmentação das operações e da utilização de estruturas financeiras externas a ocultar os beneficiários finais dos recursos.

A investigação também cita que a parceria entre as empresas teria sido utilizada para formalizar repasses ao núcleo político. Segundo a PF, a empresa ligada à família de Felipe Vorcaro funcionava como fonte primária de recursos, enquanto a companhia vinculada à família de Ciro Nogueira aparecia como destinatária formal dos valores.

Para os investigadores, a combinação dessas estruturas com o uso de numerário em espécie reforça as acusações de ocultação patrimonial e lavagem de capitais apurados no caso.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com o senador Ciro Nogueira, com as defesas de Daniel Vorcaro, de Felipe Cançado Vorcaro e de Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, mas não recebeu retorno de nenhum dos citados. O espaço segue aberto para manifestações.

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Tags: André MendonçaBanco MestrebancouCirociro nogueiracorrupçãoDaniel VorcarodizimóveisluxoNogueiranova yorkPartido Progressista (PP)policia federalSenadosenadorSTFVorcaro
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