O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de inquéritos relacionados ao caso Master, do qual é relator, nesta terça-feira (16). Documentos emitidos pela Polícia Federal (PF) ao ministro mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro financiou uma vida luxuosa para o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Em contrapartida, o parlamentar atuou em favor dos interesses do banco no Congresso, de acordo com o relatório da PF.
Mas o senador não foi o único político que teve despesas pagas por Vorcaro. Os documentos citam registros de viagens e hospedagens pagas para o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Em outro inquérito, a PF publicou as ameaças feitas pela irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, à família de Vorcaro. Joana Mourão teria ameaçado expor informações que poderiam “acabar com a família inteira” do banqueiro. A irmã de Sicário também publicou ter recebido vídeos com mensagens intimidatórias informando que ela e a mãe seriam mortas.
VEJA TAMBÉM:
-

Mendonça enfrentou Gilmar após comparação do caso Master à Lava Jato
-

Mendonça diz ter recusado proposta de “delação seletiva” de Vorcaro: “Perderam o pudor”
Luxos bancados por Vorcaro a Ciro Nogueira
Os documentos enviados pela PF a Mendonça apontam que Vorcaro mantém uma relação de benefícios mútuos com o senador Ciro Nogueira. Segundo o pesquisador, a proximidade entre os dois extrapola uma amizade pessoal e envolve vantagens econômicas concedidas ao parlamentar em troca de atuação em prol dos interesses do Banco Master.
A PF afirma que um dos principais fingimentos de atuação foi a chamada “Emenda Master”, apresentada por Ciro Nogueira em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). De acordo com a investigação, a proposta teria sido elaborada pela assessoria do banco, encaminhada a Vorcaro e posteriormente apresentada pelo senador. O pesquisador também identificou a circulação de minutas de outros projetos de interesse do banqueiro entre pessoas ligadas ao Banco Master e ao gabinete parlamentar.
Em contrapartida, segundo a PF, Vorcaro teria custeado uma série de despesas e regalias para Ciro Nogueira. A investigação cita hospedagens em hotéis de luxo em Nova York, gastos em restaurantes de alto padrão, voos privados e viagens internacionais. O pesquisador também aponta ainda que o banqueiro teria fornecido ao senador um imóvel de alto padrão e autorizado o uso de seu cartão de crédito para despesas pessoais, inclusive durante uma viagem.
Na decisão que tornou públicos os documentos, Mendonça reproduz a avaliação da PF de que os elementos reunidos indicam, em tese, um retorno à obtenção de benefícios mútuos entre o senador e o banqueiro.
Ciro Nogueira foi procurado pela reportagem da Gazeta do Povomas não se manifestou até a publicação da matéria. O espaço segue aberto.
VEJA TAMBÉM:
-

PF diz que Vorcaro bancou luxo de Ciro Nogueira enquanto senador atuou em favor do Mestre
-

As viagens de Hugo Motta e Ciro Nogueira, bancadas por Vorcaro
Motta também teve despesas custeadas pelo dono do Master
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também é citado em documentos de investigação sobre o banqueiro Daniel Vorcaro que foi encaminhado pela PF ao ministro André Mendonça. Os relatórios registam viagens em aeronaves privadas ligadas ao empresário e despesas de hospedagem atribuídas a Motta pagas por Vorcaro.
Segundo a PF, mensagens de WhatsApp mostram que Motta foi mencionado em conversas sobre a organização de voos em jatos particulares de Vorcaro. Em alguns diálogos, ele aparece ao lado do senador Ciro Nogueira em listas de passageiros e em grupos relacionados à logística de deslocamentos. Para o pesquisador, os registros ajudam a mapear a oferta de benefícios do banqueiro a políticos e autoridades.
A investigação também concordou com o pagamento de hospedagens durante uma viagem a Lisboa, em junho de 2024. Conversas comprovadas pela PF mostram que Vorcaro solicitou uma reserva de quartos em um hotel de luxo na capital portuguesa para ele mesmo, para Ciro Nogueira e para Hugo Motta. Os pesquisadores localizaram ainda uma nota de cobrança de cinco diárias no hotel, no valor de 3.155,71 euros, cerca de R$ 20 mil.
Ao comentar o caso, Motta afirmou que há “muita tranquilidade” em relação às investigações e disse não enxergar irregularidades nos fatos relatados. Sobre a hospedagem em Lisboa, declarou que participou de um evento jurídico tradicional e que não considerou inadequado o custeio da viagem. O presidente da Câmara não é investigado formalmente no inquérito.
VEJA TAMBÉM:
-

PF cita Hugo Motta em investigação sobre benefícios pagos por Daniel Vorcaro
Ameaças entre as famílias de Sicário e de Vorcaro
Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) e encaminhadas ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mostram que Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecida como “Sicário”, ameaçou divulgar informações que, segundo ela, poderiam comprometer gravemente a família de Vorcaro.
Nas conversas, Joana atribuiu à família Vorcaro a responsabilidade pela situação financeira enfrentada por ela e sua mãe após a morte do irmão, que se suicidou após ser preso na Operação Compliance Zero. Em uma das mensagens, ela afirma ter material capaz de “acabar com a família inteira” e ameaça entregar as informações à imprensa nacional.
Joana também relatou que ela e a mãe continham ameaças de morte. Segundo as mensagens, os dois vídeos recebidos exibindo fuzis acompanhados de avisos de que seriam assassinadas. Ela afirmou que as ameaças, somadas ao medo de ser presa ou vítima de golpes, provocaram fortes abalos emocionais e físicos, levando-a a perder peso e enfrentar dificuldades para dormir e se alimentar.
Segundo a PF, as declarações geraram preocupação entre os investigados. A corporação tratativa envolve o bicheiro Manoel Rodrigues, como conhecido Manolo, e Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, para transferência e recursos ativos à família do Sicário.
Para o pesquisador, o objetivo seria conter a crise, evitar que informações armazenadas em serviços digitais chegassem às autoridades e silenciassem possíveis testemunhas. O relatório também descreve a atuação de Manolo à frente de uma estrutura de segurança armada e cita suspeitas de intimidação contra ex-funcionários ligados ao grupo.
Além disso, a PF aponta para que pessoas próximas aos investigados buscassem monitorar investigações em andamento, inclusive por meio do acesso a documentos internos da própria corporação encontrados durante as apurações.
A defesa de Vorcaro foi procurada pela reportagem, mas não deu retorno até a publicação da matéria. O espaço segue aberto.
VEJA TAMBÉM:
-

Irmã de Sicário disse ter material para “acabar com a família inteira” de Vorcaro













Deixe o Seu Comentário