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‘Nunca perdi a esperança’, ‘a paz retorna’: familiares de vítimas do voo 447 reagem à reportagem da Air France e da Airbus

Redação Por Redação
24 de maio de 2026
Em Notícias
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‘Nunca perdi a esperança’, ‘a paz retorna’: familiares de vítimas do voo 447 reagem à reportagem da Air France e da Airbus
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com



‘Nunca perdi a esperança’, ‘a paz retorna’: familiares de vítimas do voo 447 reagem à reportagem da Air France e da Airbus
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Fragata chegando ao Porto de Recife com destroços do avião da Air France Roberto Maltchik/Agência Brasil No dia 31 de maio de 2009, Adriana Francisca Van Sluys, de 40 anos, embarcou no voo 447 da Air France. Assessora de comunicação da Petrobras, a jornalista viajava a trabalho para a Coreia do Sul. Mas ela nunca desembarcou no Aeroporto Charles de Gaulle, na capital francesa. O Airbus A330 em que viajava caiu, em meio a uma tempestade, quando fazia o trajeto entre o Rio de Janeiro e Paris. Adriana foi uma das 228 vítimas do voo 447 da Air France. Quase 17 anos depois da tragédia, que matou 216 passageiros e 12 tripulantes, a Justiça francesa condenou por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) a companhia aérea e o fabricante de aeronaves. “Era uma decisão que aguardávamos ansiosamente desde 2023, quando as duas empresas foram inocentes. Tínhamos todas as razões para crer na reversão daquela decisão absurda”, afirma o gerente de hotelaria Maarten Van Sluys, de 66 anos, irmão de Adriana. “No meu caso, nunca perdi a esperança. Sabia que, mais cedo ou mais tarde, a justiça seria feita. Para isso, atuamos de forma resiliente e estratégica.” Quem também estava no voo 447 da Air France era a médica Bianca Machado Cotta, de 25 anos, e o marido, o procurador federal Carlos Eduardo Lopes de Mello, de 33. Recém-casados, estavam em viagem de lua de mel para a França. “Recebi a notícia com serenidade. Sabia que, um dia, as evidências prevaleceriam. Como nada traria minha filha e meu gênero de volta, continuei ao longo dos anos as pesquisas no tema que deflagrou o acidente. Esperava pelo momento de encerrar o ciclo do meu luto”, afirma o engenheiro Renato Machado Cotta, de 66 anos, pai de Bianca. Marteen segurando uma foto da irmã Adriana; mulher morreu em acidente de avião em 2009 Arquivo pessoal “Agora que tudo foi esclarecido e especificamente especificado, a paz retorna em meu íntimo. Estou particularmente feliz pelas famílias dos pilotos.” Vice-presidente da Associação de Familiares das Vítimas do Voo Air France 447, Maarten declarou que ainda não está claro se cabe recurso. “Essa demanda judicial reabre feridas. Mas a vontade de lutar por nossos familiares supera todas as dores que sentimos a cada nova etapa.” “O recurso é um direito das empresas. Pelo que entendi, na Corte Suprema, não são reanalisadas como provas, mas o processo legal em si e a aplicação da lei. Talvez o tempo não se estenda tanto”, pondera Renato. A Air France e a Airbus foram condenadas a pagar, cada uma, uma multa de 225 mil euros, o equivalente hoje a cerca de R$ 1,3 milhão. Segundo Maarten, esse é o valor estabelecido pela Justiça Francesa para essas situações. “Muito além dos valores monetários, trata-se de uma questão moral”, afirma Maarten. “Queremos acordar todas as manhãs sabendo e podendo dizer quem foram os culpados pela tragédia. Aliás, insisto em não chamar o que aconteceu de acidente. Foi um homicídio, como agora a Justiça determinou em sentença.” “O valor é simbólico, mas a expressa em si, não. Tanto que as empresas já se manifestaram quanto a intenção de recorrer. Efeitos econômicos colaterais deverão ocorrer”, acrescenta Renato. Dos 216 passageiros a bordo, 59 eram brasileiros “Adriana era uma pessoa encantadora. Era jornalista e defensora de causas humanitárias”, descreveu Maarten. “Caso eu estivesse naquele avião, ela faria tudo que fiz para conseguir justiça.” “Adriana viveu 40 anos bem