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PF desbloqueia celular de Castro e espera avançar nas relações com Master e Refit

Redação Por Redação
15 de junho de 2026
Em Notícias
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PF desbloqueia celular de Castro e espera avançar nas relações com Master e Refit
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com


A Polícia Federal conseguiu desbloquear o aparelho de telefone celular que o ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL-RJ) utilizou no dia a dia e espera retornar nas relações que o político proposto tinha com o banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master, e com o empresário Ricardo Magro, dono da refinaria Refit e considerado o maior devedor de impostos do país.

Segundo a Gazeta do Povo apurou com origem a par das duas investigações, o desbloqueio ocorreu na última semana de um aparelho que Castro se encontrou a fornecer a senha de acesso. Há, ainda, outros dois celulares apreendidos anteriormente nas operações Sem Refino e Compliance Zero, sendo um inativo há anos e outro com apenas dez dias de uso.

Cláudio Castro é investigado em dois casos de uso de máquina pública do governo em benefício próprio e de empresas de empresários. Ele, no entanto, vem negando o envolvimento nos dois casos e, na semana passada, desistiu de disputar a eleição para o Senado pelo estado do Rio de Janeiro.

VEJA TAMBÉM:

  • Café com a Gazeta: Vorcaro cita Moraes em proposta de delação rejeitada pela PF

Castro foi alvo de duas operações da Polícia Federal em menos de uma semana no final do mês de maio, como a Sem Refino, que investiga o envolvimento em um esquema de sonegação de impostos da refinaria Refit, e a oitava fase da Operação Compliance Zero, para facilitar o transporte de R$ 3,6 bilhões da Rioprevidência – a previdência dos servidores fluminenses – em títulos de risco do Banco Master.

Investigadores da Polícia Federal afirmaram que Castro utilizou o mesmo modo de operação para se aproximar mutuamente de empresários e operadores do mercado financeiro, com reuniões e viagens que, posteriormente, geraram decisões administrativas para favorecer interesses privados. O roteiro incluiu encontros reservados, coordenação política dentro do governo e movimentações em órgãos estaduais para atender demandas específicas de grupos empresariais.

Segundo o investigador, a apuração inicial ocorreu para apurar o envolvimento de Castro com Magro para a sonegação de impostos, e o relacionamento com Vorcaro para a aplicação bilionária de recursos do Rioprevidência no Banco Master decorreu da análise do que foi encontrado. Foram identificadas trocas de mensagens e ligações com autoridades conhecidas que podem indicar uma declaração com o banqueiro.

Há, ainda, suspeitas de envolvimento de Castro com ações relacionadas ao crime organizado no estado, que devem ser aprofundadas a partir da análise e triangulação de informações encontradas no aparelho.

Corrupção com maior devedor de impostos

Na Operação Sem Refino, em que Castro foi alvo de mandatos de busca e apreensão, a Polícia Federal sustenta que ele teria atuado para beneficiários interesses do empresário Ricardo Magro e do grupo Refit. A empresa é apontada pela Receita Federal como maior devedora tributária do país, na ordem de R$ 52 bilhões e tendo a sonegação de impostos como estratégia de negócios.

Segundo a investigação, Castro utilizou uma estrutura de governo, incluindo a própria Secretaria de Estado da Fazenda, para destravar medidas consideradas estratégicas para o conglomerado empresarial. A Polícia Federal afirma que as decisões do governo passaram a atender interesses ligados ao setor de combustíveis após aproximações entre empresários e membros da gestão estadual.

“Sob a batuta de Cláudio Castro e mediante suas diretrizes, o estado do Rio de Janeiro direcionou todos os esforços de sua máquina pública, em um verdadeiro regimento multiorgânico em prol do conglomerado capitaneado por Ricardo Magro”, escreveu a autoridade no relatório enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada.

A investigação aponta que o ex-governador e Magro chegou a ter reuniões para tratar da estratégia e, até mesmo, sugerir legislações desenvolvidas a ele. E, ainda, que a Secretaria de Estado da Fazenda teria se tornado uma “extensão da estrutura empresarial” da própria Refit, concedendo benefícios e decisões a favor do empresário e contra concorrentes de mercado.

“Vínculo próximo” com Vorcaro

Já na Operação Compliance Zero, a investigação reforça essa dinâmica de Castro no caso da Rioprevidência. A suspeita é que, após articulações políticas e reuniões com o banqueiro Daniel Vorcaro e operadores ligados ao Banco Master, pelo menos R$ 3,6 bilhões da previdência estadual foram aplicados para papéis de instituição privada.

As apurações indicam que o processo começou com mudanças estratégicas na cúpula do Rioprevidência. Depois das trocas internacionais, o Banco Master teria sido credenciado rapidamente e passou a receber transportes mesmo diante de alertas técnicos e questionamentos de órgãos de controle.

“Castro, na condição de então governador do estado do Rio de Janeiro, mantinha vínculo próximo com Daniel Vorcaro e exerceu papel politicamente relevante para a viabilização dos transportes do Rioprevidência no Banco Master”, escreveu Mendonça na decisão.

As investigações também apontam para a atuação de intermediários responsáveis ​​por aproximar empresários do núcleo político do governo estadual, entre eles o delator da Operação Lava Jato, Ricardo Siqueira Rodrigues, em troca de uma comissão de 0,6% sobre os recursos aplicados pela Rioprevidência no Banco Master — o equivalente a R$ 22 milhões.

A Polícia Federal investiga possíveis crimes de corrupção passiva, gestão fraudulenta, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro nacional. Até o momento, Cláudio Castro nega irregularidades e afirma, por meio da defesa, que não participou de decisões técnicas do Rioprevidência.

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Tags: avançarBanco MestreCastrocelularclaudio castrocorrupçãoDaniel VorcarodesbloqueiaesperaMasternaspolicia federalRefitrelações
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