
Aviões lançam mais de 10 mil litros de água sobre áreas atingidas por incêndios no AM
Treze aeronaves mobilizadas pelo governo federal lançaram mais de 1,1 milhão de litros de água sobre áreas atingidas por incêndios florestais no Amazonas desde 10 de outubro. Até esta quarta-feira (21), a operação havia acumulado 390,5 horas de voo e 369 lançamentos de água, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
O número de aeronaves deve subir para 16 nos próximos dias. O trabalho aéreo inclui aviões usados para despejar água sobre as chamas e helicópteros que transportam equipes e equipamentos para regiões de difícil acesso.
As operações aéreas integram a força-tarefa federal mobilizada para conter os incêndios no estado, especialmente em áreas de difícil acesso. Além do combate às chamas, o governo ampliou as ações de fiscalização e investigação de possíveis crimes ambientais relacionados ao fogo.
📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp
O governo do Estado chegou a empregar ao menos uma aeronave, modelo Thrush S2R-510. Em 10 de outubro, o Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) questionou o valor de R$ 2,1 milhões utilizados para o aluguel do avião, que poderia lançar pouco menos de 2 mil litros de água, capacidade considerada inadequada. O MPC-AM deu um prazo de dez dias para a Defesa Civil se justificar.
O g1 questionou a Defesa Civil para saber se a aeronave segue atuando no combate aos incêndios, bem como qual o efetivo aéreo total disponibilizado por parte do Estado para o enfrentamento às queimadas, além de se o órgão apresentou a justificativa ao MPC-AM. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta.
Aeronave despeja água em foco de queimada no Amazonas.
Mayangdi Inzaulgarat/Prevfogo/Ibama
Como funcionam as operações aéreas
Entre as aeronaves utilizadas estão:
✈️ Seis aviões Air Tractor;
🚁 cinco helicópteros;
🛩️ dois aviões KC-390.
Os aviões KC-390 foram equipados com o Sistema Modular Aerotransportável de Combate a Incêndios (MAFFS, na sigla em inglês). O equipamento permite lançar grandes volumes de água sobre as áreas atingidas em cerca de sete segundos, segundo informações divulgadas pelo governo federal.
Os helicópteros também são importantes para a operação. Eles ajudam a transportar brigadistas, equipamentos e equipes que precisam chegar a regiões onde o acesso por terra é difícil.
A Força Aérea Brasileira (FAB) empregou os dois KC-390 usados no combate aéreo. A Marinha participa com três helicópteros, em missões de transporte e apoio logístico. Já o Exército utiliza um helicóptero para o transporte de equipes e equipamentos.
Para reforçar a atuação federal no Amazonas, também foi enviado um helicóptero Bell 412 para transportar equipes responsáveis por diligências e perícias em campo. Uma aeronave da família Esquilo também passará a integrar a operação. Com as duas aeronaves, as equipes terão mais condições de chegar aos locais onde serão realizadas diligências e perícias relacionadas aos incêndios.
As aeronaves estão sendo utilizadas em diferentes pontos do estado. Além de aeroportos em Manaus, o aeroporto de Itacoatiara está sendo utilizado como base de apoio para as operações. No local, as aeronaves podem ser abastecidas com combustível e água, transportada por caminhões-pipa, para dar suporte às ações de combate nas áreas atingidas.
A fumaça causada pelas queimadas, no entanto, também pode afetar os trabalhos pelo céu. No sábado (17), o fenômeno reduziu a visibilidade e dificultou as operações aéreas de combate às chamas. As condições impediram voos nos dois aeroportos utilizados pelas equipes em Manaus até às 14h.
Aeronave Air Tractor empregada pelo Ibama no combate às queimadas no Amazonas.
Mayangdi Inzaulgarat/Prevfogo/Ibama
Governo amplia ações contra incêndios
No domingo (18), o governo federal anunciou, em Manaus, novas medidas para reforçar o combate aos incêndios florestais no Amazonas.
Entre as ações estão a instalação de um Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas na capital, para coordenar as operações militares, e a implantação de uma base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), lançada na terça-feira (20), para reforçar o atendimento à população.
O governo também anunciou a ampliação do apoio financeiro ao estado e aos municípios e a mobilização de órgãos de segurança para investigar possíveis crimes relacionados aos incêndios.
Focos de calor diminuíram em uma semana
Entre 12 e 18 de outubro, o Amazonas registrou 548 focos de calor, 470 a menos que nos sete dias anteriores, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Itacoatiara liderou o número de registros no período, com 59 focos. Em seguida, aparecem Autazes, com 46, e Boa Vista do Ramos, com 39.
Uso do fogo é proibido durante emergência
No Amazonas, o uso do fogo está proibido durante a vigência do decreto estadual de emergência, independentemente da finalidade. Quem descumprir a medida pode ser responsabilizado.
A legislação brasileira também estabelece restrições ao uso do fogo na vegetação por causa dos riscos de incêndios, destruição de áreas naturais, degradação do solo e poluição do ar, que pode prejudicar a saúde da população.
O Código Florestal, instituído pela Lei nº 12.651/2012, proíbe o uso do fogo na vegetação, salvo nas exceções previstas em lei. Já a Lei nº 14.944/2024 criou a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo e estabeleceu regras para o uso controlado do fogo.
LEIA TAMBÉM:
Homem é preso suspeito de provocar incêndio em área de mata no Amazonas
Aulas da rede estadual seguem suspensas em Manaus e Autazes até sexta-feira (23) por causa da fumaça
Drone flagra suspeitos ateando fogo em vegetação no interior do Amazonas; VÍDEO
Fonte: G1















Deixe o Seu Comentário