vívidos. Por onde andou, fez amigos e guardou alegria. Todos os dias eu me lembro dela e considero um farol para a busca de virtudes.” VÍDEO: Relembre a queda do voo AF 447 da Air France em 2009 “A saudade é companheira no dia a dia, nem eu gostaria que fosse diferente”, arremata Renato, o pai de Bianca. “Lembro de tudo, desde a primeira fralda até o seu lindo casamento, que eu não sabia que era uma despedida deles.” O Airbus A330 pousou dos radares durante uma tempestade, e seus destroços foram encontrados após uma longa busca em uma área de 10 mil quilômetros quadrados do fundo do mar. A caixa preta foi encontrada após buscas em alto mar, em 2011. Todos os 12 tripulantes e 216 passageiros a bordo morreram quando o avião caiu no mar de um mês de altura de 11.580 metros — tornando-se o acidente mais mortal da história da aviação francesa. Durante as alegações finais do julgamento em novembro, os promotores afirmaram que o comportamento das empresas havia sido “inaceitável”, acusando-as de “proferir absurdos e inventar argumentos”. Tanto a Airbus quanto a Air France negaram repetidamente as acusações, e analistas jurídicos acreditam que elas irão recorrer novamente. A BBC entrou em contato com a Airbus e a Air France em busca de uma manifestação das empresas. O acidente aéreo desencadeou uma complexa operação de resgate em uma área remota do Oceano Atlântico, a mais de 1.127 km da costa da América do Sul. Durante as buscas iniciais, o governo francês ficou responsável pela investigação do acidente, enquanto as forças brasileiras assumiram a responsabilidade pela recuperação dos corpos. Nos primeiros 26 dias de buscas, 51 corpos foram recuperados, muitos ainda presos aos cintos de segurança. O pai de uma das vítimas disse à BBC News Brasil em 2019 que só conseguiu enterrar os restos mortais do filho mais de dois anos após o acidente. Seu filho, Nelson Marinho Filho, um engenheiro de 40 anos, quase perdeu o voo que partiu do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, e foi o último a embarcar, segundo funcionário da Air France. A dor das famílias das vítimas de voo da Air France: ‘Para cada morto, 5 vidas destroçadas’ ‘Sobrevivi oito dias na selva, gravemente ferida, após ser a única a escapar de um acidente de avião’ Por que a turbulência nos voos está ficando mais forte e frequente
Fragata chegando ao Porto de Recife com destroços do avião da Air France Roberto Maltchik/Agência Brasil No dia 31 de maio de 2009, Adriana Francisca Van Sluys, de 40 anos, embarcou no voo 447 da Air France. Assessora de comunicação da Petrobras, a jornalista viajava a trabalho para a Coreia do Sul. Mas ela nunca desembarcou no Aeroporto Charles de Gaulle, na capital francesa. O Airbus A330 em que viajava caiu, em meio a uma tempestade, quando fazia o trajeto entre o Rio de Janeiro e Paris. Adriana foi uma das 228 vítimas do voo 447 da Air France. Quase 17 anos depois da tragédia, que matou 216 passageiros e 12 tripulantes, a Justiça francesa condenou por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) a companhia aérea e o fabricante de aeronaves. “Era uma decisão que aguardávamos ansiosamente desde 2023, quando as duas empresas foram inocentes. Tínhamos todas as razões para crer na reversão daquela decisão absurda”, afirma o gerente de hotelaria Maarten Van Sluys, de 66 anos, irmão de Adriana. “No meu caso, nunca perdi a esperança. Sabia que, mais cedo ou mais tarde, a justiça seria feita. Para isso, atuamos de forma resiliente e estratégica.” Quem também estava no voo 447 da Air France era a médica Bianca Machado Cotta, de 25 anos, e o marido, o procurador federal Carlos Eduardo Lopes de Mello, de 33. Recém-casados, estavam em viagem de lua de mel para a França. “Recebi a notícia com serenidade. Sabia que, um dia, as evidências prevaleceriam. Como nada traria minha filha e meu gênero de volta, continuei ao longo dos anos as pesquisas no tema que deflagrou o acidente. Esperava pelo momento de encerrar o ciclo do meu luto”, afirma o engenheiro Renato Machado Cotta, de 66 anos, pai de Bianca. Marteen segurando uma foto