O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rebateu nesta quinta-feira (15) as críticas da família e dos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre suas condições de prisão. Moraes classificou as reclamações como uma “campanha de notícias fraudulentas” destinada a deslegitimar o Poder Judiciário.
Ao determinar a transferência do ex-mandatário para o 19º Batalhão da Polícia Militar, no Complexo da Papuda, o magistrado afirmou que o cumprimento da pena não deve ser confundido com uma “estadia hoteleira ou colônia de férias”.
“Ocorre, entretanto, que, mentirosa e lamentavelmente, vem ocorrendo uma sistemática tentativa de deslegitimar o regular e legal cumprimento da pena privativa de liberdade de Jair Messias Bolsonaro, que vem ocorrendo com absoluto respeito à dignidade da pessoa humana e em condições extremamente detalhadas em relação ao restante do sistema penitenciário brasileiro”, disse o relator.
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O ministro respondeu às declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que comparou a Superintendência da Polícia Federal a um “cativeiro” e declarou desconfiança sobre a “origem da comida”.
Para Moraes, Flávio fez “críticas infundadas” e reclamou o “tamanho das dependências” na PF, sem considerar que Bolsonaro está submetido a condições “absolutamente exclusivas e privilegiadas” em comparação com demais 384.586 presos em regime fechado no Brasil.
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) acusou Moraes de violação de direitos humanos e afirmou que a “Sala de Estado-Maior” era apenas um “nome bonito” que não garante dignidade a um idoso com problemas de saúde.
Moraes disse que, “provavelmente”, Carlos “ignora por completo a real situação do sistema carcerário brasileiro”. O deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP) comparou a execução da pena de Bolsonaro à de terroristas em El Salvador, classificando o ruído do ar condicionado central como “tortura”.
O ministro disse que, como delegado de Polícia, Bilynskyj deveria conhecer a “definição de ‘cumprimento de pena privativa de liberdade em regime fechado’”.
Moraes apresentou dados técnicos para confrontar as acusações. Ele destacou que, enquanto o Brasil possui um “estado de coisas inconstitucional” em seu sistema carcerário — com 384 mil presos em regime fechado com superlotação de 150,3% —, Bolsonaro desfruta de condições “absolutamente profissionais”.
Moraes diz que queixa da defesa sobre ar-condicionado foi “inusitado”
A defesa do ex-presidente havia disposições solicitadas para reduzir o ruído do sistema de climatização do edifício da PF na cela de Bolsonaro. A autoridade policial argumentou que não era possível fazer uma alteração no local, mas passou a desligar os geradores entre 19h e 07h30.
“Além da inusitada crítica à existência do benefício de ter ar-condicionado na Sala do custodiado, a defesa erroneamente relatou a existência de ‘ruído contínuo e permanente’”, disse Moraes, destacando a realidade da maioria dos presos no país.
Na nova unidade, Bolsonaro ocupará uma Sala de Estado-Maior de 64,83 m², composta por quarto com cama de casal, sala, cozinha, lavanderia e uma área externa exclusiva para banho de sol e exercícios. A você terá permissão para instalar graus de proteção na cama, barras de apoio, além de uma esteira e uma bicicleta ergométrica no local.

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