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Ligação do PT baiano com caso Master dá munição à oposição

Por Redação
28 de março de 2026
Em Notícias
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Ligação do PT baiano com caso Master dá munição à oposição
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com

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As investigações da Polícia Federal (PF) e da CPMI do INSS apontam governos petistas da Bahia como possível berço político e operacional do escândalo do Banco Master, após a análise inicial de documentos encontrados por meio da quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico de Daniel Vorcaro, controlador da instituição, hoje liquidada.

A oposição explora essa conexão para destruir Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida eleitoral de 2026, relacionada à expansão inicial do banco à plataforma de crédito consignado CredCesta.

Nascido no aparelho estatal baiano, o cartão CredCesta ganhou importante dimensão rapidamente devido à clara influência de aliados próximos do presidente e continua ainda trazendo fatos suspeitos para líderes petistas.

O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) afirma que a instalação de uma CPI para apurar o caso se tornou urgente diante das suspeitas reveladas pelas investigações. Segundo ele, o escândalo tem ramificações empresariais, políticas e até familiares ligadas a personagens do governo.

Jordy sustenta que os apelos já conhecidos justificaram uma investigação parlamentar mais ampla sobre a origem e o crescimento do banco. E um dos episódios mais recentes denunciados pela oposição envolve a empresa BK Financeira, criada em Salvador em 2021.

A companhia tem entre suas sociedades uma nora do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado. A empresa foi contratada pela Master para prospectar operações de consignado e indicar convênios na modalidade. Para este serviço, recebeu R$ 11 milhões. A revelação foi feita pelo portal Metrópoles.

Em nota à Gazeta do Povoa assessoria do senador informou que ele “jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa mencionada”. O líder do governo disse confiar na “autonomia da Justiça” e reforçou “que cabe exclusivamente à empresa prestar os devidos esclarecimentos sobre suas atividades e contratos celebrados”.

De acordo com o site da Receita Federal, a BK Financeira (nome fantasia da BN Financeira Ltda) foi criada em 2021, com capital social de R$ 45 mil e sede em Salvador (BA). O advogado Moisés Dantas dos Santos, um dos sócios da empresa, disse ao Metrópoles ser sócio da nora do senador desde 2022 e comprovada a existência do contrato.

Ele destacou que “todos os valores recebidos foram formalizados por meio de nota fiscal e balanços e extratos estão à disposição das autoridades”. A reportagem tenta contato com Moisés Dantas e a nora do senador. O espaço segue aberto para manifestações.

Por indicação de Wagner, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega prestou consultoria ao Master com salário milionário. Outro ex-ministro de Lula contratado por Daniel Vorcaro foi Ricardo Lewandowski, ex-chefe da pasta da Justiça e Segurança Pública. O banqueiro chegou a se reunir secretamente quatro vezes no Palácio do Planalto, uma vez ao menos com o próprio presidente da República.

Sócio de Vorcaro é o principal elo entre banqueiro e a cúpula do PT baiano

Outro foco das investigações é o empresário baiano Augusto Ferreira Lima. Ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, ele é apontado pelo pesquisador como um dos responsáveis ​​por estruturar e expandir o sistema de crédito consignado associado ao banco, especialmente por meio do produto CredCesta.

Criado em 2007 pelo governo da Bahia, o CredCesta surgiu como um cartão de benefícios beneficentes aos servidores públicos estaduais, inicialmente direcionado para a rede de supermercados estatal Cesta do Povo, depois privatizado pelo então governador Rui Costa (PT).

Na prática, o CredCesta funcionava como um “vale-mercado”, destinado à compra de alimentos e itens básicos no supermercado estatal Cesta do Povo, administrado pela Empresa Baiana de Alimentos (Ebal). O modelo tinha caráter social e restrito ao consumo na rede pública, mas começou a mudar de perfil ao longo da década seguinte.

A transformação ocorreu sobretudo após a privatização da Ebal, em 2018, já no governo de Rui Costa (PT). O CredCesta foi transferido à iniciativa privada e passou a operar em parceria com instituições financeiras, como o Banco Master e o Banco Pleno, deixando de ser apenas um benefício atrelado ao abastecimento doméstico para se tornar um cartão de crédito consignado com bandeira internacional.

O cartão permite compras em lojas físicas e online, além de saques em dinheiro e acesso a programas de descontos em serviços de saúde. Apesar de ser apresentado como uma alternativa de crédito mais barata do que os cartões tradicionais, o modelo tem sido alvo de críticas por cobrar juros elevados em comparação com outros consignados públicos.

