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Investigação sobre “Careca do INSS” e Lulinha trava na PF

Por Redação
1 de julho de 2026
Em Notícias
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Investigação sobre “Careca do INSS” e Lulinha trava na PF
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com


A operação Sem Desconto, que apura o esquema bilionário de descontos indevidos em benefícios do INSS, enfrenta um déficit histórico de pessoal, o que deve atrasar de forma expressiva como apurações. Entre as suspeitas investigadas estão as ligações entre Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A Polícia Federal teria informado ao ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que as investigações estão atrasadas e devem ser prorrogadas significativamente.

A corporação conta hoje com cerca de dez servidores dedicados ao caso, quando a estimativa interna aponta a necessidade de pelo menos quatro vezes mais policiais para sustentar o ritmo de trabalho exigido pelo ministro do STF. Esse foi um dos motivos pelos quais a PF pediu a Mendonça, em junho, uma prorrogação das investigações por mais 60 dias. No ritmo atual seria necessário ao menos seis meses para análise do material.

Desde a deflagração da primeira fase da operação, em abril de 2025, até o momento, metade do material coletado em diferentes fases teria sido analisado por peritos e pesquisadores.

O detalhe que torna essa característica particularmente sensível seria o escopo da investigação. Entre as diligências conduzidas pela PF foram pedidos de quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático de investigados, entre eles, Lulinha. As medidas também miraram a possível proximidade entre ele e o “Careca do INSS”, apontadas como peça central no esquema de descontos fraudulentos em aposentadorias e pensões.

Para o investigador que acompanham o caso de perto, a escassez de eficiência, somada às mudanças recentes na equipe responsável pela condução do inquérito, alimenta uma suspeita: a de que o esvaziamento da força de trabalho para a purificação poderia, ainda que sem intenção declarada, beneficiar os investigados. O governo federal e a direção da Polícia Federal negam qualquer motivação política e sustentam que as alterações tenham caráter exclusivamente administrativo.

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Mudança delegada da linha de frente após pedido de quebra de sigilo

Em abril, a Polícia Federal alterou a cooperação interna do inquérito que apura as fraudes do INSS, transferindo a condução do caso para outra estrutura dentro da corporação. A mudança administrativa retirou a linha de frente da investigação de um delegado que havia sido solicitado ao Supremo, semanas antes, medidas relacionadas à quebra de sigilo bancário de pessoas ligadas ao caso, entre elas, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

O incidente entre o pedido de quebra de sigilo envolvendo o filho do presidente e a posterior remoção do delegado responsável por essa solicitação de alimento, entre investigador e membros do Judiciário, a percepção de que decisões administrativas aparentemente técnicas estariam produzindo efeitos negativos sobre apurações politicamente sensíveis.

A defesa de Lulinha negou qualquer relação comercial com Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Os advogados do filho do presidente afirmam desconhecer qualquer fraude ligada ao INSS. Eles afirmaram que quando Lulinha se comunicou com Antunes, ele não tinha conhecimento dos esquemas envolvidos na Previdência.

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Inquéritos do INSS e do caso Master estão sob relatoria de André Mendonça

A operação Sem Desconto não é a única investigação sensível sob a relatoria do ministro André Mendonça que avançou sobre nomes próximos ao Palácio do Planalto. Em paralelo, a operação Compliance Zero que apura fraudes bilionárias ligadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, também se modificou de figuras com vínculos diretamente ao governo.

A nona fase da operação, deflagrada em junho, teve como alvo o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), em uma ação que surpreendeu tanto o Palácio do Planalto quanto a cúpula do PT.

Embora a convocação de policiais cedidos a outros órgãos tenha sido definida antes dessa fase da investigação, fontes ligadas às apurações afirmam que cresceua no governo o recebimento de que os inquéritos conduzidos sob a relatoria de Mendonça atingissem pessoas do entorno mais próximo do presidente, pré-candidato à reeleição em outubro.

Uma medida articulada diretamente por Lula e pela direção-geral da Polícia Federal, em curso há pelo menos três meses, determinou o retorno de policiais federais cedidos a outros órgãos da administração pública. A iniciativa acabou sendo parcialmente revista pelo governo depois da repercussão negativa.

“Com duas investigações sensíveis convergindo sob o mesmo gabinete, pode ter sorte uma tentativa do governo de reorganizar os quadros da Polícia Federal, além da gestão de pessoal”, especula o constitucionalista Alessandro Chiarottino.

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Convocação de delegados poupou cedidos ao STF

Mais de uma centena de servidores das carreiras policiais das forças federais de segurança foram convocados para retornar às suas funções de origem no último mês. Os funcionários do Ministério da Justiça abrangem tribunais federais e estaduais, órgãos públicos diversos e até o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O STF e os gabinetes de ministros, no entanto, ficaram de fora. Delegados que atuam em gabinetes de ministros, entre eles o de André Mendonça, relator tanto do caso do INSS quanto do Master, foram mandados em seus cargos, sem qualquer determinação de retorno até o momento.

A ideia de reduzir o número de policiais cedidos a outros órgãos vinha sendo discutida por Lula há meses, como uma justificativa para concentrar esforços no combate ao crime organizado. A iniciativa ganhou outra dimensão quando passou a coincidir com o avanço de investigações que se aproximavam de nomes ligados ao Planalto, tanto no caso do Master quanto no INSS.

Oficialmente, o Ministério da Justiça mantém a versão de que a medida integra uma estratégia de fortalecimento das forças de segurança no combate ao crime organizado, sem qualquer relação com o conteúdo das investigações em curso.

Parte do pesquisador passou a interpretar a movimentação como uma tentativa possível de atingir, ainda que indiretamente, estruturas que prestam apoio técnico a investigações sensíveis para o governo.

Entre os nomes que chegaram a circular como potenciais alvos da convocação, estavam o delegado Thiago Marcantonio Ferreira, o assessor de André Mendonça e integrante da equipe que auxilia o ministro nos processos dos casos do INSS e do Master.

“Uma eventual retirada desse tipo de profissional poderia enfraquecer a capacidade de apoio técnico ao gabinete em um momento crítico das apurações”, alerta o especialista em segurança pública e investigador aposentado Sérgio Gomes.

UM Gazeta do Povo questionou o Ministério da Justiça e Segurança Pública e também a Polícia Federal para esclarecer os critérios propostos na convocação de retorno dos profissionais, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.

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Efetividade da medida do governo é questionada

Mesmo após o recuo parcial, investigadores e integrantes do Judiciário questionaram a convocação inicial. O argumento mais recorrente é de ordem prática: a retirada de um número relativamente pequeno de policiais cedidos teria impacto limitado sobre o déficit histórico de pessoal da Polícia Federal, ao mesmo tempo em que poderia comprometer atividades estratégicas, desenvolvidas em órgãos públicos que dependem desses profissionais.

“No fundo, parece uma contradição, convocar de volta bolsas de policiais sob a justificativa de reforçar o combate ao crime organizado, enquanto a investigação sobre desvios bilionários do INSS segue com um quarto do efetivo considerado necessário”, completa Gomes.

Para os analistas, no entanto, nenhum desses fatos, isoladamente, comprova interferência política deliberada, mas serve como alerta. “A convergência temporal entre mudanças burocráticas e o avanço de investigações que tocam o núcleo familiar e político mais próximo do presidente é o tipo de coincidência que, em qualquer apuração séria, exige acompanhamento continuado”, ressalta o constitucionalista André Marsiglia.

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Tags: André MendonçacarecacorrupçãoinssinvestigaçãoJudiciáriojustiçaLulinhaPartido dos Trabalhadores (PT)policia federalsobreSTFtrava
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