O governo do Paraguai convocou nesta quinta-feira (30) o embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes de Carvalho, em resposta às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a guerra entre 1864 e 1870, na qual Brasil, Argentina e Uruguai enfrentaram o país vizinho.
Segundo informações da agência EFE, durante coletiva de imprensa na sede do Ministério das Relações Exteriores em Assunção, o chanceler paraguaio, Rubén Ramírez, afirmou que o governo convocou o diplomata brasileiro para lhe entregar uma nota formal de protesto.
“Temos certeza de que o governo do presidente Santiago Peña, e esta chancelaria nacional, sempre defenderemos os mais altos interesses do Paraguai em todos os âmbitos”, disse o ministro.
Em visita à empresa Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), na sexta-feira passada (24), Lula citou a Guerra do Paraguai em uma fala na qual abordou a necessidade do Brasil investir em defesa.
“Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, um dia, o Paraguai decidiu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina. E essa guerra, que parecia que não ia dar em nada, durou cinco anos”, disse o presidente.
A declaração foi refutada pelos parlamentares e pelo vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, que pediu que o Brasil devolvesse o canhão El Cristiano, levado como troféu de guerra e que hoje está exposto no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro.
“A diplomacia tem seus tempos e seus mecanismos de comunicação. A comunicação, em algumas graças, é por meio de um documento, de um comunicado, e nesta ocasião nossa comunicação tem sido ativa e ao mais alto nível”, disse Ramírez nesta quinta-feira, respondendo às acusações de que o governo do presidente Santiago Peña teria demorado para tomar medidas sobre o assunto.
Nesse sentido, o ministro afirmou que discutiu “pessoalmente” o tema com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, com quem se reuniu em Lima à margem da posse da nova presidente peruana, Keiko Fujimori, na terça-feira (28).
Além disso, afirmou que, como consequência dessas conversas, Peña e Lula conversaram por telefone sobre o assunto, tema que classificou como “delicado”.
Ramírez também destacou “a coincidência” da opinião da população com o governo paraguaio sobre as declarações de Lula e afirmou que “a dignidade do Paraguai não se negocia”.

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