O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) evitou falar sobre a investigação que atingiu em cheio o seu líder no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), por suspeita de ligação com o esquema bilionário de fraudes financeiras descobertas pelo banqueiro Daniel Vorcaro através da liquidação do Banco Master. O parlamentar foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
Em seu primeiro discurso após público a deflagração da operação, Lula não comentou sobre a operação que cumpriu mandatos de busca e apreensão contra Wagner e apontou que ele teria recebido vantagens financeiras por realizar agir politicamente a favor de Vorcaro. Entre as suspeitas estão o envolvimento na tramitação da chamada “Emenda Master” no Congresso e alterações na legislação do crédito consignado.
Lula discursou, no final da manhã desta sexta-feira (19) em Belo Horizonte, durante um evento voltado à saúde ao lado do ministro Alexandre Padilha. O presidente falou apenas sobre as ações do governo federal na área, tratou de políticas de educação e interagiu com as pessoas presentes na cerimônia.
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Na véspera, segundo relatou o próprio senador Jaques Wagner, Lula teria se solidarizado com ele sobre a operação, expressou confiança e sinalizou que o manterá no cargo de líder do governo no Senado.
‘Fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas, conte com a minha confiança’, disse Wagner atribuindo a fala a Lula durante uma entrevista à BandNews TV.
O senador também minimizou as manifestações de correligionários detalhadas ao seu afastamento e classificou as críticas internacionais como episódios de “fogo amigo”. Há uma expectativa de que Wagner e Lula tenham um encontro presencial na próxima semana para tratar da situação e discutir os próximos passos.
Fogo amigo
Entre os autores do fogo amigo está o vice-líder de Lula na Câmara, deputado Rogério Correia (PT-MG), que defendeu a saída de Wagner do cargo para preservar o presidente de desgastes às vésperas do início da campanha eleitoral.
“Na condição de investigado, Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar a sua defesa, resguardada a presunção de inocência”, afirmou.
Nos bastidores, os membros do PT reúnem a mesma avaliação e consideram que um afastamento temporário poderia reduzir o impacto político das investigações. Apesar disso, o grupo não conseguiu avançar diante da resistência da direção nacional da legenda.
A principal linha de defesa do partido tem partido de seus dirigentes, como o presidente nacional do PT, Edinho Silva, que declarou apoio ao senador e afirmou que ele continua contando com a confiança da sigla.
“O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade, os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados”, declarou Edinho.

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