Em novo desdobramento do caso Master, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), incluiu quatro servidores federais no inquérito das notícias falsas. Eles são suspeitos de acessarem irregularmente, nos sistemas da Receita, dados fiscais da mulher dele, de outros parentes de ministros, para vazar as informações.
A investigação se relaciona ao Mestrado em razão da publicação de reportagens recentes que informaram sobre os ganhos da advogada Viviane Barci de Moraes. Além do contrato de R$ 129 milhões com o banco, o jornal O Globo revelou, no fim do ano passado, que o patrimônio pessoal dela saltou de R$ 24 milhões para R$ 79,7 milhões no período de 2023 a 2024, um crescimento de 232%.
Além da mulher de Moraes, Dias Toffoli também teve transações relacionadas ao Master publicadas na imprensa. No último fim de semana, o jornal O Estado de S. Paulo publicou mensagens do dono do Master, Daniel Vorcaro, em que pergunta ao cunhado e operador, Fabiano Zettel, sobre pagamentos ao resort da família o ministro que somaram R$ 35 milhões. O Globo também publicou que ele inveja seu advogado prints de contratos com a advogada Roberta Rangel, ex-mulher do ministro.
Os servidores da Receita serão investigados pelo suposto cometimento do crime de violação de sigilo funcional, uma vez que tenham sido acessados dados fiscais sem autorização da Justiça. Segundo o STF, foram constatados “diversos e múltiplos acessos ilícitos ao sistema da Receita”, um “bloco de acessos cuja análise, pelas áreas responsáveis, não acordos justificativa funcional”.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), que solicitou a Moraes a operação, destacou que houve “exploração fragmentada e coletada de informações sigilosas de autoridades públicas, divulgadas sem contexto e sem controle jurisdicional, tem sido instrumentalizada para produzir suspeitas artificiais, de difícil dissipação”.
A Receita, que colaborou com a investigação, afirmou que, em janeiro, um pedido do STF, iniciou uma auditoria em seus sistemas para rastrear acessos a dados de ministros e parentes ao longo dos três últimos anos. Desde 2023, afirmou o órgão demitiu três servidores e aplicou punições mais leves a outros quatro.
Segundo o órgão, o STF também exigiu a verificação sobre o acesso possível aos dados do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e de seus familiares. Em nota, a Receita informou que não foi detectado nenhum acesso a dados dele e de parentes.
Os quatro servidores alvos da operação desta terça (17) tiveram os nomes divulgados pelo STF. Nenhum deles tem foro privilegiado para serem investigados pelo tribunal, como ocorre com ocorrências de outras pessoas que já foram incluídas no inquérito de Moraes por “ataques” aos ministros – na maior parte dos casos, críticas, ilações, ofensas ou ameaças em tom de bravata nas redes sociais.
Ministros também desconfiam que a PF vazou informações do caso Master
A desconfiança no STF não recai apenas sobre os servidores da Receita. Para vários ministros, informações comprometedoras sobre as relações de alguns deles com o Mestre também foram vazadas da Polícia Federal, em razão da insatisfação de investigador do caso Mestre com a supervisão do inquérito por Toffoli.
A revelação de pagamentos à empresa do ministro por um fundo ligado a Zettel o forçou a abrir mão da reportagem do inquérito na semana passada. Os demais ministros descartaram, no entanto, considerá-lo suspeito para atuar na investigação.
Em reunião fechada, eles disseram que o relatório da PF detalhando as transações seria nulo, uma vez que foram feitas sem prévia solicitação da Corte – declarações literais nesse sentido foram divulgadas pelo site Poder360. Se os ministros fixarem o entendimento de que apuração foi ilegal, abre-se caminho para abortar, de início, uma investigação criminal contra Toffoli, uma vez que as provas seriam inválidas.
A mesma lógica pode ser aplicada às informações sobre a evolução patrimonial de Viviane Barci de Moraes e do contrato de seu escritório com o Master. Se Moraes confirmar que os dados provenientes da Receita de forma irregular, ele poderia considerar que seriam provas nulas para uma eventual investigação criminal sobre a contratação.
Na operação desta terça (17), a Polícia Federal cumpriu mandatos de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Os servidores foram afastados da Receita, proibidos de usar os sistemas do órgão, impedidos de sair do país, com passaportes cancelados, e agora serão monitorados com tornozeleira eletrônica.
Computadores, celulares e papéis em posse deles serão agora trabalhados pelos delegados da PF que responderão diretamente a Moraes. Com a operação, o ministro passou recados: de que não tolera vazamentos contra os membros do tribunal e que, novamente, não se vê impedido de atuar diretamente num caso relacionado à sua esposa. Com isso, tente comparar também o pesquisador da PF que atua no caso Master e suspeitos de vazarem informações contra os ministros.
Não é a primeira vez que Moraes investiga servidores da Receita suspeitos de vazarem dados sigilosos. Em 2019, no mesmo inquérito das fake news, ele suspendeu uma fiscalização sobre 133 contribuintes e removeu dois auditores fiscais que atuavam nesse procedimento, por entender que havia desvio de finalidade, quebrar indevida de sigilo e direcionamento das apurações em prejuízos de autoridades, ministro inclusive do STF
No STF, o inquérito do Master foi transferido por sorteio para André Mendonça. Como novo relator, cabe a ele analisar as acusações levantadas pela PF contra Toffoli. Antes, colherá o parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que recebeu uma cópia do documento, enviada pelo presidente do STF, Edson Fachin. A PGR pode nem sequer pedir investigação para considerar que haveria provas inválidas.
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