O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (10), que o mundo vive um momento delicado em que “mentiras nas redes digitais” são difundidas tanto pela direita como pela esquerda em detrimento de narrativas e argumentos. As críticas do petista às plataformas se tornaram frequentes em seus discursos como uma defesa pela regulação.
A nova crítica foi feita durante um discurso na sétima sessão plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social e Sustentável, conhecido como “Conselhão”, que reúne representantes da sociedade civil e do empresário para debater e formular políticas públicas.
“Estamos vivendo um momento muito delicado na política e na humanidade. A narrativa e o argumento não valem mais nada. O que vale é a rapidez da mentira nas redes digitais, e tanto para a direita quanto para a esquerda é uma disputa simplesmente do quanto mais curto, melhor, e do quanto menos explicar, melhor”, disparou o presidente (veja trecho na íntegra):
VEJA TAMBÉM:
-
Desaprovação ao governo Lula supera aprovação, diz Quaest
Lula sofreu na crítica citando que o México está vivendo algo semelhante ao que aconteceu no Brasil em 2013, de movimentos sociais realizando manifestações contra o aumento de R$ 0,20 nas tarifas do transporte coletivo e que, alguns, acabaram levando a protestos violentos com a depredação de patrimônio público. Isso, mencionado, culminou com o surgimento daquela classificação como “extrema direita” e “elegeu um presidente”.
“Foi o pretexto para que a extrema direita tomasse conta das ruas utilizando o verde e amarelo. […] A partir desse movimento inventaram os ‘black block’, que fizeram (sic) uma quebradeira em São Paulo, e a partir dali a extrema direita tiraram proveitos e fizeram o impeachment da Dilma e elegeu um presidente da República”, afirmou nem citar nomes.
O presidente afirmou que teria uma ligação com sua homóloga mexicana, Claudia Sheinbaum, para enxergar uma semelhança entre os dois episódios. No caso do México, os protestos ocorrem simultaneamente nos dias de início da Copa do Mundo.
“Eu, às vezes, acho que tem o dedo de alguém. E talvez nem seja mexicano”, completou.
Ataques ao mercado financeiro
Em outro momento do discurso, Lula retomou os ataques ao mercado financeiro brasileiro de que os investidores criticaram os rombos nas contas públicas que, na visão dele, são muito mais baixos do que em outros países.
“De vez em quando a Faria Lima escreve nos jornais de que se a gente teve um déficit de 0,20% [do PIB] vai cair o mundo, enquanto que, nos Estados Unidos, a dívida pública externa é de 120% do PIB. E, muitas vezes, não se preocupam com o avanço que a sociedade brasileira está tendo”, disparou.
Lula retomou uma crítica de que o governo promove gastos em vez de investimentos quando se trata de políticas de educação, afirmando que “as pessoas nunca pararam para fazer a pergunta de ‘quanto custou não fazer ap* das coisas sérias no tempo em que deveria fazer’”.

Deixe o Seu Comentário