O ator José de Abreu anunciou sua pré-candidatura a deputado federal pelo estado do Rio pelo PT. Na mensagem em que comunica a decisão, o ator — conhecido por bater boca publicamente sobre temas da atualidade em defesa do campo progressista — usou uma foto de sua prisão durante a ditadura militar, em 1968.
“Meu passado me condena, rsrs! Vem novidade por aí!”, escreveu ele em sua conta no X. O convite partiu de Washington Quáquá, um dos maiores caciques da legenda no estado fluminense. Quáquá postou uma foto ao lado do ator, a quem define como um “grande amigo”.
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Não é a primeira vez que Abreu anuncia candidaturas, mas acaba de persistir depois com a justificativa de manter o foco na carreira de artista. Ele também anunciou que foi presidente do Brasil em 2019, para fazer chacota do venezuelano Juan Guaidó, que se declarou presidente da Venezuela durante a ditadura de Nicolás Maduro.
Histórico de confrontos
Conhecido por seu perfil combativo, Abreu ficou marcado por diversos episódios. Em um dos casos mais repercutidos, após provocações de cunho político, o ator cuspiu um casal de clientes em um restaurante japonês na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, em abril de 2016. Posteriormente, ele pediu desculpas pelo ocorrido e disse que estava “de cabeça quente”.
Ele também disse que Alexandre de Moraes deveria fechar a Folha de S.Paulofoi condenado a indenizar o jornalista Mario Sabino e deu “cacetadas” em políticos em uma peça.
No campo artístico, sua colega Maria Zilda afirmou, em 2020, que o ator tinha “mau hálito”, ao que ele respondeu com ofensas que resultaram em um processo judicial. Abreu também teve problemas com o ator Murilo Rosa.
A lista de debates — quase sempre motivada por divergências políticas — incluía nomes como:
- Regina Duarte: devido ao apoio dela a Jair Bolsonaro.
- Glória Perez: a quem comparou o assassino de sua filha, Guilherme de Pádua, por estar no mesmo espectro político.
- Cássia Kis: que moveu ações judiciais contra ele.
- Zezé Di Camargo: chamado de “oportunista” após críticas a Lula ser recebido no SBT.
- Mário Gomes: classificado como “canastrão” em 2025.
- Felipe Folgosi: em discussão ideológica.
Contexto da foto histórica
A prisão de José de Abreu, que originou uma foto publicada, ocorreu durante o 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado em Ibiúna (SP), em outubro de 1968.
Na época com 22 anos e estudante de Direito na PUC-SP, ele foi detido junto a outros 700 estudantes e militantes de esquerda. Abreu foi levado ao DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), em São Paulo, e preso sem processo formal por um mês no Presídio Tiradentes e outros dois meses no incêndio do Carandiru.

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