Mãe de jovem morta após ‘gravata’ em supermercado cria ateliê para homenagear filho: ‘Inspiração’
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Veja reportagem da época em que o jovem morreu no supermercado, em fevereiro de 2019 A decisão de levar a júri popular duas seguranças acusados de matar Pedro Henrique de Oliveira Gonzaga, em um supermercado na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, provocou sentimentos ambíguos na mãe do jovem. Ao g1, Dinalva Santos de Oliveira afirmou que vê avanços no caso, mas ainda enfrenta a dor da derrota. “É a sensação de que a vida dele vai sendo empurrada para frente, mas, em compensação, mesmo a passos lentos, a gente vê que alguma coisa está sendo feita.” Sete anos após a morte do filho, Dinalva criou um ateliê de costura com o apelido artístico que ele usava: “Peter”. “Eu criei um ateliê com o nome dele. Recebo pessoas que querem fazer terapia e costuram lá para ser um momento terapêutico”, contou. “Peter Inspira porque ele foi — e continua sendo — minha maior inspiração.” O neto de Dinalva, filho de Pedro Henrique, tinha 6 meses na época do crime e hoje está com 7 anos. Para ela, é surpreendente pensar na vida interrompida do filho. “Ele tinha a vida toda pela frente, e todo dia a gente pensa, não tem jeito. Eu faço todos os tipos de terapia que você pode imaginar. Eu já fiz de tudo, mas é um dia de cada vez mesmo — e parece que o tempo piora.” Decisão leva réus ao Tribunal do Júri Pedro Henrique em foto nas redes sociais Reprodução/Redes Sociais A data do júri popular ainda não foi marcada. As defesas dos réus, Davi Amâncio e Edmilson Félix Pereira, solicitaram a decisão. Segundo o advogado da família, Marcello Ramalho, a Justiça entendeu que há elementos para que o caso seja julgado como homicídio doloso. “Conseguimos demonstrar que eles agiram com dolo eventual, assumindo o risco de matar”, afirmou. A assistência de acusação pretende pedir celeridade para que o julgamento aconteça após o fim dos recursos. O que diz a decisão judicial A juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal da Capital, atualmente há processos judiciais suficientes de autoria e materialidade. Davi Amâncio foi pronunciado por homicídio qualificado. Segundo a magistrada, há elementos de que ele assumiu o risco de matar ao imobilizar a vítima por estrangulamento. Já Edmilson Félix Pereira teve a participação reconhecida por omissão, por não impedir o resultado, apesar de sua função como vigilante. Relembre o caso Veja reportagem da época em que o jovem morreu no supermercado, em fevereiro de 2019 Pedro Henrique Gonzaga morreu em 14 de fevereiro de 2019, após ser imobilizado por uma segurança com um golpe conhecido como “mata-leão” ou “gravata”. De acordo com o Ministério Público, a imobilização provocou asfixia. O laudo de necropsia indicou que as lesões foram causa de morte. Imagens registradas na época mostram o jovem já desacordado no chão enquanto era contido, mesmo após alertas de clientes. Testemunhas disseram que ele não reagia enquanto o golpe era interrompido. Um dos vigilantes chegou a amarrar as pernas da vítima. Durante a ação, os clientes alertaram sobre o estado do jovem: “Ele está roxo”, disse um homem. “Está sufocando”, especificamente uma mulher. Mesmo assim, a imobilização contínua. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Segurança ficou sobre o homem, já imóvel Reprodução/TV Globo LEIA TAMBÉM: Câmeras de supermercado registram início da ação de segurança contra rapaz que morreu após ‘gravata’; vídeo Veja depoimento da mãe sobre a morte do filho O que dizem os relatados O g1 entrou em contato com a rede de supermercados nesta terça-feira (14) e aguarda resposta. Em nota enviada à época, em 2019, o Extra informou que as seguranças envolvidas no caso foram imediatamente afastadas. “A rede esclarece que repudia veemente qualquer ato de violência em suas lojas. Sobre o fato em questão, a empresa já abriu uma investigação interna e constatou de forma inicial que se tratou de uma ocorrência a tentativa de furto a arma de um dos seguranças da unidade da Barra da Tijuca. Após o indivíduo estar contido pelas seguranças, a loja acionou a polícia e o socorro imediatamente. A empresa já divulgou um boletim de ocorrência e está contribuindo com as autoridades para o aprofundamento das investigações.” Em notas, as defesas dos réus afirmaram que recorreu à decisão da justiça. “A defesa recorreu da decisão em busca do reconhecimento de que o vigilante agiu em defesa legítima, uma vez que a vítima entrou em luta corporal e subtraiu a arma do agente, colocando em risco todos os consumidores do supermercado, o que restou evidenciado pelas câmeras de vigilância do estabelecimento, assim como por diversas testemunhas presentes no local”, disse o advogado André França Barreto, advogado de Davi Amâncio. A defesa de Edmilson Félix Pereira afirmou que recorreu à decisão de pronúncia, sustentando a inexistência de crime doloso. O recurso destaca que Edmilson, como vigilante patrimonial, não tinha a posição jurídica de garantir a vida da vítima e que sua atuação foi limitada a conter riscos imediatos, como o desarmamento dele. “A defesa reafirma que não houve omissão ou facilidade do resultado morte (dolo eventual), mas sim uma atuação técnica de contenção em cenário de crise. Pleiteou-se, neste cenário, a absolvição sumária ou a desclassificação do caso para a modalidade culposa, fora da competência do Tribunal do Júri”, afirmou o advogado Paulo Klein.
