O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta sexta-feira (22) que o banqueiro Daniel Vorcaro voltasse à sala de Estado-maior da Superintendência da Polícia Federal de Brasília, onde ficou abrigado até o começo desta semana. Na última segunda-feira (18), o dono do liquidado Banco Master foi transferido para uma cela comum em meio à exclusão da proposta de delação premiada apresentada por sua defesa à autoridade.
A volta à sala especial foi confirmada à Gazeta do Povo por fontes a par da investigação. O local é semelhante ao que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ficou abrigado, no ano passado, horas depois do advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, deixar a defesa de Vorcaro. Em lugar dele, casou-se com o jurista Sérgio Leonardo, que já representou o banqueiro desde o início das investigações e continuará as tratativas por uma colaboração mais aprofundada.
O rebaixamento da prisão no começo desta semana ocorreu após investigadores da Polícia Federal considerarem a proposta apresentada por Juca como insatisfatória, de que não chegava às autoridades envolvidas na rede de influência criada por Daniel Vorcaro. Na cela comum que passou a ser abrigado, o banqueiro passou a ter as visitas dos advogados mais restritas a apenas duas vezes por dia, além das condições específicas do local.
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Rejeição da delação
A delação premiada de Vorcaro foi rejeitada pela Polícia Federal após investigador constatarem que ele estaria tentando preservar nomes, como o pai, Henrique Vorcaro, e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que teriam recebido mesadas de R$ 500 mil. Ele também estaria escondendo relações com outras figuras públicas e familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Há semanas, investigadores da Polícia Federal e da PGR avaliam que o material sugerido pela defesa de Vorcaro estaria muito distante do que normalmente se espera de uma colaboração premiada, sobretudo diante da magnitude do caso e de tudo que os investigadores têm em mãos.
Os milhares de documentos apreendidos até o momento e os cerca de 100 aparelhos eletrônicos, entre celulares e outros equipamentos, já dariam consistência para ampliar a investigação por meses e deflagrar inúmeras fases da operação ou desdobramentos.
A ausência de informações, provas e inconsistências deixa Vorcaro cada vez mais distante de firmar o acordo de colaboração, que poderia suavizar suas condições de prisão ou mesmo o tempo de detenção, no caso de uma eventual denúncia. Nesta semana, ele saiu da “sala de Estado-maior” da Superintendência da Polícia Federal em Brasília para uma cela comum no local, uma espécie de rebaixamento das condições.
Juca chegou a pedir a transferência do empresário para a chamada Papudinha, onde as condições de abrigo seriam melhores do que na cela comum da corporação. A autorização está sob análise de Mendonça, relator do caso Master no STF, que acabou decidindo pela volta à sala de Estado-maior da PF.
Além disso, tanto a Polícia Federal como a PGR deveriam sinalizar que, para viabilizar a delação, entregar provas robustas e ainda não alcançadas, o ex-banqueiro teria de devolver de R$ 50 bilhões a R$ 60 bilhões pelo que foi identificado até o momento decorrente de supostas fraudes e movimentações ilegais.
O próprio Vorcaro teria pressa em fechar o acordo para devolver ao menos R$ 40 bilhões que estariam, previstos, em paraísos fiscais em nome e sob gestão de terceiros correndo o risco de os valores se deteriorarem ou desaparecerem antes da assinatura do acordo.

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