No endereço de um dos alvos presos na operação Backbone, que prendeu também a esposa e um dos filhos do traficante Marcinho VP nesta segunda-feira (19), a Polícia Federal encontrou uma casa de luxo na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio. Lá, os agentes apreenderam armas, dinheiro em espécie, joias e relógios.
A casa tinha até um elevador de vidro transparente.
Segundo as investigações, o homem preso durante a operação era beneficiário de uma empresa provedora de internet supostamente ligada ao Comando Vermelho.
Márcia Gama Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno, o Lucca, foram alguns dos alvos de mandados de prisão expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Até a última atualização desta reportagem, 19 mandados de prisão haviam sido cumpridos. Outro preso é o vereador do Rio de Janeiro Fabio Silva (Podemos). Ele foi pego em Londrina (PR).
Casa de alvo de operação da Polícia Federal na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste
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Um mandado de prisão foi cumprido contra Márcio Santos Nepumuceno, o Marcinho VP, pai de Oruam e que já estava encarcerado. Não se sabia se Oruam é investigado nesse inquérito.
Polícia Federal apreendeu dinheiro e jóias em casa de luxo na Barra da Tijuca
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Rede de provedores
O objetivo é desarticular a estrutura de provedores do tráfico que operam nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. Essas firmas, segundo a PF, ainda lavam dinheiro para o CV.
A PF afirma que Marcinho VP “continua a controlar as atividades empresariais exploradas nesses territórios, em conjunto com seus familiares e outras lideranças da facção”.
“Os lucros chegavam à família por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem e eram dissimulados em produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão — pagos em dinheiro vivo — e criptoativos”, explicou.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será oficiada para a cassação das outorgas e a interdição dos provedores, com a adoção de providências para assegurar a continuidade do serviço aos moradores das localidades afetadas.
De acordo com as investigações, traficantes armados cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes, impedem reparos e obrigam moradores e comerciantes a contratar a chamada “internet do tráfico”. “Os provedores autorizados pela facção pagam mensalmente uma ‘tarifa’ pelo direito de operar no território”, afirmou a PF.
“Registros contábeis da própria facção indicam que, em um único mês, a cobrança sobre o serviço de internet respondeu por mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha.”
“A exploração desse serviço público tornou-se uma das principais atividades lucrativas do crime organizado e fomenta a guerra pelo controle de territórios: cada comunidade dominada representa uma base de clientes cativos e uma nova fonte de receita para a facção”, explicou a PF.
Os investigados responderão pelo crime de domínio social estruturado, que pune grupos que empregam violência, grave ameaça e coação para impor controle territorial e social, intimidar populações, reprimir autoridades e atacar serviços essenciais.
Os investigados poderão responder também por extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro.
A ação desta segunda-feira se insere no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal que visa a combater organizações criminosas atuantes no RJ, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635.
Fonte: G1

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