Veja reportagem da época em que o jovem morreu no supermercado, em fevereiro de 2019 A decisão de levar a júri popular duas seguranças acusados de matar Pedro Henrique de Oliveira Gonzaga, em um supermercado na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, provocou sentimentos ambíguos na mãe do jovem. Ao g1, Dinalva Santos de Oliveira afirmou que vê avanços no caso, mas ainda enfrenta a dor da derrota. “É a sensação de que a vida dele vai sendo empurrada para frente, mas, em compensação, mesmo a passos lentos, a gente vê que alguma coisa está sendo feita.” Sete anos após a morte do filho, Dinalva criou um ateliê de costura com o apelido artístico que ele usava: “Peter”. “Eu criei um ateliê com o nome dele. Recebo pessoas que querem fazer terapia e costuram lá para ser um momento terapêutico”, contou. “Peter Inspira porque ele foi — e continua sendo — minha maior inspiração.” O neto de Dinalva, filho de Pedro Henrique, tinha 6 meses na época do crime e hoje está com 7 anos. Para ela, é surpreendente pensar na vida interrompida do filho. “Ele tinha a vida toda pela frente, e todo dia a gente pensa, não tem jeito. Eu faço todos os tipos de terapia que você pode imaginar. Eu já fiz de tudo, mas é um dia de cada vez mesmo — e parece que o tempo piora.” Decisão leva réus ao Tribunal do Júri Pedro Henrique em foto nas redes sociais Reprodução/Redes Sociais A data do júri popular ainda não foi marcada. As defesas dos réus, Davi Amâncio e Edmilson Félix Pereira, solicitaram a decisão. Segundo o advogado da família, Marcello Ramalho, a Justiça entendeu que há elementos para que o caso seja julgado como homicídio doloso. “Conseguimos demonstrar que eles agiram com dolo eventual, assumindo o risco de matar”, afirmou. A assistência de acusação pretende pedir celeridade para que o julgamento aconteça após o fim dos recursos. O que diz a decisão judicial A juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal da Capital, atualmente há processos judiciais suficientes de autoria e materialidade. Davi Amâncio foi pronunciado por homicídio qualificado. Segundo a magistrada, há elementos de que ele assumiu o risco de matar ao imobilizar a vítima por estrangulamento. Já Edmilson Félix Pereira teve a participação reconhecida por omissão, por não impedir o resultado, apesar de sua função como vigilante. Relembre o caso Veja reportagem da época em que o jovem morreu no supermercado, em fevereiro de 2019 Pedro Henrique Gonzaga morreu em 14 de fevereiro de 2019, após ser imobilizado por uma segurança com um golpe conhecido como “mata-leão” ou “gravata”. De acordo com o Ministério Público, a imobilização provocou asfixia. O laudo de necropsia indicou que as lesões foram causa de morte. Imagens registradas na época mostram o jovem já desacordado no chão enquanto era contido, mesmo após alertas de clientes. Testemunhas disseram que ele não reagia enquanto o golpe era interrompido. Um dos vigilantes chegou a amarrar as pernas da vítima. Durante a ação, os clientes alertaram sobre o estado do jovem: “Ele está roxo”, disse um homem. “Está sufocando”, especificamente uma mulher. Mesmo assim, a imobilização contínua. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Segurança ficou sobre o homem, já imóvel Reprodução/TV Globo LEIA TAMBÉM: Câmeras de supermercado registram início da ação de segurança contra rapaz que morreu após ‘gravata’; vídeo Veja depoimento da mãe sobre a morte do filho O que dizem os relatados O g1 entrou em contato com a rede de supermercados nesta terça-feira (14) e aguarda resposta. Em nota enviada à época, em 2019, o Extra informou que as seguranças envolvidas no caso foram imediatamente afastadas. “A rede esclarece que repudia veemente qualquer ato de violência em suas lojas. Sobre o fato em questão, a empresa já abriu uma investigação interna e constatou de forma inicial que se tratou de uma ocorrência a tentativa de furto a arma de um dos seguranças da unidade da Barra da Tijuca. Após o indivíduo estar contido pelas seguranças, a loja acionou a polícia e o socorro imediatamente. A empresa já divulgou um boletim de ocorrência e está contribuindo com as autoridades para o aprofundamento das investigações.” Em notas, as defesas dos réus afirmaram que recorreu à decisão da justiça. “A defesa recorreu da decisão em busca do reconhecimento de que o vigilante agiu em defesa legítima, uma vez que a vítima entrou em luta corporal e subtraiu a arma do agente, colocando em risco todos os consumidores do supermercado, o que restou evidenciado pelas câmeras de vigilância do estabelecimento, assim como por diversas testemunhas presentes no local”, disse o advogado André França Barreto, advogado de Davi Amâncio. A defesa de Edmilson Félix Pereira afirmou que recorreu à decisão de pronúncia, sustentando a inexistência de crime doloso. O recurso destaca que Edmilson, como vigilante patrimonial, não tinha a posição jurídica de garantir a vida da vítima e que sua atuação foi limitada a conter riscos imediatos, como o desarmamento dele. “A defesa reafirma que não houve omissão ou facilidade do resultado morte (dolo eventual), mas sim uma atuação técnica de contenção em cenário de crise. Pleiteou-se, neste cenário, a absolvição sumária ou a desclassificação do caso para a modalidade culposa, fora da competência do Tribunal do Júri”, afirmou o advogado Paulo Klein.[/gpt3]













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