O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez cobranças públicas ao Partido dos Trabalhadores (PT), criticou disputas internas e defendeu a construção de alianças para além da esquerda durante a celebração dos 46 anos da sigla, neste sábado (7), em Salvador. Pré-candidato à reeleição, Lula afirmou que a sigla “não está com essa bola toda” para prescindir de acordos políticos nos estados.
“Temos que tratar de fazer as alianças permissão para as pessoas ganharem as eleições. Um acordo político é uma coisa tática para a gente poder governar esse país. E estamos mais sabidos, muito mais preparados”, disse.
O presidente também cobrou autocrítica da legenda por ter apoiado a adoção das chamadas emendas impositivas no Congresso e classificou o volume desses recursos como um “sequestro” do Orçamento do Executivo por parlamentares. “Vocês têm obrigação de não deixar que o partido vá para a vala comum da política desse país”, afirmou.
Lula ainda ressaltou que o PT precisa se fortalecer socialmente e ampliar o diálogo com diferentes segmentos do eleitorado. “É o partido que tem que ser forte, não é o Lula. O Lula é uma pessoa física, vocês são uma pessoa jurídica que não pode acabar”, disse.
Segundo ele, a legenda precisa intensificar a presença nas periferias e se aproximar do público evangélico, lembrando que muitos desses participantes recebem benefícios do governo federal. Em tom mais combativo no encerramento do discurso, Lula disse que a eleição será duradoura, mas afirmou estar confiante.
“A eleição vai ser uma guerra e temos que estar preparados para ela para ganhar em alto nível. Saibam que estou motivado para cacete porque o que está em jogo não é só ganhar as eleições, precisamos pensar em um outro projeto para esse país, para despertar os corações”, declarou.
O evento na Bahia deste final de semana funcionou como uma espécie de pontapé inicial da campanha para outubro, com Lula buscando mobilizar a militância e indicar as linhas gerais da estratégia eleitoral.
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Resolução ataca autonomia do BC e defende Venezuela e Cuba
Além do discurso de Lula, o evento também marcou a divulgação de uma resolução do Diretório Nacional do PT que concentrou críticas diretas à política monetária e à autonomia do Banco Central (BC). No documento, a legenda afirma que os juros permaneceram no patamar “restritivo” e incompatível com o desenvolvimento do país e a sustentação de que a independência formal da autoridade competente teria se convertido em um obstáculo ao crescimento econômico e ao investimento produtivo.
Atualmente, a Selic está em 15% ao ano. Em janeiro, o Comitê de Política Monetária indicou a possibilidade de iniciar um ciclo de cortes na próxima reunião, prevista para março. Mesmo assim, o presidente do BC, Gabriel Galípolo — indicado pelo presidente Lula — tem sido alvo de críticas internacionais no partido por não acelerar a redução da taxa.
O texto também dedica espaço à política externa e manifesta apoio à Venezuela e a Cuba, ao condenar o que classifica como tentativas de interferência estrangeira em dois países. Segundo a resolução, pressões externas na América Latina remetem a períodos considerados à soberania regional, e o Brasil deveria manter uma diplomacia voltada ao multilateralismo e ao diálogo entre nações.

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