A posterior liquidação extrajudicial dos dois bancos pelo Banco Central, entre 2025 e 2026, expôs o programa ao escândalo financeiro do Master por envolver personagens em comum.

Rui Costa deu exclusividade ao Master para operar consignado de servidores

O crescimento do negócio também foi impulsionado por decisões administrativas no governo baiano. Um decreto assinado por Rui Costa em 2022 restringiu a portabilidade dos consignados ligados ao programa, o que na prática ampliou a exclusividade do Master nas operações com servidores estaduais.

Servidores recorreram ao Judiciário para tentar migrar contratos em busca de juros menores. Em ação judicial, o Ministério Público da Bahia também questionou a concentração das operações e pediu investigação sobre o que foi classificado como atuação monopolizada do banco nesse nicho.

A origem baiana do esquema passou a chamar ainda mais atenção após o avanço das investigações da CPMI do INSS. As mesmas estruturas associativas que aparecem no caso Master também surgem nas apurações sobre descontos associativos irregulares em benefícios previdenciários.

A CPMI incorporou formalmente essa linha de investigação. Em fevereiro, uma comissão aprovou convocações e quebras de sigilo entre Augusto Lima e o próprio CredCesta, apontando o empresário como figura central na trajetória operacional do Banco Master.

UM Gazeta do Povo Membros do Banco Central, Jaques Wagner e Rui Costa, mas não obtiveram resposta até a publicação deste texto.

A assessoria de Augusto Lima informou à reportagem que o empresário continua acompanhando os desdobramentos dos fatos, sem acrescentar posicionamentos.

De perfil mais comedido que Vorcaro, Lima busca se distanciar da gestão do ex-sócio no Banco Master. Atualmente, ele está sob monitoramento eletrônico (tornozeleira) e teve seus bens bloqueados por determinação do Banco Central e da Justiça.

CPMI tentou ouvir Augusto Lima sobre contratos que continuam em vigor

Augusto Lima chegou a ser convocado para prestar esclarecimentos sobre suspeitas de fraudes em empréstimos consignados a investidores do INSS. A oitiva acabou vazia depois que o ministro André Mendonça desobrigou de comparecer, mas o foco das investigações sobre o empresário foi suspenso.

Outro episódio relevante ocorreu em fevereiro de 2026, quando o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, instituição controlada por Lima e ligada ao Master. A decisão expôs o modelo de negócios, baseado em consignados, que foi estruturado nos anos anteriores.

Apesar da liquidação, os contratos de crédito permaneceram válidos e os descontos em folha continuaram sendo realizados, agora sob gestão do liquidante nomeado pelo BC. Os especialistas recomendam que os servidores acompanhem os contracheques e solicitem relatórios detalhados de suas dívidas.

Lula insiste que esquemas do Mestre foram iniciados no governo Bolsonaro

Enquanto a oposição tenta associar o escândalo ao núcleo político do PT baiano, o Palácio do Planalto reitera que as operações foram regulares e que as investigações devem atingir todos os envolvidos, independentemente da posição política.

O governo também insistiu que irregularidades no Master deveriam ter sido bloqueadas antes pelo BC durante a gestão anterior. Integrantes do Executivo mencionam que os primeiros fingidos surgiram quando a autoridade monetária ainda era presidida por Roberto Campos Neto.

Em discurso recente, Lula rejeitou ser associado aos esquemas e afirmou que “o ovo da serpente” do Mestre foi colocado por Campos Neto, indicado por Bolsonaro, durante a gestão federal passada.

Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, afirma que a rede criminosa de relações entre empresários, políticos e intermediários financeiros precisa ser investigada pelo Congresso.

Para ele, o caso Master deixou muito de ser apenas um escândalo bancário e se trata de um sistema de múltiplos desvios, que atinge consignados públicos, entidades associativas e circulação de créditos no mercado financeiro.

Segundo Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos, a instalação da CPI do Master dependerá essencialmente de decisões políticas no Congresso. Caberá aos presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), garantir ou barrar as investigações.

Arruda afirma que a disputa em torno da CPI deve manter a tensão entre governo e oposição nos próximos meses. “O caso Master tornou-se um dos principais pontos de conflito político em Brasília e tende a influenciar diretamente a eleição presidencial de 2026”, resume.

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Tags: André MendonçaBahiabaianobanco centralBanco MestreCarlos JordanCasocongresso nacionaldáDaniel VorcaroDavid AlcolumbreEleições 2026hugo mottainssJacques WagnerJudiciárioligaçãolulaMastermercadomercado financeiromuniçãooposiçãopalácio do planaltopolicia federalrogério marinhorui costaSenadoservidores públicos
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