O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que considera aderir ao Conselho da Paz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde que tenha um representante da Palestina e que seja focado apenas nas observações de Gaza. A comissão foi proposta pelo norte-americano no mês passado e ficou desconfiada de parte da comunidade internacional por ter um estatuto abrangente que alguns veem como uma tentativa de substituir a autoridade do Conselho de Segurança da ONU.
Lula criticou a proposta nos termos atuais, que foram aceitas por 35 países dos 50 convidados por Trump. Entre os que aderiram estão o presidente russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
“Se o Conselho para cuidar de Gaza, o Brasil tem todo interesse em participar. É muito estranho que não tenha um específico na direção desse conselho. É muito estranho que a proposta que foi apresentada é mais um resort do que orientação de Gaza. Nós estamos confiantes a participar, mas é preciso que os palestinos estejam na mesa, senão não é uma comissão de paz”, afirmou em entrevista ao UOL nesta quinta (5).
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Lula também confirmou que viajará para Washington na primeira semana de março para uma conversa “olho no olho” com Trump e que todos os temas estão na mesa para serem considerados, menos a “soberania” do Brasil, que ele considera como “sagrada”.
“Nós somos o presidente das duas maiores democracias do Ocidente. […] Nós temos que sentar numa mesa, olhar um no olho do outro”, disse ressaltando que aceita discutir parcerias industriais, exploração de minerais críticos, investimentos e ampliação de exportações. “A única coisa que eu não discuto é a soberania do meu país. Essa é sagrada”, completou.
O presidente petista e Trump conversaram por cerca de 50 minutos na semana passada, em que abordaram a visita de Lula aos Estados Unidos, a situação da Venezuela e o Conselho da Paz, além do combate ao crime organizado. Em relação ao país vizinho, ele afirmou que a preocupação agora não é se o ex-ditador Nicolás Maduro voltará ou não a Caracas, mas sim o fortalecimento da democracia.
“Essa [a volta de Maduro] não é a preocupação principal. A preocupação principal é a seguinte: há possibilidade de as pessoas fortalecerem a democracia na Venezuela e quantos 8 milhões de pessoas estão fora de lá voltarem ao país? Há condições de democracia ser rigorosamente respeitada”, questionou.
O presidente afirmou ainda não saber se a ditadora interina convocará eleições, mas defendeu que deve ser uma responsabilidade dos venezuelanos cuidar do processo eleitoral, mencionando ter tratado do assunto com o presidente Donald Trump.
A líder opositora venezuelana María Corina Machado disse nesta quinta que pode haver eleições democráticas na Venezuela em menos de um ano, embora ainda não tenha discutido o assunto com o presidente dos EUA, Donald Trump.

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