da irmã Adriana; mulher morreu em acidente de avião em 2009 Arquivo pessoal “Agora que tudo foi esclarecido e especificamente especificado, a paz retorna em meu íntimo. Estou particularmente feliz pelas famílias dos pilotos.” Vice-presidente da Associação de Familiares das Vítimas do Voo Air France 447, Maarten declarou que ainda não está claro se cabe recurso. “Essa demanda judicial reabre feridas. Mas a vontade de lutar por nossos familiares supera todas as dores que sentimos a cada nova etapa.” “O recurso é um direito das empresas. Pelo que entendi, na Corte Suprema, não são reanalisadas como provas, mas o processo legal em si e a aplicação da lei. Talvez o tempo não se estenda tanto”, pondera Renato. A Air France e a Airbus foram condenadas a pagar, cada uma, uma multa de 225 mil euros, o equivalente hoje a cerca de R$ 1,3 milhão. Segundo Maarten, esse é o valor estabelecido pela Justiça Francesa para essas situações. “Muito além dos valores monetários, trata-se de uma questão moral”, afirma Maarten. “Queremos acordar todas as manhãs sabendo e podendo dizer quem foram os culpados pela tragédia. Aliás, insisto em não chamar o que aconteceu de acidente. Foi um homicídio, como agora a Justiça determinou em sentença.” “O valor é simbólico, mas a expressa em si, não. Tanto que as empresas já se manifestaram quanto a intenção de recorrer. Efeitos econômicos colaterais deverão ocorrer”, acrescenta Renato. Dos 216 passageiros a bordo, 59 eram brasileiros “Adriana era uma pessoa encantadora. Era jornalista e defensora de causas humanitárias”, descreveu Maarten. “Caso eu estivesse naquele avião, ela faria tudo que fiz para conseguir justiça.” “Adriana viveu 40 anos bem vívidos. Por onde andou, fez amigos e guardou alegria. Todos os dias eu me lembro dela e considero um farol para a busca de virtudes.” VÍDEO: Relembre a queda do voo AF 447 da Air France em 2009 “A saudade é companheira no dia a dia, nem eu gostaria que fosse diferente”, arremata Renato, o pai de Bianca. “Lembro de tudo, desde a primeira fralda até o seu lindo casamento, que eu não sabia que era uma despedida deles.” O Airbus A330 pousou dos radares durante uma tempestade, e seus destroços foram encontrados após uma longa busca em uma área de 10 mil quilômetros quadrados do fundo do mar. A caixa preta foi encontrada após buscas em alto mar, em 2011. Todos os 12 tripulantes e 216 passageiros a bordo morreram quando o avião caiu no mar de um mês de altura de 11.580 metros — tornando-se o acidente mais mortal da história da aviação francesa. Durante as alegações finais do julgamento em novembro, os promotores afirmaram que o comportamento das empresas havia sido “inaceitável”, acusando-as de “proferir absurdos e inventar argumentos”. Tanto a Airbus quanto a Air France negaram repetidamente as acusações, e analistas jurídicos acreditam que elas irão recorrer novamente. A BBC entrou em contato com a Airbus e a Air France em busca de uma manifestação das empresas. O acidente aéreo desencadeou uma complexa operação de resgate em uma área remota do Oceano Atlântico, a mais de 1.127 km da costa da América do Sul. Durante as buscas iniciais, o governo francês ficou responsável pela investigação do acidente, enquanto as forças brasileiras assumiram a responsabilidade pela recuperação dos corpos. Nos primeiros 26 dias de buscas, 51 corpos foram recuperados, muitos ainda presos aos cintos de segurança. O pai de uma das vítimas disse à BBC News Brasil em 2019 que só conseguiu enterrar os restos mortais do filho mais de dois anos após o acidente. Seu filho, Nelson Marinho Filho, um engenheiro de 40 anos, quase perdeu o voo que partiu do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, e foi o último a embarcar, segundo funcionário da Air France. A dor das famílias das vítimas de voo da Air France: ‘Para cada morto, 5 vidas destroçadas’ ‘Sobrevivi oito dias na selva, gravemente ferida, após ser a única a escapar de um acidente de avião’ Por que a turbulência nos voos está ficando mais forte e frequente[/gpt3]

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