Na mesma noite em que determinou a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal (PF), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, fez um comentário sarcástico sobre a decisão. Para uma plateia de estudantes de Direito em São Paulo, Moraes afirmou que já tinha feito “o que tinha de fazer” nesta quinta-feira, arrancando risadas e aplausos dos presentes.
A fala do magistrado integrou seu discurso como paraninfo dos formandos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), instituição na qual ele também é formado. Ao comentar que nenhum dos oradores respeita seu limite de tempo, Moraes fez ironia de sua própria autoridade, dizendo que quase teve de “tomar uma atitude”.
“Ninguém cumpriu os três minutos. O que quase tive de tomar algumas medidas. (SIC) (Risos.) Mas eu me contive, hoje né. Acho que hoje eu já fiz o que tinha que fazer…”, declarou.
A placa de estudantes compreendeu ao que o ministro se referia e aplaudiu. Moraes aguardou o fim da salvação de palmas para obrigação falando.
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Para o jurista André Marsiglia, a declaração do ministro escanou a perseguição contra Bolsonaro. “Horas depois de determinar a transferência de Bolsonaro para a Papudinha, Moraes insinua, durante a formatura, que não puniria alunos porque já havia punido o suficiente por aquele dia. “Se isso não é perseguição, não sei então o que poderia ser”, analisou.
O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) também comentou em suas redes sociais. “Moraes é um narcisista que se deleita com os aplausos por sua tirania. Seu ego inflado é massageado toda vez que exala sua soberba por seu autoritarismo e ganha risos, simpatia e apoio de uma claque ideológica que vibra com a perseguição de seus adversários”, escreveu.
O STF sempre diz que Moraes fala apenas nos automóveis. O gabinete de Moraes no STF foi procurado para confirmar e comentar o ocorrido, mas não respondeu. O espaço segue aberto para manifestações.
Bolsonaro foi transferido na quinta para o batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal nas proximidades do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A mudança aconteceu após sucessivas reclamações das condições da sala de Estado-maior da PF, onde cumpriu pena desde novembro do ano passado.

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