O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou, na tarde desta terça-feira (24), que deixou a liderança do governo no Senado para “provar sua inocência” após ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master.
Ele se reuniu por 2h com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio da Alvorada nesta tarde. Esse foi o primeiro encontro presencial entre os dois após a operação. Segundo o senador, seu afastamento da liderança foi definido “em comum acordo” com Lula.
“Acabei de ter uma ótima reunião com o Presidente Lula, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no Senado Federal”, disse o senador, em nota divulgada nas redes sociais.
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A Polícia Federal apura se o parlamentar teria recebido vantagens indevidas para atuar em favor dos interesses de Daniel Vorcaro, dono do Mestre. Parte do PT e aliados do governo defendem a saída de Wagner da liderança para evitar que a operação respingue na campanha para reeleição de Lula.
Wagner disse ainda que pretende se dedicar à campanha eleitoral. “Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado”, afirmou.
“Juntos, com humildade e muito trabalho, renovaremos nosso compromisso com o projeto coletivo que vem mudando na Bahia e no Brasil”, concluiu.
O governo ainda não anunciou o substituto de Jaques Wagner, mas o principal cotado é o senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação.
Defesa de Jaques Wagner apontou “erros graves” na operação da PF
Nesta segunda (22), a defesa do senador pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que anulasse a operação da PF em razão de “erros graves”, pois “o senador jamais atuou no Congresso Nacional para favorecer o Banco Master”.
Durante a operação, a PF apreendeu US$ 55 mil e € 33 mil em espécie e relógios de luxo em endereços ligados ao senador em Brasília e em Salvador. O advogado Pablo Domingues, que representa o líder, sustenta que os valores “têm origem lícita e comprovada”.
“Parte é proveniente de diários publicamente declarados pagas pelo Senado para missões no exterior, e outra parte foi adquirida por meio de operações oficiais junto a instituição financeira, com registro regular”, disse.
“Não há nada a ocultar. O próprio Ministério Público Federal já havia considerado preliminar a apreensão desses bens. A defesa confia que o Supremo Tribunal Federal concordou com os equívocos e reafirmou a tranquilidade do senador quanto à sua conduta”, concluiu Domingues.

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