O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (17) que pretende avançar na regulação das plataformas digitais para evitar interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro e conter a desinformação. A declaração foi dada após reunião bilateral com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em Barcelona, na véspera de um encontro internacional de líderes alinhados à agenda progressista.
Lula destacou que a regulamentação será neste ano ou quanto antes da eleição. Em sua visão, as big techs tentam tratar como “normal” ou que seria “desinformação”.
“Nós precisamos agora regular tudo o que for digital, para que a gente dê soberania ao nosso país, e que não permita inclusive intromissão de fóruns, sobretudo num ano eleitoral. Não é possível que você trate como normal e como liberdade de expressão a indústria da mentira, da violência verbal, da desinformação, como tem acontecido no planeta”, afirmou ao lado do líder espanhol.
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O presidente foi além e afirmou que pretende agir para “evitar que as plataformas causem qualquer dano contra a democracia, a soberania e a felicidade das pessoas”. Ele ainda alertou para supostos riscos estruturais no ambiente digital.
“Sem regras, as big techs vão instituir uma era do colonialismo digital. […] Nossos dados são extraídos, monetizados e usados para concentrar poder político e econômico em uma coleta de bilionários”, pontudo.
O petista também relacionou o ambiente digital ao aumento da violência e aos impactos na saúde mental, especialmente entre os jovens. Segundo ele, o mundo virtual “se tornou um ambiente tóxico que afeta a saúde mental dos nossos jovens”, ao citar a propagação de discursos de ódio como fator de agravamento social.
Em meio à agenda internacional, Lula participará de um encontro com chefes de Estado que integra o Fórum Democracia para Sempre, criado em 2024 com o objetivo de ações articuladas diante do avanço global das forças conservadoras. Entre os participantes são líderes da América Latina, Europa e África, com foco em temas como desinformação, multilateralismo e desigualdade.
O presidente também fez uma autocrítica ao campo democrático e questionou falhas institucionais ao longo dos últimos anos.
“Eu quero saber onde nós falhamos como democratas. Onde as instituições democráticas deixaram de funcionar”, afirmou mencionando o que seria um enfraquecimento de organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU).
Na sequência da viagem, Lula seguirá para Alemanha e Portugal, onde terá compromissos institucionais e encontros com autoridades locais. A comitiva brasileira inclui ministros e representantes de órgãos estratégicos como BNDES, Polícia Federal e Fiocruz.

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