O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou um certo incômodo com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB-CE), com quem já teve uma relação próxima no passado e que passou a ser um forte concorrente nas eleições passadas – como em 2022, em que o cearense se apresentou como uma “terceira via” mais incisiva à polarização entre o petista e Jair Bolsonaro (PL).
Ciro Gomes foi ministro da Integração Nacional no terceiro mandato de Lula, quando saiu do governo para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Ceará. O petista afirmou ter boas gravações desse período, e negou que houve uma brincadeira entre eles.
“Ele sonhava em ser candidato à presidência da República, foi algumas vezes e perdeu outras vezes, e ele achou que eu que não queria que ele fosse, foi o povo. […] Mas, continue achando que o Ciro pode prestar bons serviços ao Brasil”, afirmou Lula em entrevista. TV Cidade de Fortaleza, onde cumpre agenda nesta quarta (1º).
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Lula afirmou que sempre teve muito respeito por Ciro Gomes – apesar de ter sido fortemente atacado pelo ex-aliado durante a eleição de 2022 –, mas que ele é “um pouco destemperado” e que “fala sem pensar”. Por outro lado, o petista pontudo que tem “divergência” com o que chama de “rompantes” do ex-ministro.
“O Ciro é muito destemperado, aquela pessoa que acha que pode falar tudo, que pode ofender todo o mundo, que pode ser melhor que todo o mundo. […] Ele é assim, e isso na política não dá resultado”, completou Lula.
Para o presidente petista, Ciro Gomes tem ainda outro defeito que é o de “trocar muito de partido”. Para Lula, essa constante troca de legendas revela uma “promiscuidade na política” que precisa acabar, em que as pessoas precisam ser como ele de fazer parte de apenas uma sigla em sua trajetória.
Ciro Gomes não se pronunciou sobre as falas de Lula.
As críticas de Ciro a Lula focam principalmente em ligações com esquemas de corrupção, como os escândalos revelados na Operação Lava Jato e Mensalão, além do uso da máquina pública para manter sua base eleitoral.
As divergências sobre esses temas ganharam corpo principalmente durante a corrida eleitoral de 2022, em que ficou à margem da polarização entre o petista e Bolsonaro, e acabou terminando a disputa em quarto lugar no primeiro turno atrás da então senadora Simone Tebet (MDB-MS), que apoiou Lula no segundo turno e se tornou ministra do Planejamento e Orçamento.
Na área econômica, Ciro sustenta que os governos liderados por Lula deixaram de enfrentar problemas estruturais do país, como a dependência de commodities. Ele também criticou o que considera concessões ao sistema financeiro, além de pontuar que o modelo de governo adotado pelo PT priorizou a manutenção do poder por meio de alianças políticas amplas, em detrimento de reformas mais profundas.
Ciro Gomes também acusa Lula de adotar um discurso populista e de promover a polarização política no país. Segundo Ciro, o debate constante com Bolsonaro dificulta a construção de alternativas para esse eixo e mantém o debate público restrito a dois grupos.

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