
Cientistas brasileiros participam de missão para buscar planetas semelhantes à Terra
Pesquisadores europeus se preparam para uma nova missão explorando o espaço. Dessa vez, com a ajuda de cientistas brasileiros.
Plato é uma missão caça-planetas. E planetas bem específicos: distantes, sólidos como a Terra, com temperaturas parecidas com as nossas e possibilidade de ter água na superfície. E o Brasil está junto da Agência Espacial Europeia nessa busca.
“O satélite Plato tem um especial interesse em buscar planetas nos quais há uma maior chance de haver algum tipo de vida”, conta Roberto Menezes, astrofísico e pesquisador do Instituto Mauá de Tecnologia.
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Os olhos que vão observar esses planetas estão no satélite – hoje em Munique, na Alemanha. Em março de 2027, ele vai ser lançado do Centro Espacial Europeu, na Guiana Francesa. Um mês depois do lançamento, o satélite vai chegar a um ponto no espaço que fica a 1,5 milhão de quilômetros daqui. Lá, ele vai ser posicionado de costas para a Terra e para o Sol, com 26 câmeras supersensíveis apontadas para onde os cientistas acreditam que planetas com aquelas características podem existir. As câmeras vão observar a luz que vem de milhares de estrelas para descobrir se existem planetas orbitando em volta delas.
“Se esse planeta passar entre a estrela e o satélite que está observando, ocorrerá um eclipse, que vai resultar em uma diminuição do brilho observado da estrela, que poderá ser detectada então pela curva de luz. E esse método para detectar exoplanetas, ou seja, planetas fora do nosso sistema solar, é conhecido como método do trânsito planetário”, explica Roberto Menezes.
Missão Plato, que conta com cientistas brasileiros, lançará 26 câmeras para tentar detectar planetas parecidos com a Terra
Jornal Nacional/ Reprodução
O Brasil participa da missão Plato com os Simucams, simuladores que reproduzem, com alta precisão, o comportamento das câmeras do satélite. Os equipamentos foram desenvolvidos no Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano, na região do ABC. Eles permitem testar os sistemas para encontrar e resolver problemas antes do lançamento e treinar a equipe para desenvolver soluções quando o satélite já estiver no espaço.
“O simulador permite que eles façam todo tipo de teste, todo tipo de cenário que eles conseguirem imaginar que possa vir a ocorrer no espaço e estarem prontos para qualquer situação”, afirma Rodrigo França, pesquisador responsável pelo Simucam.
A parceria com a Agência Espacial Europeia tem uma contrapartida importante para o Brasil: todas as descobertas da missão Plato vão ser compartilhadas com os cientistas brasileiros. O responsável pelo projeto no instituto conta que o ganho para a ciência brasileira começou no início da parceria, há 15 anos.
“Quando a gente foi convidado para fazer os simuladores, os europeus precisaram contar para a gente: ‘Olha, eu preciso que ele tenha essas características’. Quando ele conta o que ele precisa, ele basicamente me transfere conhecimento. Quando eu devolvo, eles validam e eles falam: ‘Olha, o que você fez está ok’. Vai ter uma próxima geração de cientistas em 2031, 2032, que vai ter dados para fazer ciência de primeira linha”, conta Vanderlei Parro, responsável pelo projeto no Instituto Mauá de Tecnologia.
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Fonte: G1















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