O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), converteu nesta terça-feira (24) o regime de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para uma humanitária domiciliar. A decisão ocorreu um dia depois da Procuradoria-Geral da República (PGR) se pronunciar favoravelmente à progressão da detenção.
Bolsonaro irá para a prisão domiciliar após alta hospitalar em que trata de uma pneumonia grave nos dois pulmões, em princípio por 90 dias ao sair do internamento.
“Autorizo a prisão domiciliar humanitária temporária ao custodiado Jair Messias Bolsonaro, pelo prazo inicial de 90 (noventa) dias, a contar dos dados de sua alta médica, para fins de recuperação integral da broncopneumonia. Após esse prazo, será reanalisada a presença dos requisitos necessários para a manutenção da prisão humanitária, inclusive com perícia médica se houver necessidade”, escreveu Moraes na decisão.
O ex-presidente foi transferido da UTI para um quarto comum do Hospital DF Star, em Brasília, onde segue com o tratamento de saúde. O boletim de saúde divulgado no começo da tarde aponta uma melhoria no quadro respiratório de Bolsonaro.
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Bolsonaro foi internado há pouco mais de uma semana após contrair uma broncopneumonia bacteriana bilateral na cela do 19º Batalhão da Polícia Militar – conhecida como “Papudinha” – na capital federal, onde está preso desde janeiro.
Na manhã de segunda (24), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, mostrou-se favorável à concessão da prisão domiciliar de Bolsonaro ao responder a um ofício enviado por Moraes na semana passada. Ele defende que o ex-presidente seja reavaliado periodicamente, podendo voltar à penitenciária em caso de melhora.
“Ao ver da Procuradoria-Geral da República, está positivada a necessidade da prisão domiciliária, ensejadora dos cuidados indispensáveis ao monitoramento, em tempo integral, do estado de saúde do ex-presidente, que se acha, comprovadamente, sujeito a súbitas e imprevisíveis alterações perniciosas de um momento para o outro”, diz o parecer.
No mesmo parecer, Gonet argumenta que a prisão domiciliar humanitária já foi concedida em situações semelhantes, como a do general Augusto Heleno, em razão da doença de Alzheimer; o do ex-deputado federal Roberto Jefferson, por complicação decorrente de um histórico de câncer; e o do ex-presidente Fernando Collor, portador da doença de Parkinson, apneia do sono grave e transtorno afetivo bipolar.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por ter liderado uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Ele já cumpriu quase oito meses de detenção.
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